Mon Amour: Com 41 anos, floricultura é a mais antiga da cidade

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Flores impecáveis e arranjos sofisticados ainda são os diferenciais do tradicional comércio

Reportagem e texto: Natália Tiezzi Manetta

As cores, texturas, belezas, enfim, o mundo encantado da flora conquistou, há 41 anos, um jovem casal rio-pardense que decidiu investir no sonho do próprio negócio em um ramo onde a cidade, à época, era muito carente: a comercialização de flores. Nossa reportagem destaque deste sábado retrata um pouco da história da Mon Amour, que atualmente é a floricultura mais antiga de São José em funcionamento.

“Em 1977 eu, aos 22 anos, estava na reta final do curso de Administração e Economia em Campinas, porém queria voltar para São José e abrir um comércio aqui. ‘Mas o quê’? – pensava… E foi durante uma conversa que tive com a minha namorada, que acabou se tornando esposa, a querida Rosane, que decidimos abrir uma floricultura, justamente porque era uma área comercial ainda pouco explorada na cidade”, contou o comerciante José Osmar Simões Júnior.

A inauguração da Mon Amour, cujo nome francês foi escolhido por acaso durante uma viagem do casal, aconteceu em março de 1978, à rua Campos Salles, em frente ao posto Centro Rio. “Abrimos a floricultura com a cara e coragem, pois não entendíamos nada sobre flores. Aos poucos fomos nos aprimorando, fazendo inúmeros cursos de manutenção, jardinagem, paisagismo, tudo para atender uma grande clientela que começou a ser formada”, explicou.

Apesar da pouca experiência, o casal sempre teve muito cuidado na escolha dos fornecedores e na seleção das flores para seus clientes. “Fomos um dos primeiros clientes em Holambra e eu frequentava pessoalmente a CEASA para buscar as encomendas e tranporta-las da melhor forma possível. São cuidados e carinho que sempre procurei ter com minha mercadoria e, claro, com meus clientes”, observou o comerciante.

A dedicação e o empenho do casal fez com que Mon Amour se destacasse em São José e em toda a região. “Era uma loucura! Fornecíamos flores para casamentos, eventos em geral, além das datas comemorativas como finados e Dia das Mães, por exemplo, períodos em que a floricultura ficava lotada, tanto de flores, quanto de clientes (risos)”, comentou.

A MUDANÇA PARA A RUA TREZE DE MAIO

Floricultura completou 31 anos à rua Treze de Maio, 90:

O espaço onde a floricultura ocupava à rua Campos Salles acabou se tornando pequeno diante da demanda de clientes e, obviamente, da variedade de flores que passou a ser comercializada. “Após cinco anos da inauguração, notamos que a clientela estava crescendo e nosso espaço se tornando pequeno. Em 1983 surgiu a oportunidade de aquisição de um espaço à rua Treze de Maio. E como o espaço era muito grande, quatro pessoas, incluindo a mim, adquirimos o imóvel. Fiquei com a esquina, que passou por reformas até adapta-la a uma floricultura, com o teto mais alto, uma espaço para confecção dos arranjos, enfim. E assim se passaram mais cinco anos, até que em 1988 a Mon Amour foi reinaugurada no número 90, espaço que ocupa até hoje”, disse José Osmar.

Uma das principais características e diferencias da floricultura sempre foi o bom gosto nos arranjos, com as flores sempre impecáveis, independente do tamanho e da flor utilizada. “Isso se tornou a marca registrada da Mon Amour. O cuidado, desde a escolha e manutenção das flores, bem como a criatividade nos arranjos nos renderam clientes fiéis e a realização de inúmeros eventos de destaque na cidade, como os que eram promovidos pela Nestlé, além de bailes, entre outras comemorações.E isso não acontecia apenas com arranjos de maior porte. Nossos buquês ou mesmo o botão de rosa sempre foram muito bem produzidos”, ressaltou o comerciante.

Um dos eventos que mais marcou a floricultura, principalmente na questão da dificuldade para conseguir a flor, foi um casamento, cujo pedido da noiva foi a decoração com camélias. “Foi um grande desafio encontrar as camélias, transportar e trabalhar com as mesmas, pois são flores extremamente delicadas e precisam de um manuseio adequado para não compromete-las. Mas conseguimos e aquela decoração do casamento foi uma das mais bonitas que produzimos”.

AS ADAPTAÇÕES E DESAFIOS PARA MANTER O COMÉRCIO

Embora já estabilizada no mercado, José Osmar contou que ao longo dos anos a Mon Amour teve que se adaptar à nova realidade na área comercial. “Tivemos que adaptar o comércio a um novo tipo de cliente, até porque muitos daqueles mais antigos que tínhamos já faleceram e essa nova geração não costuma adquirir flores como antigamente, principalmente para datas como o Dia de Finados, por exemplo”, observou.

Além disso, a concorrência aumentou, inclusive com a comercialização de flores em supermercados, etc. Mas, o que fazer diante de tantos desafios, inclusive períodos de crise, para manter as portas abertas e o comércio ativo?

Para José Osmar, a primeira coisa é o dono estar sempre presente no comércio. “No interior ainda se cultiva muito esse atendimento pelo proprietário, aquela conversa com o cliente, atenção, enfim. A presença do dono garante pelo menos 50% das vendas aqui. Agregado a isso o atendimento e honestidade. Fazemos questão de atender o cliente da melhor forma possível, sempre adaptando o pedido para suas condições, bem como orientando sobre a durabilidade das flores, os cuidados e o melhor custo benefício para cada ocasião”.

Para equilibrar as vendas e apesar da diminuição da procura por flores em algumas datas, o comerciante destacou que acabou ganhando outras como, por exemplo, o Dia Internacional da Mulher. “É uma data que a floricultura explora bastante e equilibra outros meses de movimento menor”.

A floricultura também oferece cestas de flores com presentes, sendo que o cliente pode escolher os itens, e o atendimento de pedidos e entregas em todo o Brasil, por meio de parcerias com inúmeros fornecedores.

José Osmar finalizou destacando que tanto na floricultura, como em qualquer outro ramo comercial, a dedicação e a persistência tem que se fazer presentes todos os dias, sejam eles bons ou ruins para as vendas. “O comércio vive de altos e baixos. O importante é saber equilibrar as situações para não fechar as portas. Dedicar-se e persistir é fundamental para o êxito. E, apesar das dificuldades, a Mon Amour está aí, sempre pronta a atender seus clientes com aquela dedicação de sempre, flores de qualidade e os arranjos mais bem elaborados da cidade. E que venham os próximos 41 anos!”, concluiu.

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