Doação de Órgãos: Colégio Unigrau e e-DOT/Santa Casa promovem encontro junto aos alunos
Texto e fotos: Natália Tiezzi/Minha São José
Em alusão ao Dia Nacional da Doação de Órgãos, em 27/09, o Colégio Unigrau promoveu, por mais um ano, Projeto ao debate, à informação, e à conscientização junto aos alunos sobre o relevante tema.
O Projeto iniciou em 2024, por meio de proposta do professor Marcelo Locatelli, que foi prontamente aceita pelo Colégio, sempre contando com com a parceria da e-DOT – Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes da Santa Casa de Misericórdia Hospital São Vicente,
Neste 2026, o Projeto foi encabeçado pela disciplina de Espanhol, coordenada pela professora Eloni Junqueira, que envolveu os alunos do Ensino Fundamental II e Médio ao desenvolvimento de trabalhos, na língua espanhola, sobre as questões relacionadas à doação de órgãos e tecidos.
A exposição dos trabalhos aconteceu na manhã desta sexta-feira, 25, quando também foi promovido um encontro, que contou com a participação das enfermeiras Edilene Garcia Felicíssimo e Amanda Breda Ferreira da Silva, que fazem parte da e-DOT, que representaram o médico Dr. Danilo Zuim de Lima, coordenador da equipe na Santa Casa, que não pode estar presente por questões de trabalho.
A pedagoga e educadora física Lígia Rueda Kocian também foi convidada ao encontro. Ela dividiu um pouco de sua história com a filha, Rafaela, quando a criança necessitou de um transplante de fígado e a mamãe doou parte do órgão para salva-la, que foi contada num livro voltado à educação infantil.
Presentes, ainda, a diretora Marolinha Roxo Nobre do Amaral Mesquita, professores e coordenadores do Unigrau.

A INFORMAÇÃO COMO BASE À FUTURA DOAÇÃO
As enfermeiras destacaram, emocionadas, os marcantes trabalhos confeccionados e expostos, parabenizaram os alunos e a professora Eloni, assim como a todos os envolvidos na realização do projeto.
Nas explanações, ambas explicaram os critérios à doação de órgãos, frisando que não basta a pessoa se manifestar doador, mas a família precisa autorizar, caso ocorra o óbito e seja constatada a morte encefálica.
“Esse momento de luto é muito doloroso à família, que quase não pensa na doação de órgãos. Por isso muitas delas rejeitam a doação, mesmo que essa tenha sido a vontade da pessoa que faleceu. Por isso é de suma importância o que o Colégio está promovendo aqui: a informação aos alunos, desde jovens, para que debatam em casa e, caso queiram ser doadores, um dia, que isso seja muito bem explicado e condicionado aos familiares, para que essa vontade prevaleça”, observaram.
Edilene e Amanda relataram, ainda, como é procedimento caso a família concorde com a doação, que só é concedida após o acolhimento da mesma junto à e-DOT e explicações sobre os procedimentos e protocolos a serem cumpridos. “Se a família concordar com eles, iniciam-se testes, preconizados pelo Conselho Federal de Medicina. A partir daí essa doação é comunicada à OPO – Organização de Procura de Órgãos/Central de Transplantes da Unicamp, assim como a estrutura médica para fazer a captação, até que esse ou esses órgãos doados cheguem ao paciente que aguarda, pois também há critérios a serem seguidos para ser receptor, como a compatibilidade, tipo sanguíneo, etc.
Elas observaram que, embora o Brasil possua o maior sistema público de transplantes do mundo e é o segundo país que mais realiza transplantes de órgãos, 45% das famílias dizem sim à doação.
“A doação de órgão não começa no óbito. Ela precisa começar a ser falada em vida, com diálogo, informação correta. Sabemos o quão difícil é falar sobre isso, pois geralmente ocorre neste momento de luto. Mas doar órgãos é fala de vida. Quando uma pessoa doa órgãos ela pode salvar até oito vidas. Portanto, vocês, jovens alunos, conversem em casa sobre o assunto, e desde já tenham essa conscientização da importância de ser um doador. A decisão não precisa ser agora, mas falar sobre ela sim!”, concluíram.



“SE POR NO LUGAR DO OUTRO: E SE FOSSE COMIGO OU UM FAMILAR?
Essa foi a questão que a professora Lígia fez aos alunos e demais presentes ao encontro sobre a opção por ser doador de órgãos. “Na verdade nunca imaginamos estar numa situação de necessitar de um transplante, mas e se tivéssemos? Não gostaríamos que alguém dissesse sim à doação para que pudéssemos ter uma nova chance à vida?”.
Ela também contou um pouco de sua experiência ao ser doadora de parte do fígado à filha, Rafaela, que nasceu com uma doença que, mais cedo ou mais tarde, necessitaria de um transplante.
“E esse ‘cedo ou tarde’ chegou quando ela tinha 10 meses. Graças a Deus fui compatível e passamos pelo transplante intervivos, quando uma pessoa viva e saudável doa um órgão ou parte dele para um receptor. Rafaela e eu nos recuperamos bem, embora ela tenha que fazer acompanhamento e uso de medicação específica por toda a vida. Todavia, durante o processo, nos deparamos com famílias em desespero por não ter um doador compatível. Isso é muito duro, muito triste”.
E foi pensando no compartilhamento desta história marcante, que teve um final feliz, que Lígia escreveu “A princesa guerreira do Reino Arco-Íris e sua grande batalha”. “Dividir nossa história, principalmente com o público infantil, é plantar aquela ‘sementinha’ sobre a doação de órgãos já na infância. É fazer com que a criança compreenda a importância deste gesto tão nobre, que salva tantas vidas, e que também é sinônimo de amor, carinho, esperança, cuidado com o outro”, finalizou.
Após as explanações, os alunos puderam tirar diversas dúvidas sobre a doação de órgãos, inclusive sendo informados pelas enfermeiras da e-DOT sobre o site da AEDO https://www.aedo.org.br/ onde é possível fazer a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos, entretanto, mesmo que haja essa autorização pela pessoa, ainda há necessidade de a família aprovar a mesma, caso ocorra o óbito.

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