Sessão Solene em alusão à Semana Euclidiana concedeu títulos a três personalidades
Texto: Natália Tiezzi

Na tarde de terça-feira, 11/08, a Câmara Municipal promoveu Sessão Solene alusiva à 88ª Semana Euclidiana, evento que faz parte do calendário anual da Casa de Leis, e que concedeu Títulos a três personalidades do município.
O advogado e euclidianista Paulo Sérgio Herculano foi agraciado com o “Diploma de Mérito Euclidiano”. O professor e também euclidianista Ariosvaldo Rizzo de Andrade recebeu o “Título de Guardião da Memória Rio-Pardense”. E à Maria Teresa Ratti de Oliveira foi concedido o “Título de Cidadania Rio-Pardense”.
Durante a cerimônia, compuseram a Mesa o presidente do Legislativo Municipal, vereador Rafael Kocian, a vice-prefeita, Algemira Pinheiro de Souza e a secretária municipal de Turismo e Cultura, Ana Paula Silva Pereira. Também estiveram presentes à solenidade o 1º Sargento e Chefe de Instrução do Tiro de Guerra 02-038 Juarez Machado Homem, membros do Conselho Euclidiano, familiares dos homenageados e munícipes.
Emocionado com a honraria, Ariosvaldo, que se dedicou 40 anos ao Magistério declarou: “Um guardião não é dono daquilo que guarda. Ele apenas recebe algo precioso e assume a responsabilidade de protegê-lo. E é assim que recebo esta homenagem. Não como proprietário da memória de nossa cidade, mas como alguém que deseja ajudar a preservá-la e entregá-la às futuras gerações. Porque a memória de um povo é um patrimônio que não pode ser perdido. Receber o Título de Guardião da Memória de São José do Rio Pardo significa assumir um compromisso ainda maior com aquilo que sempre procurei defender ao longo da minha trajetória: a educação, a cultura, a arte e a preservação da memória da nossa querida cidade”.
Já Paulo Herculano não pode estar presente à cerimônia por razões profissionais e pessoais, entretanto, Ana Paula Lacerda, euclidianista e curadora da Casa Euclidiana, o representou e recebeu a honraria em seu nome, proferindo marcante texto redigido pelo homenageado em plenário.
“Sinto-me profundamente emocionado em receber o Diploma de Mérito Euclidiano e, embora seja apaixonado pelas palavras, tendo feito delas a minha vida, neste momento algumas faltam-me. Considero um soldado do Movimento Euclidiano à disposição para cumprir as tarefas a mim atribuídas. Estou inserido nele há 37 anos, tendo sido maratonista com muito orgulho pela E.E. “Profª Laudelina de Oliveira Pourrat” e incentivado aos estudos sobre Euclides da Cunha pela professora Maria Olívia Garcia. Muito mais importante que a transmissão de conhecimento e saberes, este Movimento serve para formar o caráter das pessoas envolvidas. E muito do que sou hoje, da minha visão de mundo, da minha formação humanista, da empatia às causas das minorias eu aprendi no euclidianismo”, disse Paulo Herculano.
Já a nova cidadã rio-pardense, Maria Teresa, destacou que estava vivenciando um misto de emoções. Ela, que é natural de Itu, iniciou os estudos de piano aos cinco anos, gradou-se em piano erudito pelo renomado Conservatório Carlos Gomes, e difundiu a música, um legado que construiu e ainda constrói, junto a muitas gerações em Rio Pardo.
“São 54 anos aqui em São José do Rio Pardo. Minha família chegou por aqui em 1972 e, desde então, iniciei a realização de um sonho, primeiramente com a instalação do Conservatório Musical Maestro Francisco Cônsolo, que perdurou por 10 anos, e depois à continuidade às aulas de piano e flauta. Também gostaria de citar minha ligação com essa cidade a partir do Euclidianismo. Fui maratonista em 1969 e participar do Ciclo de Estudos foi um divisor de águas. Lembro da calorosa recepção pelas autoridades aos estudantes, o acolhimento, os grandes aprendizados à vida. Hoje estou sendo homenageada por esta cidade, mas, na verdade, sou eu quem deveria homenageá-la por tudo que representou e representa a mim, tanto como profissional, quanto pessoal, já que aqui também formei família, criei meus filhos, enfim. O momento é de profunda gratidão”, disse Maria Teresa.
Ao final da Solenidade, mais um momento de emoção e de reflexão, tais quais sempre brindou Euclides da Cunha com suas obras. O jornalista e euclidianista Gilmar Ishikawa leu um Manifesto à Nação Brasileira, movimento promovido pela população de Canudos, em nome de uma reparação histórica por tudo que já viveu, referindo-se à Guerra de Canudos, conflito armado entre o Exército Brasileiro e seguidores de Antônio Conselheiro no sertão da Bahia, entre 1896 e 1897, que deu origem ao livro “Os Sertões”.
Novamente, a Sessão Solene não apenas prestou merecidas homenagens, mas proporcionou a todos refletirem às essenciais causas brasileiras, que ainda são pautas, e necessitam olhares e ações à minimiza-las ou soluciona-las, muitas com urgência.
Parabéns à Câmara, vereadores e a todos os envolvidos na promoção da marcante cerimônia!


