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A Crônica da Semana: Aniversários de criança em casa… Viva os anos 80 e 90!

Eu sei que tudo muda, a vida é movimento e cada tempo tem suas características, mas só quem teve o privilégio de comemorar aniversários infantis sendo criança em meados da década de 80 e 90 entenderá essa crônica e, saudosamente, sentirá o ‘gostinho’ das festas comemoradas em casa.

Diferente de hoje, onde as comemorações são mais elaboradas, em buffets, etc, num passado não tão distante, os aniversários de criança eram mais simples, mas arrisco dizer que foram mais marcantes, especiais e inesquecíveis.

Eu vivenciei isso. Do primeiro até mais ou menos os 10 anos tive minhas festinhas de aniversário: modestas, feitas em casa, com aquilo que meus pais podiam oferecer. E, assim como as crianças daquela época, realmente participava do aniversário não só na hora da festa, mas antes dela.

Os preparativos eram satisfatórios. Talvez venha daí aquele ditado que ‘o melhor da festa é esperar por ela’. Diferente de hoje, as comidas da festa eram preparadas por minha mãe, avó e tia – um cardápio com menos opções, mas saboroso sobremaneira.

Cedinho já era possível sentir o cheirinho das esfirras ao forno que minha mãe preparava. Mais tarde, o panelão de salsicha em molho já fervia, enquanto ela cortava os pãezinhos para o tradicional cachorro-quente. Ah, mamãe também fazia o brigadeiro, delicioso, que eu, claro, ajudava a enrolar (e comer alguns antes da festa).

Minha avó paterna, dona Zura, preparava os quibes (até hoje não comi nenhum parecido), pequeninos, em formato de bolinhas e apetitosos. Já minha tia Oscarina (Nena) fez, algumas vezes, o olho de sogra, servido naquelas forminhas coloridas, que enchiam os olhos!

Enquanto isso meu pai providenciava aquele aperitivo que todos gostavam: espetinho de salsicha, queijo prato e azeitona, sempre preparado por ele, que também ia atrás das bebidas: refrigerantes caçulinha, cervejas. Criança bebia no copinho de papel (depois evoluiu para o plástico) e adultos nos copos americanos.

Para acomodar os convidados (que nos meus aniversários eram muitos, afinal eram oito tios, mais as tias e aquela dezena de primos, mais alguns amiguinhos vizinhos), meu pai alugava conjuntos de mesas e cadeira de ferro – que tínhamos que tomar cuidado para ‘armar’ senão apertava os dedos… Eles eram armados no pequeno quintal, alguns dentro de casa, na cozinha, copa. E quando acabavam, o jeito era sentar no sofá da sala mesmo.

Já a mesa do bolo (que, na verdade, era a única comida que minha mãe comprava, pois nunca soube fazer os recheados e decorados, junto às balas de coco), sempre recebia uma decoração com aquelas ‘saias’ de papel laminado – eu achava incrível, as balas enroladas no papel ‘crepom’, que coloriam as mesa, além dos outros docinhos. Bexigas também enfeitavam a casa, sem esquecer do ‘bexigão’ cheio de doces, que um tio sempre estourava com o cigarro!

Por falar em bolo, tive de muitos formatos, com personagens, e sempre grandes, pois quase todos levavam um pedaço para casa! Um de meus favoritos foi um ‘urso’, todo feito com chocolate, ‘tamanho família’!

Quanto aos presentes, eram expostos em cima da cama e os papéis jogados debaixo dela (diziam que dava sorte!).

E a criançada nem tinha lugar para brincar, já que a casa onde eu morava era pequena, mas havia diversão, contentamento, troca de conversas, correrias, um primo sempre chorando, o outro derrubando alguma coisa no chão, estourando bexiga antes da hora ou ‘pegando’ um docinho escondido…

Enfim, acho que os aniversários ‘de ontem’ eram mais vivenciados. Não tinha luxo, quase tudo era feito em casa, em família, mas a alegria prevalecia, mesmo num ambiente pequeno, porém acolhedor, como foi minha casa na infância…

Quiçá as crianças dessa geração terem, ao menos, um aniversário como nós, que hoje já passamos dos 40, tivemos… Colocando o cachorro quente nos saquinhos de papel, enrolando brigadeiros, armando cadeiras de ferro, enchendo bexigas, tomando guaraná caçulinha e correndo pelas modestas casas… Bons tempos!

Balas de coco no papel crepom: clássicas nos aniversários dos anos 80 e 90!

Natália Tiezzi

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