Dia da Educação: Os novos desafios de escola, família e sociedade para educar

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Em entrevista ao site, os educadores Milton Herrera e Angélica Alves também abordaram sobre o Ensino Remoto, adotado por muitas escolas devido ao isolamento social frente à Pandemia

Reportagem: Natália Tiezzi

Na terça-feira, 28 de abril, foi comemorado o Dia da Educação. Nada melhor que abordar um tema tão complexo diante de uma situação de Pandemia, à qual estamos vivendo, principalmente porque o ato e a forma de difundir conhecimento e conteúdos tiveram que ser modificados após as medidas de isolamento social.

O jeito tradicional de ensinar, com alunos e professores em uma sala de aula deu lugar às plataformas virtuais e, além dos mestres, os pais também estão desempenhando papel fundamental no acompanhamento dos filhos durante os estudos à distância.

Há quem não concorde com essa prática adotada por muitas escolas, entretanto, é notável o empenho de educadores e professores nesta readaptação no ensino para amenizar os impactos no ano letivo.

Para falar sobre essa questão e também sobre o real papel da escola, da família e da sociedade na Educação, o www.minhasaojose.com.br entrevistou o Educador e atual presidente do Conselho Municipal de Educação, Milton Herrera, e a Educadora e Doutoranda Angélica Alves, que também é membro do CME. 

Durante a entrevista, Milton definiu Educação como um direito de todo cidadão, à qual tem finalidade promover o desenvolvimento de competências e habilidades, além de instrução formativa e geração de valores. “Investir em Educação, de forma qualitativa, é primordial ao desenvolvimento social e, por isso, este investimento não deve ser menorizado ou pautado apenas no cumprimento devido aos mínimos constitucionais da Educação”, destacou.

Confira, abaixo, a entrevista de Milton e Angélica, na íntegra.

Como vocês avaliam a prática de Ensino Remoto neste momento de Pandemia? Ela realmente é eficaz?

Milton e Angélica: No contexto de excepcionalidade vivido atualmente o que está sendo proposto para toda a Educação Básica não é o que conhecemos como EAD, mas como Ensino Remoto. Essa forma de aproximação entre a escola e as famílias e estudantes, nesse momento, deve ser considerada uma medida de exceção no enfrentamento de uma situação igualmente excepcional. Não é possível se fazer análise de eficácia sobre uma proposta sem precedentes, em instauração e sem pesquisas que a possam qualificar. Acreditamos de forma esperançosa que, seja o Ensino Remoto uma possibilidade de estabelecimento de vínculos entre escolas e famílias; de acolhimento de famílias, estudantes e educadores; de estímulo aos afetos e aprofundamento do senso de comunidade educativa, elementos tão necessários à educação de qualidade.  

A ‘Instituição Escola’ está realmente sobrecarregada com a incumbência de ‘educar’ crianças e adolescentes?

Não acreditamos em sobrecarga da escola como instituição, mas em afastamento abismal entre as funções educativas de escolas e famílias. Só parece uma carga pesada demais, porque não está sendo compartilhada por todos os que dela deveriam estar incumbidos: famílias, escolas, sociedade e Estado. A cultura de aproximação entre escolas e famílias, documentada por evidências científicas, alivia muito essa impressão de sobrecarga. A escola, sabendo disso, pode e deve dar os primeiros passos nessa aproximação.

Como Educadores, o que levou a família a deixar essa tarefa educacional cada vez mais às escolas?

Não se trata de uma renúncia da família apenas. Seriamos simplistas se acreditássemos nisso. A cultura de escola por muitas vezes, ao longo de décadas repeliu ou limitou a participação das famílias. Portões fechados, grades, restrições de acesso aos educadores, a supervalorização da erudição, entre outros muitos exemplos possíveis, afastaram as famílias das escolas por muitas décadas. Pouco se falaem escola que convide famílias à participação de mais que reuniões de rendimento ou festas para arrecadação. Participação e corresponsabilidade educativa não se faz nesses momentos apenas. A escola, historicamente, pouco tratou a família como parceira na educação das crianças e jovens. A família, por outro lado, foi abrindo mão de algumas de suas funções. Ao lado de tudo isso, temos ainda o grande acesso das mulheres ao mercado de trabalho, as longas jornadas laborais, as estruturas dos arranjos familiares, muitas vezes centrados apenas nessa mulher, a redução das redes parentais de cuidados às crianças e outras variáveis importantes. Há que se compreender esse cenário para que entendamos que, famílias podem estar ausentes em muitas de suas funções, mas a escola também teve sua meia culpa nesse afastamento.  

Sabemos da situação atual de muitos lares, com fragilidades nos arranjos familiares, entre outros problemas. Além da escola, onde mais esse aluno pode buscar apoio educacional?

Escola e famílias são os maiores apoios educativos das crianças e jovens. As escolas devem se mostrar disponíveis nesse momento para estabelecerem parcerias com as famílias e acolherem as crianças. As instituições podem indicar e disponibilizar bons livros, bons ambientes virtuais de pesquisa e estudo, bons ambientes de entretenimento e brincadeiras, criar desafios que coloquem crianças e jovens em movimento cognitivo, motor e afetivo, por isso a validação do Ensino Remoto como medida de exceção plausível no momento. Outro apoio educacional sempre recomendado é a rede afetiva da criança: amigos e parentes.

A pergunta que não cala: O que falta na escola, na família e socialmente falando para termos uma Educação de qualidade no Brasil? Ou já a temos?

Estamos ainda procurando a estrada de tijolos dourados da educação. Temos muitas, muitas experiências de excelência no território nacional, mas também temos ainda as limitações condicionadas pelos investimentos parcos, interesses políticos não genuínos, políticas públicas limitadas ou não executadas, pouco incentivo ao desenvolvimento do magistério, escassa valorização aos profissionais, programas de formação contínua frágeis, inconsistências curriculares, vicissitudes nas estruturas físicas das escolas, afastamentos entre escolas e famílias e, não desenvolvimento do senso de comunidade escolar, só para falarmos nos obstáculos mais calcificados. Para que alcancemos novos patamares na educação nacional precisamos compreender que todos temos a responsabilidade de lutar pela qualidade da educação das novas gerações e desta consciência impulsionarmos ações em diferentes frentes para minimizar os problemas sabidos. Países que alcançaram êxito na qualidade da educação se apoiaram em investimentos, no estímulo ao desenvolvimento humano de educadores e famílias pelo estudo colaborativo e no desenvolvimento de competências nos estudantes que,os permitissem muito mais do que memorizar conteúdos, serem felizes na vida.  

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