Cicero Tiezzi: Rio-Pardense gerencia o tradicional Bar Estadão, na capital, há 29 anos

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Trabalho no estabelecimento é complexo e exige muitas horas de dedicação e empenho, que começam 5h30 da manhã todos os dias para Cicero

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Amigos internautas. Em continuidade às matérias especiais do espaço “Cadê Você?”, o www.minhasaojose.com.br traz nesta semana a história profissional de um rio-pardense que saiu de São José aos 17 anos para fazer cursinho e tentar a faculdade de Engenharia, que reside na capital paulista há 41 anos: Cicero Tiezzi.

Apesar da formação técnica em Contabilidade e da graduação em Engenharia Química, foi como Chef de Cozinha, o qual também possui formação profissional, que o conterrâneo se encontrou profissionalmente.

Cicero é gerente de um dos mais tradicionais estabelecimentos e pontos de encontro de São Paulo, o Bar Estadão, cargo que ocupa com muita dedicação e orgulho há 29 anos.

Filho do casal Dr. Alcides Tiezzi e dona Clenda Innarelli Tiezzi (in memoriam), Cicero é casado com Vera Regina Zonta Tiezzi, pai de Guilherme, de 25 anos, e Leonardo (in memoriam), e destacou que teve outros trabalhos antes do Bar Estadão, inclusive no frigorífico Wilson, onde atuou por 6 anos na Supervisão da área de produção e desenvolvimento de produtos.

Entretanto, o bar acabou conquistando-o e hoje é sua grande paixão profissional. E para gerenciar uma equipe de mais de 50 colaboradores, Cicero ‘madruga’ e às 5h30 da manhã já está no estabelecimento, que nunca fecha, funciona 24 horas, sete dias por semana.

Ao longo da entrevista, o rio-pardense contou um pouco dessa frenética rotina, os variados sabores do Bar Estadão, inclusive do tradicionalíssimo sanduíche de pernil, premiado como o melhor lanche da capital em 1998, além da feijoada e o pudim de leite, este receita de sua sogra, que também fazem muito sucesso entre os milhares de clientes.

Além dos sabores, Cicero destacou, ainda, como o estabelecimento está enfrentando este momento de pandemia, falou sobre os famosos que frequentaram e frequentam o local e algumas histórias curiosas, já que, como dizem os boêmios: “é na mesa e no balcão de bar que a vida, de fato, acontece e enriquece!”

Fachada do Bar Estadão, no coração da capital paulista: ponto de encontro de conhecidos, desconhecidos que apreciam os verdadeiros sabores de São Paulo

Confiram, abaixo, a entrevista na íntegra.

Cicero, você está há 41 anos em São Paulo. Além do Bar Estadaão, quais outros trabalhos já desenvolveu na capital?

Antes de ingressar no ramo de bares e restaurantes, destaco primeiramente os 6 anos na Supervisão da área de produção e desenvolvimento de produtos do Frigorífico Wilson; e 5 anos como Subgerente do controle de qualidade da Poly-Vac, empresa de embalagens termoformadas.

E como surgiu o convite para o trabalho no Bar Estadão? Em que ano isso aconteceu? Você já iniciou na gerência?

Eu estava empregado na Poly-Vac quando surgiu o convite para ingressar neste ramo. O convite veio por parte da família, que já era bem sucedida, mas carecia de reforço para aprimorar e crescer. Fui convidado inicialmente para ingressar na sociedade de lanchonetes, só depois veio a oportunidade de trabalhar na gerência do Bar Estadão, e isso já tem 29 anos, foi em 1992.

Vamos falar um pouco da história desse local. Quantos anos tem o Bar Estadão, seu endereço e é verdade que ele funciona 24 horas?

O Bar Estadão foi inaugurado em 1968, portanto existe há 53 anos! Mas foi em 1974 que os quatro irmãos rio-pardenses da Família Zonta, Waldemar, Orlando, Oswaldo e João o compraram, bar este que futuramente se tornaria um ícone gastronômico no coração de São Paulo. Instalado na esquina do Viaduto Nove de Julho com a Rua Major Quedinho, o Bar e Lanches Estadão foi pioneiro no atendimento 24 horas. E o nome do estabelecimento teve como referência o jornal “O Estado de S.Paulo”, que funcionou num edifício vizinho até 1976.

Famosos frequentadores do Bar: em primeiro plano: Cicero e o chef Edu Guedes e em segundo plano com o saudoso Luís Carlos Miele

Quantas horas você trabalha diariamente? O trabalho difícil? Você gerencia uma equipe de quantas pessoas?

O meu dia começa antes das 5:00h e às 5:30h já estou no bar, sem hora exata para sair. Por muitos anos folguei quinzenalmente apenas, e somente nos últimos dois anos que flexibilizamos e nos permitimos folgar um pouco mais. Além disso, a rotina de uma casa que funciona 24 horas, uma equipe de 55 funcionários, consumidores leais e exigentes, agilidade como pauta do dia, e a responsabilidade de honrar o legado, torna o trabalho bastante exaustivo! Mas adoro o que faço! Tenho orgulho do meu trabalho! É uma honra fazer parte desta história!

