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A Crônica da Semana: Façam Terapia! (e não apenas por causa do “Janeiro Branco”)

O Janeiro Branco está aí e com ele a conscientização sobre o cuidado que todos deveriam ter com a Saúde Mental. Essa não é uma crônica, mas uma constatação minha depois de muitos anos lidando com o ser humano (sim, no Jornalismo e na reportagem isso é inerente), bem como também após alguns anos de Terapia.

Aliás, essa é a palavra: Terapia! Todo o ser humano precisava fazer, olhar para o mental, assim como, ultimamente, olham para o físico. Não é à toa que muita gente anda dizendo que está cada vez mais difícil lidar com o ser humano. E está!

Entre tantos problemas que carregamos na vida adulta, a ‘criança ferida’ talvez seja um dos maiores deles, pois não sabendo lidar com ela na infância, as tristezas, frustrações, ansiedades, medos se transferem quase que naturalmente na maioridade.

Ainda bem que hoje, ao notar qualquer sinal de que a criança necessita de auxílio psicológico, os pais já procuram profissionais especializados (ou deveriam procurar).

Entretanto, muitos adultos na faixa dos 30 aos 50+ ainda relutam em fazer terapia. É muito mais uma questão cultural e de educação familiar do que qualquer outra coisa. Nossos pais (a grande maioria) não são muito adeptos a psicólogos e psiquiatras. Não foram acostumados a cuidarem da Saúde Mental, assim como seus pais, avós… E por isso não nos ensinaram a cuidar e, em muitos casos, a termos preconceito quando o assunto é terapia: “É coisa de louco” – você já deve ter ouvido alguém mais velho falando assim, não é mesmo?

Não bastasse não tratar a ‘criança interior ferida’, sim, a temos, quase todos nós, vem a Internet, as redes sociais, mostrando o bom, o belo, ‘a vida sem problemas’, a ostentação. O resultado disso, em muitas pessoas, é a frustração, a comparação (que é e continuará sendo o ladrão da felicidade).

O problema é que os problemas e distúrbios mentais não afetam apenas quem sofre deles, mas quem convive com esse paciente, nas mais diferentes relações: familiar, profissional, matrimonial. E, pasmem: muitas vezes quem precisa fazer terapia não busca auxílio e a pessoa que convive acaba por procurar para saber lidar com quem realmente necessita deste apoio psicológico.

Eu poderia escrever aqui mais muitos motivos para vocês cuidarem da Saúde Mental, mas vou destacar, em especial dois, que julgo imprescindíveis e que resumem bem o que eu redigi nas linhas acima: libertação e quebra de ciclos.

A terapia liberta, pois abre horizontes desconhecidos na mente do paciente, que podem assustar a princípio, mas se bem trabalhados refletem, principalmente, numa quebra de ciclos, tanto para si, quanto na maneira como lidamos com os outros, em qualquer que seja a relação.

Eu gosto muito dessa reflexão: “O Fundo do Poço é o lugar mais visitado do mundo, mas ninguém tira selfie nele”. Portanto, buscar ajuda psicológica nunca será sinal de fraqueza. Somente quem tem coragem é capaz disso: de se conhecer, de se entender, de saber lidar consigo para saber lidar com o outro e, claro, de se curar.

Obviamente que essa ‘cura’ não acontece do dia para a noite. Cada paciente é único e tudo faz parte de um processo. Mas, que tal dar o primeiro passo? Pode ser em janeiro, fevereiro, março (ou quando você conseguir uma consulta). Eu sei que conseguir um tratamento público relativo à Saúde Mental não é fácil. Porém, se você sente que precisa, não desista! O importante é cuidar da mente, é enfrentar nossos ‘fantasmas’ e com isso ter mais qualidade de vida!

Texto: Natália Tiezzi

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