Barella: A arte de restaurar o que iria para o lixo em móveis de luxo

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Ele desenvolveu a técnica sozinho, aprimorou e hoje se destaca na restauração de móveis antigos

Reportagem e Texto: Natália Tiezzi Manetta

O trabalho é minucioso e exige concentração, dedicação e muita paciência, porém, o prazer em recuperar um móvel que, muitas vezes, poderia ir para o lixo é a grande satisfação de Luis Osvaldo Barella Junior, um restaurador que vem se destacando nesta verdadeira arte em transformar peças extremamente danificadas em artigos de luxo.

Entretanto, essa não foi a primeira arte desenvolvida profissionalmente por Barella. “Trabalhei por 12 anos em uma empresa de molduras, onde aprendi a faze-las, mas, com o passar dos anos, meu desejo era ter minha própria loja. Esse sonho começou a se tornar realidade no ano 2000, quando inaugurei a Oficina da Arte à rua Francisco Glicério”, contou.

Muito conhecido na cidade pelo exímio trabalho que sempre desempenhou com molduras, Barella ainda sonhava em ter o seu próprio imóvel para os negócios. “Antes de me estabelecer aqui neste endereço, à rua Siqueira Campos, eu passava e ficava literalmente ‘namorando’ essa casa. Adquiri-la não foi fácil. Foram anos de muito trabalho, dedicação, economias, mas, enfim, em 2008, a Oficina da Arte se estabeleceu aqui”, explicou Barella.

O gosto pela arte de restaurar móveis antigos aconteceu por acaso. “Digo sempre que meu negócio eram as molduras, com patinas, laqueados. Comecei a restaurar móveis antigos em 2002, inclusive tenho uma oficina aqui na parte de trás da loja, e confesso que muitos achei jogados em caçambas, peças únicas, de madeira boa, que comecei a consertar ali, pintar acolá e transformar realmente o que era lixo em um objetos de luxo”.

MÓVEIS CENTENÁRIOS: RESTAURANDO SEM MUDAR AS CARACTERÍSTICAS

Embora continue com seu trabalho em molduras, sendo que boa parte das residências e comércios rio-pardenses têm sua arte presente, Barella dedica seu tempo também à restauração dos móveis antigos, muitas vezes centenários. “Às vezes as pessoas não têm noção das relíquias que possuem em casa e que mesmo deterioradas, principalmente pela ação do tempo, podem e devem ser restauradas. Já restaurei móveis de 60, 80, 100 anos e o resultado é sempre muito satisfatório”, comentou.

Embora muita gente ainda se desfaça de móveis antigos aparentemente destruídos, Barella disse que essa mentalidade de descarta-los está mudando. “O mercado de móveis antigos está em alta. Prova disso é que muita gente tem procurado a Oficina da Arte para restaurações. Já atendi clientes de Campinas, São Paulo, além da região. E digo que por mais deteriorado que o móvel esteja, a restauração é muito melhor que desfazer-se dele”.

Barella observou que as madeiras utilizadas nestes móveis são de alta qualidade e muitas até difíceis de trabalhar. “Todavia sempre procurei investir em maquinário, bem como tenho ao meu lado uma pessoa de extrema competência que me auxilia nestas restaurações, o senhor João Martins, que é marceneiro”.

CONFIRA O ‘ANTES’ E ‘DEPOIS’ DE ALGUNS MÓVEIS RESTAURADOS PELA OFICINA DA ARTE

Sobre um móvel que Barella restaurou e o marcou nestes mais de 16 anos, ele citou um oratório. “Ele era pequeno, porém bem antigo, com mais de 100 anos. Além dele, tem um baú centenário que ainda vou restaurar, pertencente a uma família de São Paulo”.

Entre os móveis mais restaurados pela Oficina da Arte, destaque para cadeiras, mesas, cristaleiras, guarda-roupas. “Tento sempre manter as características dos móveis, porém, às vezes um móvel acaba se transformando em outro, principalmente conforme o ambiente que ele estará disposto nas residências. Guarda-roupa, por exemplo, já virou cristaleira. Escrivaninha em adega, etc”.

O tempo de restauração varia conforme o móvel, mas leva, em média de 15 a 20 dias. Os clientes, logicamente, aguardam ansiosos e se surpreendem com o resultado, bem como o próprio Barella. “Às vezes fico pensando como um móvel que chegou aqui destruído, literalmente caindo aos pedaços, se transformou numa peça tão bonita? E quando caio em si que fomos nós, eu e o senhor João que fizemos isso acontecer é uma grande satisfação, pois, geralmente, esse móvel tem um valor sentimental muito grande para as famílias e elas lembrarão sempre da Oficina da Arte como um instrumento para manter viva aquela lembrança. É muito bom fazer parte da vida de inúmeras famílias assim, como um instrumento que restaurou algo que para elas possui uma história e que marcou suas vidas, como os móveis antigos”, concluiu.

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