Floricultura Beija-Flor: 34 anos sendo muito além de um comércio de flores

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O proprietário, Marcelo Trecenella, destacou que a casa comercial é um ponto de encontro e boas conversas

Reportagem, texto e fotos: Natália Tiezzi Manetta

O ambiente intimista, rodeado sempre por belíssimas flores, cadeiras e poltronas, no melhor estilo neoclássico já convida a excelentes compras e aquele bom bate-papo, seguido pelo tradicional cafezinho. Essa é a descrição de um dos comércios mais tradicionais da cidade, a Floricultura Beija-Flor, que completará 34 anos neste 2020.

Em entrevista ao site, o proprietário Marcelo Trecenella garantiu que o ambiente da casa sempre foi assim. “Acolhedor. Aqui sempre foi muito além de um comércio de flores. É um ponto de encontro para conversas, discussões de pontos de vista sobre os mais diferentes assuntos – do local ao mundial”, destacou.

Nestas mais de 3 décadas, Marcelo coleciona boas histórias, onde a flor sempre é a protagonista para homenagear aquela pessoa querida, seja numa data especial ou simplesmente para surpreender aos apaixonados. Embora seja uma forma de expressar os melhores sentimentos, que une e solidifica relacionamentos, algumas vezes ela não conseguiu promover esse elo sentimental. “Vieram em mente duas histórias em que isso ocorreu”, disse Marcelo, que também recordou fatos engraçados e até curiosos envolvendo muitos de seus clientes, os quais ele fez questão de manter sigilo dos nomes por uma questão de ética profissional. Vamos conhecer algumas delas a seguir? Confira a entrevista, na íntegra, abaixo.

Marcelo, como surgiu a ideia de abrir uma floricultura?

Marcelo Trecenella: Eu sempre tive vocação para o comércio e a floricultura começou, na verdade, com uma sociedade entre mim e a amiga Eliana Roque Mafra. À época, unimos o desejo de empreender à essa vocação de compra e venda para o varejo de flores. Antes, porém, de abrir a casa, fizemos uma pesquisa de mercado e visualizamos uma boa oportunidade nas flores, um nicho comercial pouco explorado e que estava em franca expansão na década de 80.

Quando e onde ela foi estabelecida?

A Floricultura Beija-Flor foi inaugurada em abril de 1986, em um ponto comercial que ficava na casa de meu avô materno, Pedro Paias, à rua Benjamin Constant, 375. O nome “Beija-Flor” foi sugerido pelo pai da Eliana, o senhor Narciso Roque. Nesta época, Eliana e eu contamos muito com o apoio de nossas famílias, inclusive a mãe dela, dona Elenice Roque, que tinha um talento natural aos arranjos florais e, além de nos ajudar, nos ensinou muita coisa. Após 1 ano, Eliana deixou a sociedade para dedicar-se à maternidade, já que tinha dois filhos pequenos, e também ao lar.

E como você encarou o empreendimento sem a Eliana?

Participei de inúmeros cursos, pois o mercado das flores é muito versátil e é preciso se atualizar. Entretanto, após a saída de Eliana, minha mãe, a saudosa dona Dirce, se tornou meu braço direito na floricultura.

Quando a Beija-Flor mudou de local e passou a ocupar o imóvel que está no momento?

Já faz cerca de 20 anos que a floricultura ocupa o nº 239 da Benjamin Constant. Tive a oportunidade de adquirir esse imóvel, que na verdade eram casas germinadas, e destinei parte dela à casa comercial.

A floricultura está passando por amplas reformas. Já há alguma previsão de conclusão das obras?

Essas reformas, que visam melhorar o espaço de atendimento e proporcionar maior comodidade aos clientes, começaram há alguns anos, e não apenas no espaço comercial, mas em todo o terreno que compreendia as casas germinadas. Creio que as reformas na floricultura estajam concluídas neste primeiro trimestre. Eu, na verdade, já resido aqui, na parte posterior à floricultura e essa reforma na casa também é um sonho que, aos poucos, estou realizando.

Fale um pouco sobre sua fiel escudeira, a querida Neusa. O que ela representa à floricultura?

Neusa já está comigo aqui na Beija-Flor há 10 anos. E após a morte de minha mãe foi ela que se tornou meu braço direito por aqui. Acredito que a Neusa precisava de uma oportunidade para mostrar todo seu talento com as flores e arranjos. Ela tem uma criatividade e uma sensibilidade únicas e gosta tanto do que faz que nas horas vagas estuda sobre flores, tendências, etc. Neusa me ajuda além da floricultura: me ajuda a cuidar de minha vida pessoal. É uma pessoa de extrema confiança, honesta, íntegra.

Quais são as flores mais vendidas e quais as datas mais importantes para a floricultura?

A clientela é mais tradicionalista e prefere rosas, geralmente as vermelhas, e também orquídeas. A flor ainda tem uma simbologia, principalmente em datas como o Dia da Mulher, Dia das Mães, Dia de Santa Rita de Cássia (há muitos devotos rio-pardenses), Dia dos Namorados, Finados, Natal e Ano Novo. Além disso, os clientes optam pelas flores em comemorações de aniversários, namoros e bodas ou simplesmente para surpreender aquela pessoa especial.

Os homens ainda presenteiam mais com flores do que aas mulheres?

Sim, a maior parte das vendas ainda é feita por homens para presentear as mulheres, todavia, as mulheres também estão optando pelas flores para surpreender os homens. E vou confessar uma coisa: os homens ficam extremamente lisonjeados quando recebem flores, talvez até mais que algumas mulheres. E isso ocorre principalmente quando a entrega é feita em seu ambiente de trabalho.