Quais os pratos mais tradicionais e pedidos no Bar?

O tradicional sanduíche de pernil é o lanche mais famoso da casa, também servido no prato com arroz, fritas e farofa; mas o cardápio oferece mais de 50 tipos de sanduíches, além de refeições tradicionais, com destaque merecido ao prato de Feijoada e ao prato de Costela de Boi. O Pudim de Leite no cardápio de sobremesas também faz muito sucesso ! E a receita é da minha sogra! Temos um cardápio fixo 24 horas, e temos o “Prato do Dia”, um costume típico do cardápio paulistano, de servir um prato específico de segunda a domingo; portanto, oferecemos na segunda-feira o Virado à Paulista, na terça-feira o Strogonoff, na quarta-feira a Feijoada, na quinta-feira a Massa, na sexta-feira o Peixe, no sábado a Feijoada e no domingo a Rabada.

Em média são preparados cerca de 30 peças de pernil, de 6 a 7 quilos, que servem de generosos recheios para os pães: o sanduíche mais pedido do Bar

As suculentas feijoadas, prato de muito sucesso no estabelecimento
Bonitos e saborosos: os pudins de leite são os preferidos da clientela. Receita é da sogra de Cicero

Como está sendo enfrentar a pandemia para este comércio tão tradicional?

Este cenário de pandemia é muito difícil e desafiador. Exige um grande esforço para manter o negócio saudável. A necessidade e a urgência para se adaptar a cada pronunciamento, a cada fase, ora com mais restrições, ora com menos, são perturbadores. O atenuante é que já trabalhávamos com aplicativos de entrega, o que facilitou um pouco. Não precisamos introduzir a cultura do delivery da noite para o dia, pois este sistema já fazia parte do negócio. Contudo, tentamos nos adequar às regras exigidas da melhor maneira possível!

Você já atendeu algum artista, personalidade? Poderia citar alguns que frequentaram e ainda frequentam o local?

Temos uma clientela bem eclética, dia e noite. Por exemplo, trabalhadores diurnos e noturnos, taxistas, policiais, médicos, políticos, baladeiros, atletas, artistas,  celebridades, pagodeiros e funkeiros. São inúmeros famosos que já passaram por lá… Cartola, Mário Covas, Sócrates, Cauby Peixoto, Leonel Brizola, Zilda Cardoso, Eder Jofre, Miele, Osmar Santos, Eduardo Suplicy, Jô Soares, Péricles, Gustavo Lima, Felipe Araújo, César Menotti, Adriane Galisteu, Viviane Araújo, Danilo Gentili, Ana Maria Braga, Compadre Washington, Caio Castro, Eduardo Guedes, Alex Atala, o casal Rueda, Érik Jacquin, Olivier Anquier e tantos outros…

Entre histórias curiosas, alguma em especial que poderia dividir conosco?

O bar sempre serviu de cenário para muitas propagandas de televisão e também para gravação de pegadinhas; já foi até cenário para modelos em fotos que reverenciavam à São Paulo antiga. Muitos furos de reportagem foram escritos no balcão do Bar Estadão, ponto de   encontro de repórteres e jornalistas.Em campanha, muitos políticos param para lanchar no meio da madrugada. Já teve até corrida São Silvestre passando na porta. Entre curiosidades, o ator Alexandre Frota, frequentador assíduo,  já chegou a comer quatro sanduiches de uma vez só. E o Chef Adriano Kanashiro foi capa da revista Veja São Paulo sentado no balcão na frente da vitrine de pernil.

Qual foi o momento mais marcante de sua trajetória no Bar Estadão?

O momento mais marcante na minha trajetória no Bar Estadão, foi a premiação da Revista Veja em 1998,  quando o sanduiche de pernil foi eleito “O Melhor Sanduiche” pela Revista Veja São Paulo, seção Comer e Beber.

Cicero e o tradicionalíssimo sanduíche de pernil do Bar Estadão, premiado em 1998 como o melhor sanduíche pela Veja São Paulo

O que é o melhor e o que é o pior em gerenciar um bar tão tradicional?

O melhor de tudo é fazer parte desta história; e o pior é ter que se adaptar às mudanças frequentes, sem deixar que suas características essenciais se percam através do tempo.

Qual foi a principal lição que aprendeu em todos esses anos de trabalho no Bar Estadão?

Fazer sempre o que gosta, com muita, muita mesmo, dedicação e amor !

Agora, vamos voltar a São José do Rio Pardo. Qual é a sua maior saudade da ‘terrinha’?

Dos amigos, dos bailes de carnaval e dos campeonatos de futebol disputados pela AAR. Mas não passo vontade! Sempre que sinto saudade volto à cidade, visito meu pai e irmã, reencontro amigos, revisito lugares que amo. Não consigo ficar longe de São José por muito tempo. Sempre volto para me reabastecer da energia do local onde nasci e me reconectar !

Para finalizar, uma pergunta que não poderia faltar: Qual é o seu sanduíche ou petisco preferidos aí no Bar Estadão?

Adoro o sanduíche de pernil com queijo prato ou com queijo provolone. É uma ótima pedida!

O preferido do gerente: o sanduíche de pernil com queijo prato ou queijo provolone

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