Ampliando conhecimentos: Gerontóloga Letícia Semensato participou de Congresso sobre Alzheimer e Saúde da Pessoa Idosa
Entrevista e texto: Natália Tiezzi
A gerontóloga rio-pardense, Letícia Semensato, participou do XIII Congresso Brasileiro de Alzheimer e XII Congresso Brasileiro de Neuropsiquiatria Geriátrica, importante Encontro de destaque nacional e internacional, promovido dias 28 e 29/08, na capital paulista.
O evento foi uma iniciativa conjunta da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) e da Associação Brasileira de Neuropsiquiatria Geriátrica (ABNPG), que reuniu profissionais de diferentes áreas, que discutiram temas relacionados à doença de Alzheimer, outras demências e a saúde da pessoa idosa.
Em entrevista às mídias Minha São José, a gerontóloga falou sobre a sua participação, destaques do evento, além de ressaltar como o aprendizado e a troca de experiências proporcionadas nestes Congressos são essenciais aos profissionais que assistem aos idosos, garantindo atualizações sobre assuntos tão relevantes, como os que foram abordados, com destaque para as demências.
“Um dos principais aprendizados foi ampliar ainda mais o meu olhar sobre os comportamentos apresentados pela pessoa com demência. A agitação, por exemplo, nem sempre deve ser entendida apenas como um sintoma a ser controlado com medicamentos, muitas vezes, pode ser uma forma de comunicação, uma resposta ao ambiente ou uma maneira de expressar alguma necessidade”,afirmou.
Letícia também observou como pretende colocar esses conhecimentos adquiridos em prática junto a seus pacientes, principalmente na avaliação e no planejamento individualizado de cada atendimento, primando sempre pelo acolhimento e dignidade, e contribuindo de forma inerente ao envelhecimento com mais qualidade de vida.
Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Minha São José: Letícia,quais foram os principais temas abordados neste Congresso?
Gerontóloga Letícia Semensato: O congresso abordou temas muito atuais e relevantes dentro da área das demências. Entre os principais assuntos estiveram os biomarcadores na Doença de Alzheimer e em outras demências, novas terapias modificadoras da doença, prevenção e estilo de vida, abordagem multidisciplinar e intervenções, novas tecnologias e inteligência artificial, manejo dos sintomas neuropsiquiátricos, cuidados paliativos e abordagem centrada na pessoa. Também foram discutidas outras formas de demência, como demência com corpos de Lewy, demência associada à doença de Parkinson e demência frontotemporal, além de sono, políticas públicas e organização dos serviços de saúde.
Poderia citar alguns convidados?
O congresso contou com diversos profissionais e pesquisadores de referência na área. Entre os nomes que gostaria de destacar estão Fábio Porto, Sonia Brucki, Cleusa Pinheiro Ferri, Eduardo Zimmer, Natalie Banaskiwitz, Norberto Frota, Ricardo Nitrini e Eliana Miotto. Ricardo Nitrini é uma referência nacional e internacional nos estudos sobre demências, especialmente na Doença de Alzheimer e em outras síndromes demenciais. Eliana Miotto também é uma profissional que gostaria de mencionar de maneira especial, pois foi minha orientadora na especialização em reabilitação cognitiva e teve um papel importante na minha formação. Para mim, foi especialmente interessante perceber como o cuidado com a pessoa com demência está sendo discutido de maneira cada vez mais ampla, envolvendo não apenas diagnóstico e tratamento, mas também prevenção, funcionalidade, ambiente, tecnologia, família, políticas públicas e qualidade de vida.
E como surgiu o convite à sua participação?
A participação foi por iniciativa própria. Tenho como princípio buscar atualização e aperfeiçoamento profissional constantemente e a escolha de participar do congresso veio justamente desse interesse em ampliar meus conhecimentos e acompanhar as discussões e novidades na área do envelhecimento, Alzheimer e outras demências.
