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Gerontóloga Letícia Semensato Santos destaca a profissão e inicia série de entrevistas ao “Minha São José”

A matéria especial desta semana do site e jornal online Minha São José retrata um pouco da trajetória profissional de Letícia Semensato Santos, gerontóloga conceituada em Rio Pardo e região. Ela também dividiu um pouco de seu amplo conhecimento em Gerontologia, uma das ciências mais promissoras de um futuro bem próximo, já que a população mundial está envelhecendo e essa área estuda o processo de envelhecimento em suas múltiplas dimensões.

Graduada pela UFSCar, Letícia atua desde 2013 e hoje atende em consultório próprio, além de atendimentos domiciliares em Rio Pardo e em Casa Branca e Mococa.

Na entrevista, ela destacou sua paixão à carreira, as atuações junto aos idosos e o que fazer para chegar aos 60+ com vitalidade. “Gosto muito de dizer que não basta vivermos mais, é preciso viver melhor, e é justamente nesse ponto que a Gerontologia se torna essencial”, observou.

Letícia também mencionou a parceria com ‘Minha São José’, que ao longo dos próximos meses abordará assuntos relevantes não apenas aos idosos, mas para que a população de todas as idades fique sempre bem informada. “A parceria com as mídias Minha São José amplia o acesso da população a informações sobre o envelhecimento, contribui para a educação, prevenção e promoção da saúde. Além disso, fortalece a minha atuação como gerontóloga, não só pela visibilidade, mas o papel importante da Gerontologia diante do aumento do envelhecimento populacional. Para as próximas matérias pretendo trazer assuntos que sejam relevantes, atuais e que conectam com os leitores, mostrando como é essa ciência na prática”, ressaltou.

“Envelhecer com mais saúde e disposição não depende de um único fator, é o resultado de hábitos consistentes ao longo da vida”, observou a gerontóloga

Confiram, abaixo, a entrevista na íntegra.

Minha São José: Letícia, fale um pouco sobre sua formação acadêmica.

Letícia Semensato Santos: Sou graduada em Gerontologia pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar e realizei duas pós graduações, sendo a Especialização em Reabilitação Cognitiva, pelo Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – HCFMUSP, e o Aperfeiçoamento em Psicogeriatria, pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – IPq- HCFMUSP. Além das pós graduações, busco constante atualização por meio de cursos, formações complementares e participação em congressos, tendo como temas, por exemplo, Transtornos Cognitivos e Demências, Atualização em Saúde do Idoso, Promoção do Envelhecimento Saudável, Particularidades do Cuidado do Idoso, Diabetes de Mellitus: Noções Básicas, entre outros assuntos.

O que é a Gerontologia?

O termo tem origem no grego (Gero = envelhecimento; Logia = estudo), significando, literalmente, o estudo do envelhecimento. A Gerontologia é a ciência que estuda o processo de envelhecimento em suas múltiplas dimensões. Trata-se de um campo interdisciplinar e multidisciplinar dedicado à compreensão das mudanças que ocorrem ao longo do envelhecimento, bem como de seus determinantes psicológicos, socioculturais e biológico-genéticos. Abrange tanto os aspectos do envelhecimento normal quanto patológico, considerando seus impactos individuais e coletivos. Diante do crescimento da população idosa, do aumento das doenças crônicas e das transformações nos arranjos familiares, o profissional em Gerontologia atua na busca de soluções que integrem qualidade do cuidado, promoção do bem-estar e gestão eficiente de recursos humanos e financeiros. O gerontólogo é um profissional com formação humanista, crítica e reflexiva, capacitado para compreender, planejar, implementar e avaliar estratégias de cuidado voltadas à pessoa idosa, bem como oferecer suporte a familiares e cuidadores. Sua atuação contempla tanto o envelhecimento saudável quanto os contextos de maior fragilidade. Além disso, está preparado para atuar em equipes multiprofissionais, contribuindo para a gestão das diversas demandas que surgem na velhice, sempre fundamentado em princípios éticos e em evidências científicas. Seu trabalho é orientado pela responsabilidade social, pelo compromisso com a cidadania e com o sistema de saúde, além da produção e disseminação do conhecimento em Gerontologia de forma acessível à sociedade.