Mas, que flores uma mulher pode presentear um homem?

Na verdade, flor não tem gênero. Todas podem ser oferecidas tanto aos homens, quanto às mulheres, mas, em alguns casos, o próprio homem comenta com a mulher o tipo de flor que gosta. E se isso não acontecer, a mulher deve presentea-lo com a flor que ela mesma gostaria de receber.

Vamos às histórias curiosas. Pode contar algumas delas?

Nossa, são inúmeras: das mais hilárias às mais melancólicas. A floricultura, muitas vezes, serve como um espaço de desabafo de muitos clientes. E temos o cuidado de sempre preservar essas histórias até por uma questão ética e sem fazer nenhum julgamento. Vou contar dois casos que me marcaram muito. Um deles foi de um casal, cujo marido enviava flores periodicamente à esposa sem que ela soubesse que fosse ele. Este cliente pedia para eu escrever as cartas de amor enviadas juntamente com as flores, mas nunca assinou e se revelou à esposa. Nem mesmo após a morte dele tive coragem de contar à esposa que era o próprio marido que lhe enviava as flores e os cartões apaixonados. Ela morreu sem saber esse segredo! Outro fato inusitado, mas que não teve um final feliz, foi quando um homem, desesperado em reatar o relacionamento com a ex-noiva, encomendou dezenas de caixas de pétalas de rosas brancas para que fossem lançadas de um avião na casa da amada. Providenciamos as pétalas e tudo foi feito conforme o ex-noivo queria, todavia o gesto não sensibilizou a ex-noiva que continuou sendo ex!

Já se irritou em alguma ocasião ou com alguma entrega?

Sim. Uma vez eu realmente fiquei muito incomodado ao fazer uma entrega de flores. Um rapaz, bem humilde, fez a encomenda de flores e de um cartão maravilhoso para o que eu julguei ser sua namorada ou uma futura conquista. Naquele momento notei que ele investiu o que tinha naquele gesto para surpreende-la. Saí para fazer a entrega e ao chegar no endereço, o local de trabalho da mesma, lhe entreguei as flores. Você não faz idéia da cara de deboche e desdém dessa moça ao receber as flores que aquele rapaz havia comprado talvez com tanto sacrifício. Não me contive e lhe disse: “Mas eu venho lhe trazer essas flores tão lindas e você as recebe assim, como esse pouco caso perante essa gentileza que estão lhe oferecendo?”. Dessa vez, realmente, não me contive. Graças a Deus foi um caso isolado.

Por falar em entregas, é verdade que você levava duas grandes amigas e clientes para lhe acompanhar em algumas delas?

Sim, as saudosas dona Juquita e dona Mercedes Navarro. A dona Mercedes vinha religiosamente à floricultura e a dona Juquita aos sábados. Eu as esperava para me acompanhar em algumas entregas que fazia. Em uma delas, Juquita e eu comprovamos a presença do Espírito Santo diante de nós. Estava atrasado para realizar uma entrega e parei o carro apressadamente um número antes do endereço, pois na rua havia uma caixa de papelão. Ainda bem que não avancei com o carro, pois assim que paramos uma criança saiu debaixo daquela caixa. Estava escondido ali brincando. Seu eu tivesse avançado com o carro poderia ter acontecido uma tragédia.

Uma curiosidade: não é segredo para ninguém que você escreve boa parte de sua coluna social para a ‘Gazeta’ aqui na floricultura. Isso ainda acontece?

Sim e vai continuar acontecendo, pois agora a coluna será escrita de meu novo mezanino, que me proporcionará uma ampla visão da floricultura!

Do alto de seu novo mezanino, Marcelo continuará com seu ritual de décadas: escrever sua Coluna Social para o jornal Gazeta do Rio Pardo

O comércio de flores cresceu na cidade nestes últimos anos. Qual é o diferencial da Floricultura Beija-Flor?

Acredito que seja o atendimento e o clima sempre muito amistoso que recebemos a todos os clientes, bem como o investimento em embalagens, sempre seguindo as tendências, já que isso se tornou moda mesmo. Ou seja, não basta apenas a flor ter qualidade, ela tem que estar impecavelmente apresentável. Outro diferencial é que atendo o cliente fora do horário comercial, muitas vezes até aos domingos, feriados, e gosto muito disso. Ao contrário de muita gente que não gosta de residir próximo ou junto ao local de trabalho eu gosto e isso facilita muito para mim. Além disso, a Beija Flor é sinônimo de confiança aos clientes. Muitos deles nem mesmo vêm até aqui, apenas ligam ou enviam mensagem via whatsapp, pedem para escolhermos uma flor, escrever o cartão e entrega-la.

Nestes 34 anos, qual foi a maior lição que aprendeu no comércio?

Acredito que a respeitar muito o sentimento alheio, empatia, humildade na própria forma de lidar com o público, bem como a receber a todos sem distinção, com cordialidade e gentileza.

Para finalizar, o que espera para o futuro da floricultura?

O comércio é fonte de riqueza desde os tempos mais remotos. Pretendo honra-lo sempre, até porque a Beija-Flor faz parte da minha história e da minha vida. Me sinto grato por levar alegria, encantamento e despertar tantos sentimentos bons às pessoas por meio das flores. A floricultura me faz sentir útil perante à sociedade. Com a reforma concluída, que ela prospere e continue sendo um ponto de encontro para muitas gerações.

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