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A Crônica da Semana: Saudosos piqueniques no ‘Clube de Pesca’

Quem aí já não se sentou nestes banquinhos? Boas lembranças

Texto: Natália Tiezzi. Fotos: Clube de Pesca

Amigos internautas e leitores, a Crônica da Semana é um convite a vocês rememorarem os saudosos primeiros de maio, Dia do Trabalhador, comemorados décadas atrás aqui em Rio Pardo, especialmente num lugar que marcou a infância e a juventude de muita gente: o Clube Rio-Pardense de Pesca.

O espaço, muito receptivo, acolhedor o organizado foi muito frequentado décadas atrás, principalmente nas de 70, 80 e 90, sendo uma referência para quem buscava refúgio em meio à natureza aos finais de semana e feriados.

Especialmente no feriado de 01 de maio, o Clube ficava cheio. Famílias se reuniam para aquele churrasco, crianças por todos os lados, brincadeiras e, claro, aquele tempo (sem se preocupar com o tempo) para boas pescarias às margens do Pardo.

Na minha família, a ‘Alvorada’ com a Banda, anunciavam, ainda de madrugada, os saudosos Dias do Trabalhador. Quase sempre passávamos no Clube de Pesca, mas antes de chegar por lá era aquele ‘ritual’. Minha mãe e avó providenciavam alguns lanches; já meu pai, avô, tio as tralhas de pesca e para o churrasco, bebidas, etc.

Naquela época meu pai tinha uma Belina (cabia tudo no porta-malas, inclusive meu irmão, eu e a churrasqueira!). E assim seguíamos ao Clube, que para mim era longe, uma viagem!

Eu queria mesmo era ficar em algum apartamentinho que havia lá, com camas, etc, mas sempre estavam ocupados. O jeito era armar a churrasqueira no capim mesmo, estender a toalha e se divertir. E como foi tudo divertido: com pouco, mas sempre em família.

Três fatos, entre tantas histórias, marcaram minhas idas por lá nestes feriados. A primeira, clássica: comer doce antes do almoço, mas não qualquer doce: era o torrone que vendia no bar do Clube! O que hoje se encontra a preço popular nos mercados, mais de 30 anos atrás se apresentava como iguaria (e cara). Meu pai relutava, mas comprava! Eu comia a metade antes do almoço e a outra metade depois – para mim o torrone era grande! E se não dividisse assim, não tinha doce!

O segundo fato foi minha primeira e única pescaria. Nunca tive paciência para pescar, só comer o peixe mesmo! Mas, em um desses piqueniques, meu saudoso avô Genésio, como fazia anualmente, levou suas varinhas de pesca. Eu ficava só rondando, em silêncio, para não ‘espantar os peixes’ e, claro, subindo e descendo aquelas escadas que dão acesso à área de pesca.

Lugar bonito, de boas recordações para muita gente

Pensando que eu pudesse sossegar um pouco, meu avô me deu uma varinha de pescar. Eu fiquei um bom tempo até conseguir iça-la e nestas tentativas o anzol ficou preso às árvores, na minha roupa…

Quando, enfim, sentei, a espera para fisgar o peixe me irritava, porém, fisguei: um cascudo! Criança, achei o peixinho feio! Meu avô logo falou – “esse é difícil fisgar e tem uma das melhores carnes, saborosa!” Quando ele ia colocar no balde com demais peixes, pedi para solta-lo de novo no rio. Fiquei com pena do pobre, feio e cascudo… Depois dessa, nunca mais pesquei na vida!

O terceiro episódio é um pouco triste. Enquanto fazíamos piquenique naquele 01/05/94 veio a notícia do acidente de Ayrton Senna. Impossível não recordar o semblante das pessoas que assistiam a corrida do televisor do bar. Entristecemos mesmo sem saber o que havia ocorrido, o que momentos mais tarde se confirmou com sua morte. Fomos embora mais cedo, ainda sem acreditar…

Todavia, acredito que esse tenha sido o único momento mais triste que passei naquele lugar. Os demais, e foram muitos, sempre divertidos, alegres, brincando, correndo (por vezes se machucando), mas vivendo primeiros de maio inesquecíveis.

Ao Clube Rio-Pardense de Pesca, toda reverência. Espero que esteja sendo bem presidido, cuidado, pois faz tempo que não vou lá! O local é um patrimônio de Rio Pardo e região. Impossível falar de Dia do Trabalhador sem lembrar os piqueniques naqueles espaços de grama verde, com vistas ao rio, cheiro de carne assada e barulho de criança!

Não sei se ainda tem o parquinho, mas lembro de algumas vezes que me diverti, saltei (e caí) do balanço!

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