Por que optou por essa carreira e quando começou a atuar?

Sempre digo que foi a Gerontologia que me escolheu! No início da graduação ainda tinha muitas dúvidas sobre a profissão e suas possibilidades de atuação, mas tinha a certeza de que queria trabalhar com idosos, por quem sempre tive grande afeição. Durante a graduação fui me encantando cada vez mais pela área, e hoje posso dizer que tenho a certeza de que fiz a escolha certa. Comecei atuar na área logo após finalizar a minha formação, no ano de 2013. Desde então, já atuei por quatro anos no Ambulatório de Geriatria no município de Casa Branca, por três anos na Unimed Rio Pardo e também acumulei sólida experiência prática proveniente de estágios realizados durante a graduação e as pós graduações em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Referências Especializados para idosos.

Quais são os espaços e trabalhos que você promove/atua neste momento?

Atualmente possuo consultório em São José do Rio Pardo, localizado na rua Carlos Botelho nº777- Centro, e realizo atendimentos domiciliares no município e nas cidades de Casa Branca e Mococa. Atuo no atendimento ao idoso de forma individual ou em grupo, além de oferecer orientação e acompanhamento a familiares e cuidadores de idosos. Realizo sessões de reabilitação e estimulação cognitiva individual, grupos de memória, oficina de tecnologia 60+ (voltadas ao aprendizado do uso de smartphones, tablets e outras tecnologias), capacitação de cuidadores formais e informais de idosos, além da elaboração de apostilas com atividades de estimulação cognitiva, que podem ser adquiridas para realização das atividades em domicílio.

Como são as consultas com um gerontólogo? O que é avaliado no paciente?

As consultas com o gerontólogo são personalizadas e amplas, já que o foco não é apenas doença, mas o idoso como um todo. É realizada uma avaliação multidimensional no idoso, que deve estar acompanhado de um familiar ou cuidador, para uma escuta acolhedora e detalhada, buscando entender a história de vida, rotina, queixas e quais são seus objetivos. Nessa avaliação é analisado a cognição (como a memória, atenção, raciocínio, linguagem e declínio cognitivo), os aspectos emocionais (como ansiedade, tristeza, depressão, apatia, entre outros pontos relacionados ao humor), a funcionalidade do idoso (como a capacidade de realizar as atividades básicas e instrumentais da vida diária), as condições de saúde (como as doenças crônicas, uso de medicamentos, como é o sono, dor, em meio a outras queixas), o estilo de vida (como a prática de exercícios físicos, alimentação, estímulo cognitivo e rotina), o contexto social (como é a rede de apoio desse idoso, o isolamento social) e também é avaliado a ambientação (como os riscos de queda e quais adaptações são necessárias). Após toda essa avaliação o gerontólogo realiza um plano de cuidado individualizado e para esse idoso, que pode incluir reabilitação e estimulação cognitiva, orientação aos familiares e cuidadores, organização e planejamento de rotina, estratégias de autonomia e independência, com objetivo de proporcionar a ele qualidade de vida e bem estar.

Letícia atua em consultório próprio, à rua Carlos Botelho, além de atendimentos domiciliares em Rio Pardo, Casa Branca e Mococa

A partir de qual idade é recomendada uma consulta com este profissional?

Não existe uma idade certa, mas na prática a gerontologia é mais indicada a partir dos 60 anos, que é a idade considerada para o início do envelhecimento pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, o ideal não é procurar quando o problema já apareceu, mas antes, com foco na prevenção da autonomia, da cognição e da qualidade de vida. Deve-se procurar um gerontólogo em qualquer idade, principalmente quando apresentar sinais como dificuldade nas atividades rotineiras, esquecimentos frequentes, isolamento social, mudança de comportamento ou humor, ou um diagnóstico de demência.

O que o melhor e o que é o pior na Gerontologia?

