Direto da Itália, Carla Russo recomenda: “Quem puder, fique em casa – Respeite sua vida”

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Ela, que está em Firenze, disse que as regras do isolamento social são bem rígidas e o descumprimento pode ocasionar multas e prisões

Reportagem e texto: Natália Tiezzi

A Itália, que no início da Pandemia do Novo Coronavírus não tomou as devidas precauções para isolamento social, sofreu com muitas mortes. Entretanto, passou a tomar medidas rígidas para evitar que os italianos saíssem de casa o que, segundo o governo, tem surtido efeito positivo na diminuição no número de contaminados e mortos.

A brasileira e artista plástica Carla Russo, que por décadas residiu em São José do Rio Pardo, está em Firenze, na Toscana, região central do país, desde fevereiro. Por email ela contou como é o dia-a-dia e o respeito dos italianos pelas regras de isolamento.

“As regras aqui são duras. Tem que respeitar. Para sair de casa devemos preencher um documento justificando nossa saída e tem que apresentar sempre à polícia italiana. Se saímos sem justificativa de carro são 4000€ de multa e um processo na justiça que pode levar a 2 anos de prisão”, contou.

Carla disse que a saída de casa é liberada apenas para ir ao mercado e farmácia, sendo que ela faz isso uma vez na semana, apenas quando necessário, e sempre usando máscaras e luvas. “No mercado só entra uma pessoa por vez. Graças a Deus não está faltando nada, pois todos conhecem o limite de compras. Na farmácia somos atendidos na porta”, explicou.

Carla viajou para a Itália, onde tem residência própria, a trabalho. “Montei meu ateliê aqui e estou pintando para a próxima Mostra, que será a Bienal de Veneza, em maio. A quarentena começou dia 2 de março e talvez vá até 13 de abril, mas o presidente disse que poderá prolonga-la”, destacou.

Carla disse que mesmo que em Firenze o contágio esteja sendo menor que em outras regiões, como a Lombardia, ainda há muitos casos e contaminação. “Os hospitais estão cheios, mas óbitos chegam a 50 aqui em Firenze. Ambulância nem adianta chamar, eles dizem para ficar em casa. Casas de cura, que recebem idosos, na maior parte estão todas contaminados. As pessoas idosas contagiadas têm preferência nos hospitais, porém com poucas chances de sobrevivência”, disse.

Carla disse que é muito triste essa nova realidade na Itália. “Via de regra, o italiano gosta de conversar pessoalmente, mas no momento falar com alguém só por telefone. Escolas estão fechadas até o fim deste mês. Aulas só online. Os restaurantes estão fechados e o comércio também. Nada pode estar aberto aqui. O sentimento é de tristeza. Muita tristeza…”

Entretanto, mesmo em meio a tantas coisas ruins, Carla afirmou que está aprendendo muitas lições. “Deus está me dando a oportunidade de presenciar tudo isso que estamos passando na nossa querida Itália. Assim damos mais valor à nossa vida. Descobrimos que podemos viver com pouco, sem luxo, com simplicidade, comer o básico, e que afinal somos todos iguais, sem diferenças de cor, raça e dinheiro”, observou.

Ela também deixou um importante recado aos brasileiros, principalmente rio-pardenses neste momento. “Façam a quarentena. Quem puder, fique em casa e ao menos respeitem suas próprias vidas. Só quem vê o que acontece aqui é que dá o real valor na vida”, concluiu.

Em tempo: a foto de capa da matéria foi feita quando Carla estava no Brasil, em seu ateliê em São José.

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