Filhos X Redes Sociais: Psicóloga Ana Amélia Junqueira destaca a responsabilidade dos pais no controle ao acesso
Texto: Natália Tiezzi – Assessoria de Comunicação Santa Casa/SAVISA
As redes sociais fazem parte do dia-a-dia de crianças e adolescentes, isso é fato. As novas gerações ‘nasceram conectadas’, porém a utilização destes meios de comunicação e entretenimento pelos menores precisam ser monitorados de perto pelos pais ou responsáveis, já que essas mesmas redes também podem oferecer perigos, problemas e riscos àqueles que realmente são mais vulneráveis aos conteúdos.
Para falar sobre o tema, a psicóloga credenciada SAVISA, Ana Amélia Junqueira foi entrevistada pelo radialista Paulo Sérgio Rodrigues, no Jornal do Meio Dia, programa veiculado pela Rádio Difusora 107,3 FM, na tarde de terça-feira, 01/09.
Ela iniciou a entrevista falando sobre a decisão da ANPD – Agência Nacional de Proteção de Dados de multar o TikTok, rede muito utilizada por crianças e jovens, para reforçar a fiscalização sobre seus conteúdos. “Os conteúdos dessa rede social não tem filtro às idades e eu achei pertinente a multa justamente para também responsabiliza-la acerca dos mesmos, porém, essa responsabilidade não deve ser somente das redes ou até mesmo de espaços como a escola, que, inclusive, em alguns estados já proibiu o uso de celulares no ambiente escolar, mas essencialmente dos pais ou responsáveis”, observou.

Sobre o tempo que crianças e jovens devem permanecer nas telas, a psicóloga recomendou 2 horas diárias. “É tempo suficiente para se divertirem, se entreterem, pois realmente há bons conteúdos, mas tudo isso precisa ser acompanhado de perto pelos pais para garantir a segurança de tudo que os filhos estão ‘consumindo’ virtualmente”.
Ela também falou a respeito da idade recomendada para que os pais deem celular aos filhos. “Costumo orientar a partir dos 16 anos, mas sei que isso é quase impossível devido às facilidades da Internet, inclusive para estudos. Portanto, a recomendação é que papai e mamãe controlem e monitorem tempo e conteúdo, mesmo quando os filhos já tiverem 16 anos. Crianças e jovens até essa idade ainda não tem discernimento e vivência necessários para uso sem nenhum acompanhamento, e isso pode se tornar um perigo iminente, pois sempre haverá pessoas mal intencionadas e conteúdos perniciosos sendo difundidos”.
PROBLEMAS RELACIONADOS AO USO EXCESSIVO DAS REDES SOCIAIS
Ana Amélia falou, ainda, sobre problemas relacionados ao uso excessivo das redes pelos menores, o que inclui principalmente a irritabilidade, a agressividade, falta de concentração, ansiedade, e esses impactos podem ser ainda maiores em menores portadores de transtornos do neurodesenvolvimento.
E, meninos e meninas, têm razões diferentes para acessarem as redes. “As meninas procuram por conteúdos de beleza, identificação, autoestima, estética ou até por ‘paqueras’, ‘namorinhos’. Já os meninos utilizam quase sempre para jogos online”.
Mas, e quando é preciso impor limites e isso gera conflitos entre pais e filhos? “Acredito que os ‘nãos’ dos pais relativos ao controle de tempo e conteúdos sempre gerarão conflitos. Por isso é tão necessário que eles dialoguem com os filhos, expliquem os motivos de imporem esses limites, dos ‘nãos’, com clareza, com transparência. Não adianta nada impor uma condição sem explicar o porquê dela”, orientou.
Ana Amélia afirmou que se for preciso decisões mais drásticas dos pais, como retirar o aparelho celular dos filhos, também podem ocorrer episódios de irritabilidade, agressividade, mas dentro de 15 a 20 dias, os sintomas passam gradativamente, e é preciso que os pais continuem firmes nas decisões tomadas, sempre limitando e monitorando o acesso às redes.

A IMPORTÂNCIA DO CONVÍVIO, DA TROCA ENTRE PAIS E FILHOS
O uso equilibrado das redes sociais também deve começar pelos próprios pais, conforme observou Ana Amélia. “Muitas vezes os pais passam muito tempo nas redes, mas querem cercear os filhos à utilização. Crianças e jovens são levados pelo exemplo. E também é pertinente que os pais fiquem atentos aos exemplos que estão proporcionando aos filhos com relação à permanência nas redes”.
A psicóloga sugeriu que ao menos uma vez na semana se promova o ‘dia da família’, com a participação de todos, sem celular, realizando jogos em família, leituras, passeios, momentos de lazer, mas sem o uso da Internet.
“Além disso, sugiro que ao menos nos momentos das refeições não se faça o uso do celular à mesa. É muito triste quando vamos a um restaurante ou mesmo em casa e a família está com celular em mãos sem a troca de nenhuma palavra ou gesto naquele momento tão importante. Atualmente, a família precisa, mais do que nunca, de trocas, de experiências, de convivência entre seus membros. Esse tempo de interação junto a pais e filhos é essencial, portanto, menos celular e mais proximidade, conversas, atividades juntos, e incluo aqui a prática de esportes, tão necessários à manutenção da nossa saúde, em todas as idades”.
A BUSCA POR AUXÍLIO PSICOLÓGICO
Acerca de quem busca mais auxílio psicológico na questão do uso excessivo das redes, Ana Amélia disse que atende majoritariamente as crianças e jovens, entretanto que também seria interessante que os pais procurassem apoio psicológico, caso sintam essa necessidade.
“Atendo crianças e jovens, levados pelos pais, para terem esse acompanhamento à situação das redes sociais, que, na verdade, muitas vezes são parte de um tratamento mais complexo. Mas, aos pais, quando sentirem que estão sem saber o que fazer sobre o uso excessivo de telas pelos filhos, sugiro a busca por psicólogos para que possam, também, orienta-los. Todos precisamos de cuidados, de acolhimento, de direcionamento, principalmente sobre esse assunto. A orientação psicológica aos pais pode contribuir à resolutiva junto aos filhos para esse problema específico”, concluiu.





