A Crônica da Semana: A IA não me deixou ‘burra’ no Jornalismo… e eu ainda escrevo à mão!
Amigos leitores. A Crônica desta semana, um pouco atrasada, é sobre as minhas impressões à Inteligência Artificial no Jornalismo. Não sou contra a utilização dessa ferramenta, principalmente porque, em determinados assuntos, podem contribuir à informação (sempre apurada, claro), mas para o meu trabalho como jornalista ela é dispensável.
E eu explico os motivos. Texto de IA é facilmente detectável por pessoas que leem. Para ‘jornalistas raiz’ (me enquadro neste grupo, cada dia menor) então, é bater o olho e saber que aquilo não foi escrito, de fato, por um repórter ou redator.

Para mim, com 23 anos de ‘bagagem’, entrevistar, escrever, redigir e publicar faz parte de um exercício diário e essencial ao jornalista que, trocando em míudos, é pensar!
E, pasmem: muitos ‘colegas’ incentivam o uso da IA em matérias. Me desculpem a franqueza mas, para mim, jornalista que ‘redige’ apenas com essa ferramenta é, no mínimo, preguiçoso. Tem preguiça do essencial à profissão: a abordagem, a interpretação, a organização de ideias, o pensamento, até chegar à publicação.
Tudo isso a IA faz, mas a que preço? Será que ‘jornalistas’ ao menos leem o que ‘mandaram’ a IA escrever sobre determinado assunto? Corrigem possíveis equívocos? Confrontam com outras fontes de informação?

Enfim, a crônica, que virou desabafo, é uma forma de vocês, leitores, também saberem que as mídias que assino, sendo o site e jornal online Minha São José não são feitas com IA. Ainda (e graças a Deus) sinto prazer em entrevistar, ler, redigir e oferecer a vocês conteúdos que possam, de fato, confiar. Feito de pessoas, com pessoas e para pessoas, sem ‘artifícios’… com o sentido, vivenciado, escrito e expresso diariamente, a cada linha publicada.
E, por falar nisso, eu ainda escrevo à mão! Pode parecer pré histórica essa ação, mas é outra forma de trabalhar o cérebro, deixa-lo em constante movimento por meio da letra cursiva. Observando recente reportagem do ‘Fantástico’ percebi o quanto estamos substituindo a escrita pela digitação. Aliás, você, leitor, ainda sabe escrever à caneta?
É óbvio que a maior parte de meu trabalho de redação faço pelo computador, mas tenho o gosto (e privilégio) de ainda escrever à mão algumas entrevistas, principalmente as presenciais. A caneta e o papel guardam sentimentos, sensações e observações que o teclado jamais reproduzirá.
Refletindo um pouco sobre essa questão da Inteligência Artificial e da escrita à mão, concluo que, pelo menos à minha profissão (repito, digo isso pela minha profissão), a tecnologia da IA mais aprisiona do que liberta; mais acomoda do que aciona. Nivela o cérebro ao comum, à aceitação de um conteúdo produzido por terceiro, sem nenhum sentimento jornalístico empírico.
A digitalização, embora necessária, também pode e deve ser mesclada com a escrita à mão (embora a minha letra seja um atentado à caligrafia, ela ainda é minha identidade!).
Jornalistas (e aqui eu estou mencionando os ‘de verdade’, que têm diploma, passaram pela faculdade, fizeram provas, estágios, etc) precisam tomar cuidado à ‘tentação aprisionadora’ da IA na Comunicação. Senão corre-se o risco de perder-se as essências do Jornalismo: o pensar, o sentir e o transmitir!
Até semana que vem! Um caloroso abraço (transmitido sem IA) – Natália Tiezzi





