Cássio Zanatta: “O sujeito sai de São José, mas São José não sai do sujeito”

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Escritor, que lançou no último sábado seu mais recente livro aqui na cidade, disse que nunca esqueceu os bons tempos que passou ‘na terrinha’

Entrevista e texto: Natália Tiezzi Manetta

Este é o 3º livro de Cássio Zanatta e o quarto já está sendo preparado e provavelmente será lançado no próximo ano

No último sábado, dia 25, o escritor rio-pardense Cássio Zanatta lançou seu mais recente livro, “O Espantoso Nisso Tudo” aqui em São José, sua terra natal, onde passou boa parte de sua infância e adolescência. O lançamento e noite de autógrafos teve lugar no Centro da Memória Rio-Pardense.

Em entrevista ao site, Zanatta falou sobre suas inspirações para escrever crônicas, um pouco do seu trabalho em São Paulo, onde reside atualmente, além de contar, em primeira mão, que já está preparando seu 4º livro, que provavelmente será publicado em 2020. Confira!

As fotos que ilustram a matéria foram gentilmente cedidas por RS Fotografias, clicadas pela querida Roberta Simões, que fez a cobertura fotográfica do lançamento do livro e da noite de autógrafos

Natália Tiezzi Manetta: Cássio, de onde surgiu inspiração para escrever “O Espantoso Nisso Tudo”?

Cássio Zanatta: O Espantoso Nisso Tudo”, meu livro mais recente e que tive a honrar de lançar há uma semana em São José, reúne crônicas publicadas entre 2017 e 2019 nas revistas digitais Rubem, especializada em crônicas, e no jornal The São Paulo Times. É uma coletânea de crônicas sobre assuntos que para mim são preciosos: os formatos das nuvens, o sumiço dos vaga-lumes, o poder de transportação de certo perfume, da arte de subir em árvores etc. Ou seja: as coisas mais espantosas para mim, na verdade, são meio bocós.

Quantos livros você já escreveu? Conte um pouco sobre eles.

Escrevi 3 livros: “Coisas do Mineiro”, publicado em 1985 e escrito quando eu tinha 23, 24 anos – portanto, uma obra imatura, que eu honestamente não considero um livro que me dê orgulho. Em 2017, aí sim, com textos mais elaborados e bem cuidados, publico “A Menor Importância” e recentemente, “O Espantoso Nisso Tudo”, que está fazendo até um relativo sucesso: fui informado pela editora que a 1a edição esgotou. A 2a já está no forno.

Você sempre costuma vir a São José do Rio Pardo? Como foi essa nova experiência, agora lançando um livro aqui?

Sempre que posso, venho a São José. Infelizmente, hoje em dia tenho conseguido somente umas quatro ou cinco vezes por ano. Sou um filho meio desnaturado. Mas não adianta: o sujeito sai de São José, mas São José não sai do sujeito. Na verdade, nunca cheguei de fato a morar na cidade. Morei com meus pais, Celina e Irineu Zanatta Jr, toda a minha vida em São Paulo. Mas na minha infância e adolescência, eu passava até 4 meses de férias por aqui. Isso é quase 1/3 do ano. E isso ficou impregnado na forma de ver e sentir as coisas. Num certo respeito com as coisas que parecem pequenas, num olhar meio enviesado para as falsas importâncias. Ter lançado um livro em São José é por isso algo especial, cercado de uma emoção muito particular. Vejo familiares, amigos que não vejo há um bom tempo e que fizeram parte de muitas das mais importantes histórias.

Hoje você mora em São Paulo. Como é seu trabalho aí na capital?

Eu trabalhei primeiro na lanchonete do meu pai, na rua 7 de abril, no Centro. Às vezes ficava no caixa, às vezes organizava os pedidos para viagem e ajudava na contabilidade. Depois fui revisor em jornais e editoras, até que me dediquei inteiramente à Publicidade. Tive muita sorte: fui redator e Diretor de Criação de muitas das principais agências brasileiras, como a Almap, a DM9, a Africa, a DPZ… Fui eleito para o Hall da Fama do Clube de Criação, olha só que absurdo. E há dois anos deixei a publicidade (faço apenas alguns freelas) para me dedicar a escrever.

Já há alguma previsão para publicação do próximo livro e sobre o que será?

Quanto ao novo livro, ele será também de crônicas. Como publico dois textos semanais, vou juntando material e selecionando os que considero mais “literários” e relevantes ao leitor. Espero publicá-lo em 2020. Mas isso é mais com a Realejo, minha editora.

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