Professora Maria Luisa: 26 anos de Magistério (e muito além dos conteúdos didáticos)

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Atualmente ela leciona em duas escolas, sendo uma Rio Pardo e outra em Mococa 

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Neste 15 de outubro, um dia tão especial, o www.minhasaojose.com.br não poderia deixar de prestar sua homenagem, reconhecimento e respeito a todos os professores e fará isso através de uma professora muito querida não apenas em São José do Rio Pardo, mas também em Mococa, Maria Luisa Ribeiro Vergilio de Jesus.  

Ela faz parte de uma geração de alunos rio-pardenses que estudou em escola pública, sendo que iniciou seus estudos na E.E. Dr. Cândido Rodrigues e depois cursou o ‘Colégio’, atualmente Ensino Médio e Magistério na E.E. Euclides da Cunha. 

Maria Luisa também graduou-se em Pedagogia pela atual FEUC, concluindo o curso em 1992 e anos depois fez pós graduação em Educação Infantil. 

Durante a entrevista, a professora contou porque optou pelo Magistério, relembrou as escolas que já lecionou nestes 26 anos de carreira e também alunos e momentos marcantes. 

Maria Luisa também destacou as dificuldades em ser professor neste país que ainda tem muito o que aprender sobre valorizar a quem ensina, e definiu o que, para ela, é ser um bom professor. 

“Bom professor é aquele que vai além dos conteúdos. Ele conversa, ouve, se preocupa, orienta, agrada, repreende, corrige o aluno”, afirmou. 

Confiram, abaixo, a entrevista na íntegra.  

Professora Maria Luisa, o que te levou a seguir o magistério? Você teve alguma influência familiar, de amigos? 

Maria Luisa: Minha mãe também é professora e acredito que isso tenha influenciado minha decisão. Hoje ela está aposentada, apenas curtindo a vida (risos). Minha irmã também é formada, porém não exerce a profissão. 

Além do giz, a máscara passou a ser companheira nas salas de aula: “No início do ano, quando ainda estávamos apenas com as aulas remotas, eu fui à casa de uma aluna e ela chorou de emoção. Disse que estava com muita saudade”, destacou a professora

Em que ano ocorreu a graduação e onde foi seu primeiro trabalho na área? 

Me formei no ano de 1992.  Em 1995 passei no concurso da Prefeitura e comecei a trabalhar. Ao mesmo tempo comecei também em uma escola particular da cidade, onde fiquei por alguns anos. A primeira escola em que trabalhei como professora efetiva foi na Fazenda Tubaca. 

Quais escolas e instituições já trabalhou e qual é o seu trabalho atualmente? 

Tive a felicidade de trabalhar em várias escolas da cidade e em algumas da zona rural.  Assim conheci várias pessoas e fiz muitas amizades. Trago ótimas lembranças e muitas saudades. Uma lembrança boa que tenho, de antes de ingressar na prefeitura, é a época em que a Nestlé montou a escola SEREI. Trabalhei lá por um tempo. Hoje trabalho na EMEB Vinício Spessotto, onde pretendo me aposentar. É uma nova experiência e eu estou muito feliz, com uma equipe ótima. Além disso, sou professora concursada também no município de Mococa desde o ano de 2004. Trabalho há dezessete anos na mesma escola, com pessoas que eu adoro. 

Cite um momento especial de sua carreira. 

Nessa profissão constantemente temos momentos especiais pois crianças sempre nos surpreendem de alguma forma.  Eu tive sim momentos tristes, mas felizmente os momentos bons momentos foram a maioria e trago comigo inúmeras lembranças boas. Me lembro sempre com carinho de uma mãe me contando que seu filho dormia com uma foto minha debaixo do travesseiro, por gostar muito da professora. O primeiro pedaço do bolo, em uma festa de aniversário repleta de convidados. No início do ano, quando ainda estávamos apenas com as aulas remotas, eu fui à casa de uma aluna e ela chorou de emoção. Disse que estava com muita saudade. Momentos simples, mas que me encheram o coração, assim como muitos outros… 

Nestes anos em sala de aula, algum aluno lhe marcou? Poderia dividir essa experiência contando um pouquinho? 

Todos os alunos nos marcam um pouquinho e acredito que marcamos um pouquinho a vida deles também.  Houve uma vez, um aluno que usava um aparelho na perna e nossa sala de aula era no segundo andar, sendo necessário subir uma escada. Eu precisava carregá-lo e algumas vezes, quando ele chegava na classe, pedia para ir ao banheiro e precisava descer tudo novamente (risos). Mas o interessante da história é que o reencontrei tempos atrás, ele já moço, e conversamos sobe isso e rimos das lembranças. 

Atualmente, qual a maior dificuldade do professor? Salário, condições de trabalho, falta de apoio governamental à qualificação/cursos? 

Todos esses fatores, infelizmente, influenciam o nosso trabalho diário. O salário, por exemplo, com toda essa alta dos preços, está ficando cada vez mais defasado. Além de essa ser uma profissão que mexe com o nosso estado psicológico, envolvendo muitos sentimentos. Acredito que a pandemia tenha mostrado a importância do professor e o quanto precisamos ser respeitados, pois não é uma tarefa fácil. Porém há também muitos pontos positivos, o que faz com que sigamos em frente, sempre…

Maria Luisa, o marido, Israel e os filhos João Guilherme (à direita da foto) e o caçula José Henrique

Você já ensinou muitas crianças, mas qual foi a principal lição que aprendeu nestes anos de magistério? 

Uma coisa importante que aprendi e que levo sempre comigo, é que a afetividade e o respeito são muito importantes para podermos lidar com os alunos, tenham eles a idade que tiverem.  Se conseguirmos manter um vínculo com eles, com certeza tudo fluirá melhor.   

Vamos falar sobre família: Você tem dois filhos. É mais fácil para uma professora orientar a família ou é mais difícil? Por quê? 

Eu acho que há os dois lados: sendo professora eu tenho acesso a informações, livros, cursos, palestras, de profissionais diversos, que me auxiliam muito no momento de educá-los e orientá-los. Porém acho que filhos de professores acabam “sofrendo” um pouco pois estamos constantemente cobrando bom comportamento, educação, responsabilidade e o máximo de respeito aos professores deles. Estamos “sempre alertas” (risos). 

E você gostaria que um de seus filhos também fosse professor? 

Meu desejo é que eles sejam felizes e realizados. Se essa for a opção de um deles, eu ficaria feliz sim, pois seria a prova de que fiz meu trabalho com amor e prazer, de forma que servi de exemplo.  

Como você se definiria como professora? 

Eu me considero alegre, dinâmica, feliz com o que eu faço. Me preocupo com a aprendizagem das crianças, com seus avanços e conquistas. Mas também com seus sentimentos, pensamentos, problemas, sonhos… 

Para finalizar, o que é ser um bom professor?  

Para mim um bom professor é aquele que vai além dos conteúdos. Ele conversa, ouve, se preocupa, orienta, agrada, repreende, corrige. E tenta agir com seus alunos como gostaria que agissem com seus filhos, sobrinhos, primos.  

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