Dia do Bombeiro: Eduardo Silva fala de suas experiências em 14 anos de profissão

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Ele já atuou em ocorrências bem complexas, como incêndios e desabamentos em cidades como Santos e disse que as mais tocantes são as que envolvem crianças

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

O herói sem capa. O sonho de muitas crianças. A força, a coragem em ação. Boas definições para essa profissão não faltam, mas, talvez, a mais expressiva seja esperança, sendo que em muitos casos é a última para se salvar uma vida. Para comemorar essa data especial, que é o Dia do Bombeiro, o www.minhasaojose.com.br entrevistou um dos profissionais mais lembrados e queridos na área aqui na cidade, o Bombeiro Militar Eduardo Souza Silva.

Aos 43 anos, sendo 23 deles dedicados à Polícia Militar, ele possui formação superior em Direito e Técnico de Segurança do Trabalho e atualmente está cursando Engenharia de Produção. Na PM, passou pela Escola de Formação de Soldados 1998 – Graduação a Cabo PM 2008 – Escola Superior de Sargentos em 2014, Curso de Bombeiros para Sargentos (CBS 2015), Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos (CAS – 2019), Curso de Produtos Perigosos (2017).

Além de atender, juntamente com a equipe da Corporação, às mais diversas ocorrências, Eduardo também é instrutor de várias matérias de Bombeiros em cursos específicos (Curso de Bombeiro Civis, Brigadas de Incêndios e Treinamentos das Normas Regulamentadoras).

Na entrevista, ele contou um pouco da rotina de trabalho, que, ao contrário do que muita gente pensa, não se resume apenas a controlar incêndios, mas em passar por treinamentos constantes, estar em pleno equilíbrio mental e, claro, ter absoluto controle emocional para lidar com o inusitado.

Eduardo destacou ainda a fantasia que a profissão de Bombeiro traz às crianças, sendo essa grande paixão lhe foi despertada após o sonho infantil de ser Policial Militar. “E é aqui no Corpo de Bombeiros que pretendo permanecer até me aposentar”, garantiu o Bombeiro. Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Eduardo, por que optou pela carreira de Bombeiro?

Na verdade, eu sonhava desde criança em ser Policial Militar! Prestei concurso em 1997, com 19 anos de idade, passei na primeira tentativa, fiz um curso de oito meses e ingressei na PM. Entretanto, após quase oito anos, minhas ambições profissionais me levaram a pedir transferência para o Corpo de Bombeiros em 2003, quando fui transferido para a Corporação. A princípio tinha a necessidade de mudar de ambiente, mas acabei me apaixonando pelas atividades desempenhadas. Sem dúvida é o local onde pretendo me aposentar em breve (2028).

Eduardo, o primeiro em pé, da esquerda para a direita, durante treinamento com equipe do Corpo de Bombeiros

Antes de fazer parte do Corpo de Bombeiros, como foi sua atuação como Policial Militar?

Após a formatura, iniciei meus trabalhos no policiamento de área, trabalhando em São José do Rio Pardo de 21/08/1998 até 01/11/2006. Atuei no Policiamento de Área durante quase oito anos, mas não deixei de ser Policial Militar, já que o Corpo de Bombeiros é apenas uma das casas da PMESP, e, diga-se de passagem, a melhor!

Há quanto tempo está no Corporação? Como é seu dia-a-dia de trabalho?

Estou na corpo de Bombeiros há 14 anos, na Polícia Militar a quase 23! Temos uma rotina diária para ser cumprida, além do atendimento das diversas ocorrências na área de salvamento (aquático, terrestre e altura), incêndios de qualquer natureza, resgates e ocorrências envolvendo animais. Nesta rotina operacional ou diária temos que fazer diferentes tipos de treinamentos para não cairmos no esquecimento, além de atividades físicas diárias, bem como atender o público externo com palestras e visitas, quer sejam em escolas ou empresas.

Há algum momento ou situação que o tenha marcado?

Sempre atendemos ocorrências em que é necessário um grande equilíbrio emocional, pois muitas vezes somos a última esperança em algumas situações. Todo bombeiro é marcado pela profissão. Nos atendimentos das mais diversas ocorrências, as que mais impactam são as que envolvem crianças, acho que estas são as ocorrências que mais nos marcam, pois diversas são as vezes em que o emocional quer transcender. Todavia, temos que estar treinados e capacitados para enfrentar a situação e resolver o problema. Várias ocorrências são bastantes complexas e requer um alto grau de preparo de cada profissional envolvido. Nossa cidade dispõe de vários recursos que estão acima de muitos outros municípios (Corpo de Bombeiros e SAMU).

Como aprendizado profissional participei, em 2015, de uma ocorrência em Santos (Alemoa) e recentemente em um desabamento na mesma cidade, ocorrências que me marcaram pela complexidade que apresentaram e que aqui no interior dificilmente irão acontecer.

Com os colegas de trabalho: “Minha maior satisfação é ser instrumento nas mãos de Deus para dar um maior alívio ao sofrimento alheio. Olhar nos olhos das pessoas que conseguimos ajudar e ver a gratidão em seus olhares não tem preço”, disse.

Você já enfrentou alguma dificuldade na profissão?

No início tudo é bastante difícil, mas com o passar do tempo a gente vai se acostumando com as adversidades e nos tornamos mais “fortes”.

Qual a sua maior satisfação em ser Bombeiro?

Ser instrumento nas mãos de Deus para dar um maior alívio ao sofrimento alheio. Olhar nos olhos das pessoas que conseguimos ajudar e ver a gratidão em seus olhares não tem preço.

Ser bombeiro ainda é o sonho de muitas crianças?

Acredito que sim, pois toda semana recebemos várias visitas no quartel e na maioria delas são crianças que gostam do bombeiro. Recentemente fomos convidados a participar de um aniversário de uma menina de três anos que sonha em ser bombeiro. Devido à pandemia tomamos todas as medidas de segurança e estivemos presentes no momento do parabéns: foi uma emoção indescritível!

Para finalizar, qual foi a maior lição que aprendeu até o momento como Bombeiro?

No Corpo de Bombeiros aprendemos que temos que dar o nosso melhor em cada situação, que temos que estar preparados para as mais variados tipos de ocorrências, sempre buscando fazer o bem sem olhar a quem. E que ajudar ao próximo é reconfortante. Acho que são lições não apenas para o trabalho, mas para a vida.

Eduardo com a esposa e filhos, que também admiram o trabalho do papai e gostam de sempre estar próximo dele
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