A Gerontologia é uma área muito rica, mas como todas as profissões tem pontos positivos e alguns desafios a serem enfrentados. Acredito que os pontos positivos são: a possibilidade de acompanhar o envelhecimento como um todo e proporcionar melhora na qualidade de vida, autonomia, independência, funcionalidade, cognição, social e não só as doenças. Os vínculos que criamos com idosos também é muito significativo, já que existe uma troca de afeto, aprendizados e de histórias de vida. O envelhecimento da população faz com que a área tenha cada vez mais demanda e possibilita diversidade de atuação. Em relação aos desafios, acredito que a gerontologia ainda não é reconhecida profissionalmente, muitas pessoas ainda não sabem exatamente qual é a atuação do gerontólogo, sendo necessário explicar e justificar seu papel na equipe. Outro desafio é a resistência de muitas pessoas em buscar cuidados preventivos, acreditando que esse acompanhamento só é necessário quando já existe algum diagnóstico.

Podemos dizer que essa será a profissão do futuro? Por quê?

Sim, podemos considerar que a Gerontologia é a profissão do futuro devido às mudanças demográficas que estamos tendo. Segundo a OMS, o número de pessoas com 60 anos ou mais deve dobrar até 2050, ultrapassando os 2 bilhões. Devido o aumento dessa determinada população surge-se a necessidade de profissionais especializados e qualificados que visem a qualidade de vida, bem estar, autonomia, funcionalidade e cognição ao longo do envelhecimento. Além disso, terá um crescimento em doenças que estão relacionadas ao processo de envelhecimento como, por exemplo, a Doença de Alzheimer, e novamente necessitamos de profissionais habilitados para atuar com os idosos, familiares e para o cuidado multidisciplinar. Gosto muito de dizer que não basta vivermos mais, é preciso viver melhor, e é justamente nesse ponto que a Gerontologia se torna essencial.

Como definiria a Letícia gerontóloga? Quais são suas características mais marcantes na profissão?

Pergunta difícil essa de responder, mas acredito que a Letícia gerontóloga é uma profissional que busca enxergar o envelhecimento além das limitações, entendendo a história de vida e as particularidades de cada idoso. Minha atuação é marcada para um olhar humano, sensível, mas ao mesmo tempo técnico e cuidado de forma equilibrada. O meu foco é na estimulação cognitiva, promoção da saúde, preservação da funcionalidade e qualidade nos cuidados prestados. Acredito que minhas características mais marcantes sejam a escuta, a capacidade de acolher e a habilidade de transformar o conhecimento em estratégias práticas que impactam na qualidade de vida dos idosos. Busco ter uma postura ética e comprometida, atuando no cuidado do idoso, como também na orientação e suporte aos familiares e cuidadores, fortalecendo toda a rede de apoio.

O que podemos fazer para chegarmos aos 60+ com mais saúde e disposição? 

Envelhecer com mais saúde e disposição não depende de um único fator, é o resultado de hábitos consistentes ao longo da vida. Mas, de forma prática, o que mais impacta a longevidade com qualidade é manter o cérebro ativo com estímulos, praticar exercícios físicos, manter uma alimentação equilibrada, realizar o acompanhamento médico com frequência, dormir bem, manter uma boa socialização evitando o estresse e ansiedade. Ou seja, envelhecer com saúde é manter a autonomia, cognição e energia.

Para finalizar, gostaria que já destacasse alguns assuntos que você pretende abordar nas próximas matérias.

Para as próximas matérias pretendo trazer assuntos que sejam relevantes, atuais e que conectam com os leitores/internautas, mostrando como a Gerontologia é na prática. Algumas ideias de temas estão relacionadas à memória (como a importância da estimulação cognitiva, os hábitos que ajudam na prevenção e sobre as demências), falar sobre o envelhecimento saudável (em como preservar a autonomia, estilos de vida que proporcionam longevidade, saúde emocional), assim como a importância do cuidado qualificado, seja ele realizado pelo familiar ou cuidador.

Ao longo dos próximos meses, ela abordará assuntos relacionados à Gerontologia aos idosos, famílias, cuidadores, mas também à população de todas as idades para o conhecimento, planejamento e ações que garantam mais qualidade de vida após os 60 anos

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