Algum destaque do Congresso que gostaria de evidenciar?
Um dos destaques que gostaria de evidenciar foi a importância da vacinação também como uma estratégia de cuidado com a saúde cerebral. Foi discutido como algumas infecções e os processos inflamatórios associados a elas podem ter impacto no organismo e, possivelmente, também estar relacionados ao risco cognitivo. Foi especialmente interessante refletir sobre vacinas como as de influenza, pneumocócica, herpes-zóster e dTpa. As pesquisas ainda estão avançando para compreender melhor os mecanismos e estabelecer uma relação causal entre vacinação e prevenção do declínio cognitivo, mas a discussão reforça a importância de olhar para a prevenção de forma ampla. Também considero importante destacar que muitas dessas vacinas fazem parte das estratégias de vacinação do SUS, embora a indicação e a disponibilidade variem conforme a idade, o histórico vacinal e as condições de saúde de cada pessoa. Por isso, manter a caderneta atualizada e procurar a Unidade Básica de Saúde para verificar quais vacinas estão indicadas é uma atitude simples e muito importante no cuidado com a saúde da pessoa idosa.

Letícia, qual foi o seu principal aprendizado nesta participação?
Acredito que um dos principais aprendizados foi ampliar ainda mais o meu olhar sobre os comportamentos apresentados pela pessoa com demência. A agitação, por exemplo, nem sempre deve ser entendida apenas como um sintoma a ser controlado com medicamentos, muitas vezes, pode ser uma forma de comunicação, uma resposta ao ambiente ou uma maneira de expressar alguma necessidade. Também considero muito importante a atualização dos conhecimentos e das estratégias de estimulação cognitiva, buscando atividades mais adequadas às capacidades, aos interesses e ao momento de cada pessoa. Além disso, compreendi ainda mais a relevância do trabalho conjunto com os familiares e cuidadores, oferecendo orientação, escuta e apoio para que possam lidar melhor com as mudanças decorrentes da demência e contribuir para a manutenção da autonomia e da qualidade de vida. Isso reforçou para mim a importância de observar a pessoa de forma integral, buscando compreender o que aquele comportamento está querendo comunicar e quais estratégias podem ser utilizadas para proporcionar mais segurança, autonomia e qualidade de vida.
Como pretende incorporar os conteúdos junto a seus pacientes?
Pretendo incorporar esses conhecimentos principalmente na avaliação e no planejamento individualizado de cada atendimento. Cada pessoa idosa apresenta necessidades, capacidades e desafios diferentes, então o conhecimento adquirido no congresso me permite ampliar o meu repertório de estratégias e pensar em intervenções cada vez mais adequadas a cada paciente. Também quero levar esses aprendizados para a orientação de familiares e cuidadores, principalmente em relação à prevenção, aos fatores de risco modificáveis, às mudanças de comportamento nas demências e à importância de compreender o que a pessoa está tentando comunicar. Acredito que participar de congressos só faz sentido quando o conhecimento adquirido consegue chegar à prática. Por isso, meu objetivo é transformar essas atualizações em ações que contribuam para a autonomia, a funcionalidade e a qualidade de vida dos meus pacientes.
Para finalizar, gostaria que falasse sobre a importância de participar destes eventos médicos à sua profissão?
Participar desses congressos é muito importante porque a Gerontologia está em constante evolução, especialmente quando falamos sobre envelhecimento, demências e saúde do cérebro. É uma oportunidade de ampliar e atualizar os meus conhecimentos, aprender novas abordagens e trocar experiências com profissionais de diferentes áreas que atuam diretamente com a pessoa idosa. Mais do que adquirir conhecimento, esses momentos me ajudam a refletir sobre a minha própria prática e a trazer para os atendimentos estratégias e informações mais atuais, sempre buscando oferecer um cuidado cada vez mais individualizado e adequado às necessidades de cada idoso e de suas famílias.






