Profº. Mário Rubens: Uma vida dedicada aos esportes e a paixão pelo voleibol

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Foram 36 anos de carreira como professor de Educação Física, milhares de alunos e colegas de faculdade ilustres, como o rei Pelé

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Ele foi um dos professores de Educação Física mais marcante para uma geração de alunos que, através dele, aprenderam muito além das técnicas esportivas, mas o respeito, a disciplina e o senso competitivo, suas marcas registradas enquanto mestre e treinador. Exigente, sua forma de educar fisicamente não ficava apenas nos quatro cantos da quadra: suas aulas sempre foram diferenciadas, com conteúdos que sobressaiam a uma simples bola.

Nossa matéria especial de hoje traz um pouco da trajetória do professor Mário Rubens da Silva, muito lembrado e querido pelo trabalho atuante dentro das quadras nas décadas de 80, 90 e 2000. Ao longo de 36 anos de carreira, ele ministrou aulas em diversas escolas estaduais, entre elas na capital paulista, Mococa e São José, onde fez história na E.E. “Dr. Cândido Rodrigues”.

Ao longo da entrevista, Mário Rubens disse que o esporte sempre esteve presente em sua vida e por isso optou pela Educação Física. Ele também contou sobre os colegas ilustres que teve na faculdade, as modalidades em que se especializou e, claro, sua paixão pelo voleibol onde, inclusive, descobriu muitos talentos rio-pardenses.

O professor também fez uma análise da Educação Física atualmente ministrada nas escolas e de uma atleta que marcou para sempre sua vida, dentro e fora das quadras, sendo que o ‘jogo’ mais importante foi realizado diante de um padre!

Curiosos para saber quem é ela? Confiram, abaixo, a entrevista na íntegra.

Professor Mário, quando começou sua relação com os esportes?

Mário Rubens da Silva: Desde de que me conheço por gente sou apaixonado por esportes.  Enquanto aluno das escolas públicas sempre participei dos campeonatos escolares disputando vaga em todos os esportes. Tive o orgulho de ser aluno de um técnico de natação vindo do Clube Tietê de São Paulo, professor Alcides, que revelou, entre outros, o atleta Guido Biondi que chegou a disputar campeonatos paulista e brasileiro. Fiz ginástica olímpica, voleibol, futebol de salão. Só não consegui vaga em basquete (acho que não preciso especificar o por quê disto). Sempre fui muito esforçado e obstinado por conseguir me superar e superar minhas limitações. Fui pretensioso jogador de futebol .

Onde cursou Educação Física?

Cursei a Faculdade de Educação Física de Santos (FEFIS). Terminei o curso em 1973. Com a colação de grau em 73 continuei até 75 fazendo aperfeiçoamento em três esportes: Ginástica Olímpica, Natação e, claro, Voleibol.

É verdade que estudou com figuras ilutres do esporte neste período?

Sim, aliás, um dos fatos que marcaram minha vida acadêmica na FEFIS foram essas personalidades que estudaram lá neste mesmo período. Começamos o curso em 1970. Ano da copa do mundo e que o Brasil formou a melhor seleção de todos os tempos. E destes selecionados, alguns estavam na faculdade junto comigo como o Leão (goleiro do Palmeiras), Edu, Pepe e Pelé, do Santos F.C., entre outros grandes craques do futebol. Tínhamos também como companheiros Negreli, Geraldinho, Joreca, Arlindo, Pona e outros do voleibol, além de jogadoras de basquetebol, mas em especial e mais conhecida hoje a cantora Simone, que naquela época jogava pela seleção brasileira de basquete.

Colegas de turma: Mário Rubens e Pelé na Faculdade de Educação Física de Santos no início da década de 70

Onde iniciou sua carreira e quais foram as escolas por onde passou?

Eu fiz o concurso para professor de Educação Física do estado de São Paulo em 1976 e passei. Assumi o cargo no colégio estadual “João Ramaciotti, no bairro de Artur Alvim, na capital paulista. Removi para o colégio estadual “Paulo Euro”, no bairro de Santo Amaro, também em São Paulo. Anos depois, removi para o Colégio Estadual de Campinas e, mais tarde, ao Colégio estadual “João Cid Godoy” e para o Colégio estadual “Maestro Justino de Castro”, ambos em Mococa e, finalmente, removi para o colégio estadual “Dr. Cândido Rodrigues” e fiquei até a aposentadoria em 2011, numa jornada de 36 anos!

Apesar de ter ministrado outras modalidades, o voleibol sempre foi sua paixão?

Se eu disser qualquer outro adjetivo para responder esta pergunta que não seja realmente paixão estaria mentindo. Com certeza o voleibol sempre foi minha aspiração.

Como o professor se descreveria como treinador de vôlei, que o marcou em sua profissão?

