Cordélia Barsotini: Ela alfabetizou milhares de alunos em mais de 30 anos de magistério

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Aos 70 anos, a ex-professora disse que escolheu a profissão por admiração a seus mestres

Reportagem e texto: Natália Tiezzi Manetta

“Brava!”. Foi assim que a ex-professora Cordélia Barsotini se descreveu em sala de aula durante os mais de 30 anos em que lecionou, a maior parte deste tempo em São José do Rio Pardo. Mas, o olhar doce, o sorriso cativante e o jeitinho especial de ensinar seus milhares de alunos fez dela uma referência em alfabetização na cidade.

Aos 70 anos completados no dia 17 de julho, Cordélia disse que escolheu o magistério como profissão por admiração a seus mestres. “Eu admirava meus professores e professoras da escola e naquela época não tínhamos tantas opções de carreiras a seguir como hoje em dia. Foi então que optei pelo magistério e jamais me arrependi por isso. Foram mais três décadas tendo prazer em ensinar e também aprender muito com meus alunos”, destacou.

E ela se recorda com carinho dos seus professores, a exemplo da dona Nair Raddi. “Foi uma grande inspiração para mim. Sempre tratei meus professores com muito carinho e muito respeito”.

A primeira vez que Cordélia esteve em uma sala de aula foi em 1973, à época ainda como estagiária. “Fiz o curso de Magistério no Instituto Estadual de Educação, atualmente Escola Euclides da Cunha. Ingressei na rede estadual e municipal de Ensino no ano de 1980, mas antes disso fiz estágio durante sete anos. A primeira escola em que estagiei foi a Escola Estadual “Tarquinio Cobra Olyntho””, informou.

Após concluir o curso de Magistério, Cordélia foi para Campinas, onde ministrou aulas pela rede estadual. “Fiquei um tempo por lá e gostava da cidade, mas por questões familiares e também porque sempre fui muito apegada à minha família voltei a São José”.

Por aqui, ela alfabetizou muitas crianças em escolas rurais como na fazenda Santa Maria do Rio Pardo e Sítio Novo. “Somente em 1988 comecei a dar aulas na Escola Estadual “Dr. Cândido Rodrigues”, onde permaneci por alguns anos. Curiosamente me aposentei na mesma escola em que comecei a estagiar, a Tarquinio, no ano de 1998”.

Apesar da aposentadoria, Cordélia ainda permaneceu ministrando suas aulas por mais alguns anos em escolas particulares e, em 2006, encerrou definitivamente a carreira. “Minhas experiências em colégios particulares foram no Objetivo e Unigrau. Graças a Deus tive a oportunidade de conhecer pessoas muito boas e alunos inesquecíveis, tanto na rede municipal, estadual e particular”, observou.

Cordélia foi a responsável por alfabetizar milhares de alunos em Rio Pardo: carinho, dedicação e amor ao magistério

O DIFÍCIL E PRAZEROSO DOM DE ENSINAR

Questionada se acredita que é necessário ter dom para exercer o magistério, Cordélia foi enfática. “Lógico que sim. Ensinar é doar-se, é uma espécie de sacerdócio. Quem não tem esse dom dificilmente permanecerá em uma sala de aula ou será um professor daqueles bem frustrados”.

E por falar em sala de aula, Cordélia destacou o melhor e o pior dentro daquelas quatro paredes. “Acho que o melhor é conhecer tantas crianças, não ter rotina, pois cada dia é uma experiência nova de aprendizado, tanto para os alunos, quanto para o professor. O pior acho que não há, mas é óbvio que temos que aprender a lidar com aqueles alunos mais arteiros, indisciplinados e a respeitar o tempo de aprendizado de cada um”.

Durante os anos em que lecionou, um livro marcou muito a professora: a cartilha. “Alfabetizei todos os meus alunos por meio dela. Naquela época era um aprendizado mais lúdico, contávamos histórias para ilustrar as letras e a alfabetização acontecia naturalmente, por meio de exemplos, do despertar ao mundo da fantasia… A cartilha foi minha fiel companheira de todos esses anos e até hoje encontro ex-alunos que se recordam de minhas aulas junto a ela”, lembrou.

Para finalizar, Cordélia, que atualmente é presidente da ARPA – Associação Rio-Pardense de Professores Aposentados, disse que foi muito feliz durante os anos que se dedicou à alfabetização. “Foram 33 anos muito felizes. Às vezes reconheço alguns ex-alunos, acompanho principalmente pelas redes sociais e penso: lembro do lugar que ocupavam na sala de aula, do comportamento, de algumas características que me marcaram… Sou muito grata por poder ter dividido tudo que aprendi com meus alunos e ter aprendido tanto com eles. O magistério é assim: um constante e prazeroso ensinar e aprender”, concluiu.

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