Psicologia: Você tem medo do quê?

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A psicóloga Maura Pizani Smarieri Passos explicou que sentir medo não é errado e nem vergonhoso, porém é preciso saber distingui-lo de um sentimento normal à uma patologia

Reportagem e Texto: Natália Tiezzi Manetta

O medo. Você já parou para pensar sobre o que realmente ele é e de que maneira ele é conduzido na sua vida? É fato que todos nós o sentimos, mas, como saber distingui-lo entre um sentimento de proteção ou uma fobia, que pode interferir negativamente em diversas situações de nossas vidas?

Para esclarecer algumas dessas questões, a reportagem entrevistou a Psicóloga Clínica Maura Pizani Smarieri Passos, que compõe a equipe da Ipê Amarelo. Ela falou que o medo nos acompanha durante toda a vida. “Não devemos ter vergonha ou acreditar que é errado sentir medo. O que não se pode é deixar que ele controle nossas vidas de forma pejorativa”, destacou.

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Natália Tiezzi Manetta: Maura, o que é o medo do ponto de vista psicológico?

Maura Pizani Smarieri Passos: O medo é um dos nossos sentimentos, uma de nossas emoções. É normal senti-lo, pois todos nós o temos em todas as fases de nossa vida. Em algumas situações o medo se torna benéfico, pois nos impede de fazer alguma ação que nos coloque em perigo, nos protegendo.

Há alguma fase da vida em que sentimos mais medo?

Na verdade não. O que acontece é que os medos mudam. Alguns medos de infância, quando bem resolvidos nesta fase, não são levados ou projetados à vida adulta. Na vida adulta, os medos geralmente são relacionados ao não saber ou querer lidar com uma situação, o que pode refletir no medo, ou de sentimentos ou situações vivenciadas na infância que não foram bem resolvidas e que foram projetadas em algum medo. Por exemplo: medo de avião. Às vezes a pessoa não tem medo do avião em si, mas projeta neste objeto este sentimento ruim a qual vivenciou com alguma outra situação lá na infância.

Por que as crianças sentem medo?

Por ser um sentimento, o primeiro medo que a criança enfrenta é quando sai da barriga da mãe e se vê e sente em outro ambiente completamente diferente daquele que ele estava tão acostumado. Há medos que são absolutamente normais na infância, principalmente entre os 3 e 5 anos, quando está se formando a estrutura psíquica e as crianças começam a tomar consciência de que o medo existe.

Então, como saber se o medo é ruim para a criança?

A partir do momento que o medo a impede de fazer alguma atividade, que a inibe de conviver socialmente, enfim, quando ele interfere na rotina da criança. Nestes casos é recomendável procurar um profissional da saúde que possa auxiliar os pais, bem como a criança a enfrentar essa situação. E um recado aos pais: por favor não contem histórias ou cantem músicas que mexam com esse inconsciente não amadurecido das crianças como, por exemplo, ‘Bicho Papão’, ‘Cuca vai te Pegar’, ‘Homem do Saco’. Crianças tem uma memória incrível e guardam tudo que é falado e ouvido!

O que é a fobia?

A fobia é o medo em excesso, que pode se transformar em doenças como a ansiedade, a síndrome do pânico, por exemplo, que é o grau máximo do medo. Quando isso ocorre, além do psicólogo ou psiquiatra, muitas vezes é necessário fazer uso de medicação para diminuir os sintomas.

É possível ‘herdar’ algum tipo de medo dos pais, por exemplo?

Acredito que uma criança que vivencie uma situação que imponha medo em sua mãe, por exemplo, pode desenvolver esse mesmo sentimento.  Se uma mãe sofre violência física do marido dentro de casa, provavelmente o filho terá medo de apanhar também, assim como a mãe provavelmente tem. Portanto, o ambiente em que vivemos, as ações de outras pessoas conosco, a repetição de fatos ruins podem sim fazer com que desenvolvamos o medo.

Traumas também podem desencadear o medo ou até mesmo uma fobia?

Sim, principalmente aqueles que nos envolvam em alguma situação ruim, de perda. Vou dar um exemplo bem prático. Separação dos pais. Se essa questão não for muito bem exposta para os filhos, principalmente quando são crianças, é provável que essa criança desenvolva um medo exagerado, pois muitas vezes ela até se sente culpada pela separação dos pais. Esse medo também pode ser transferido para o comportamento dos filhos, gerando agressividade, isolamento, entre outras ações de fuga. Neste caso e em inúmeros outros onde a criança se depara com uma situação de perda, pelo menos do ponto de vista dela, também é recomendável a psicoterapia, não apenas para os filhos, mas principalmente para os pais que se separaram, justamente para saber lidar com as crianças frente à essa nova realidade.

O medo tem cura?

Por ser uma de nossas emoções acredito que possamos aprender a lidar com ele, a superá-lo, a trata-lo para que não se sobreponha aos demais sentimentos. É por isso que quando ele passa a atrapalhar o cotidiano, inclusive a pessoa desenvolve sintomas físicos como suor excessivo, frio na barriga, taquicardia, diarreia, enfim, é preciso trata-lo. Não sinta medo ou vergonha de procurar um profissional para expor seus medos, independente da idade que tiver. O medo sempre fará parte de nossas vidas. Expor nossos sentimentos, inclusive o medo, que é subjetivo, é sinal de muita coragem. E a psicoterapia pode ajudar muito, seja qual for o caso.

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