Sempre fui um estudioso desta modalidade. Procurava me aperfeiçoar com os melhores técnicos, a começar pelo meu maior mestre, o Sr. Paulo de Paiva Ferreira da Silva o “Seu Paulinho, que me apresentou aos grandes especialistas da modalidade. Fomos até Manaus para cursos com o grande técnico da seleção japonesa, o professor Matsudaira. Fui a grandes eventos, como campeonatos estaduais brasileiros e sul americanos, hora como auxiliar técnico, hora como acompanhante, mas sempre integrante das comissões técnicas. E desta forma me caracterizei em formar atletas, ou seja, descobrir e revelar talentos.

Há algum momento ou aluno (a) que o tenha marcado em sua trajetória na Educação Física?

Sim, no decorrer da minha carreira houve momentos de muita alegria e surpresas. Quando recebemos a notícia da convocação da Adriane Paulo e da Glaucia Tessari para a seleção brasileira de vôlei, por exemplo. E outros acontecimentos relativos ao desempenho das nossas equipes nos diversos campeonatos que disputamos, como as ligas particulares e jogos regionais e abertos da secretaria estadual de esportes, onde conquistamos muitos títulos e medalhas. Mas, o mais marcante e importante foi a descoberta de uma atleta em particular, que treinou comigo desde os 11 anos de idade até mais ou menos 22 anos, quando descobrimos que nosso jogo mais importante seria na frente de um padre. Quero dizer que fiz de uma atleta minha esposa, a querida Mara Lúcia com quem estou há 41 anos e bem feliz!

A aluna que se tornou o grande amor do professor: Mara Lúcia, com quem Mário Rubens é casado faz 41 anos

Seus filhos e netos também praticam esportes? O senhor os influenciou ou influencia nisso?

Sim. Enquanto crianças até que tentaram participar de alguns treinamentos. Minha filha mais velha, Carol, tentou o voleibol, mas não era o que queria na verdade. Nunca forcei nenhuma atitude que não fosse de encontro com as possibilidades dela. Meu filho experimentou o futebol, mas também não logrou êxito. Tentou até a faculdade de Educação Física, mas também não ‘vingou’. Já a minha filha mais nova, Mariana, essa sim se mostrou mais interessada e até conseguiu participar de alguns eventos na modalidade de ginástica olímpica. Mas também não foi muito longe. Tenho a consciência tranquila de poder dizer que eles fizeram e fazem o que seus corações mandam, sem nenhuma imposição minha.

O professor concorda com a citação de ‘mente sã, corpo são?

Minha certeza é de que tudo que se faz de exercícios para manter o corpo humano sadio só pode salvar a vida que está neste ser. Todos os movimentos feitos com a precisão adequada a cada segmento muscular e nervoso do organismo pode e com certeza irá revitalizar o ser humano, sempre.

O senhor sempre foi conhecido pela disciplina que exigia de seus alunos, inclusive sempre ensinou a Educação Física de uma forma bem completa e diferente do que vemos hoje em dia nas escolas. O professor acredita que a forma como propor a Educação Física precisa mudar?

Eu sempre acreditei que a disciplina e o bom comportamento das pessoas as levariam a alcançar seus objetivos com mais facilidades e com maior possibilidades de acerto para si e para os que estiverem ao seu redor. A Educação Física já diz por si só o que representa na vida das pessoas. Educação quer dizer postura, delicadeza, gentileza, autoridade, sempre com imposição de caráter para marcar o objetivo a ser alcançado. Física relaciona ao corpo em todos os seus segmentos, desenvolvendo os membros e a mente sempre em harmonia. Acredito que a forma tecnocrata implantada hoje nas escolas em relação às aulas de Educação Física deixaram de desenvolver o gosto dos jovens pelos esportes de quadra, de pista e até de água. Está cada vez mais difícil encontrar esportistas que queiram participar de treinamentos e aperfeiçoamentos para competições. Hoje, o esporte e a recreação ficaram desprezados em face à existência das mídias sociais. É extremamente necessário uma atitude bem drástica e severa na mudança desta forma de aplicar a Educação Física.

Apesar de já estar aposentado, o professor nunca deixou a Educação Física. Quais atividades realiza atualmente?

Atualmente sou funcionário do DEC, e trabalho como assistente técnico do professor Iury Abrão na modalidade de natação e já temos uma excelente equipe em treinamento, participando de eventos proporcionados por duas entidades especializadas e já com conquistas muito significantes .

Para finalizar, qual foi a principal lição que aprendeu com seus alunos e a principal lição que ensinou a eles em todos esses anos?

Bem, como lição de vida eu sempre procurei conhecer a realidade de cada aluno que estava sob meus cuidados. Procurei ser sempre enérgico, mas com cuidados especiais para nunca macular os princípios humanos e individuais de cada um. Na minha opinião, o ser humano não poderia ter cor, sexo, religião, opção sexual ou mesmo categoria social. Procurei sempre tirar dos alunos apenas o que eles podiam me dar. Sem forçar suas naturezas, respeitando seus limites. E essa também foi a principal lição que procurei passar para aqueles que estiveram junto comigo nesta caminhada maravilhosa da minha sagrada profissão de PROFESSOR!

Paixão pelas quadras: O técnico Mário Rubens erguendo o troféu junto a uma de suas equipes femininas de voleibol
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