Diretora de Cultura quer mais união entre a classe artística e o Poder Público

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Vanessa Paião também destacou como serão realizados eventos como Carnaval, aniversário da cidade e Semana Euclidiana neste ano

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Movimentar a cultura rio-pardense e introduzi-la no cotidiano da população por meio de vertentes como a Educação, por exemplo. Esse é um dos objetivos da nova diretora de Cultura do DEC – Departamento de Esportes e Cultura, Vanessa Dias Paião.

Graduada em Artes, ela atua há 23 anos no teatro e sempre se envolveu com a cultura também por meio da arte circense, uma de suas paixões. “Depois de passar pelo Teatro com a atriz Lúcia Vitto, decidi de fato viver profissionalmente de Arte. Junto com outros alunos da Lúcia, Loi Lima e Eduardo Viana, dois grandes Artistas, fui para São João da Boa Vista, onde nos juntamos com outros artistas de teatro e decidimos ir para Campinas. Em Campinas, já com uma grande equipe, construímos grandes estrutura de moradia e de confecção de cenários de rua itinerantes de grande porte e linguagens Artísticas integradas , oque nos trouxe grande visibilidade e turnês pelo Brasil. Tínhamos interesse em nos aliarmos à Educação, além de espetáculos de temas pedagógicos, também passamos a produzir grandes congressos de Arte Educação com orientação pedagógica de Rubem Alves”, contou.

Em 2013, Vanessa retornou para Rio Pardo e foi convidada a trabalhar na Casa de Cultura e Cidadania, onde se apaixonou pelo circo. “Ao fechar a Casa passei a produzir encontros no Recanto Euclidiano, com o nome de Treinos e Trocas ao Ar Livre, que resultou na idealização junto ao meu marido, Guilherme Dos Santos, do Cia Erva Doce, grupo de pesquisa e performances artísticas, voltado para eventos alternativos, grupo esse atuante até hoje, que nos rendeu circulação pelo Brasil, com produção de nosso trabalho e vários artistas rio-pardenses e de outros municípios e estados”, destacou.

Ela também falou com orgulho de suas origens e sobre o convite para integrar a equipe do DEC. “Tenho muito orgulho em dizer que sou negra, pobre, criada na periferia e enxerguei na Cultura uma forma não apenas de sobreviver, mas de expor meus sentimentos, ideias. Fiquei lisonjeada com o convite do prefeito Marcio Zanetti para integrar sua equipe e poder contribuir nesta área que tanto amo e luto para que seja cada vez mais inserida e reconhecida pela sociedade, que é a Arte, a Cultura em si”, disse.

UNIÃO ENTRE OS ARTISTAS E O PODER PÚBLICO

Vanessa destacou que um dos principais objetivos da diretoria de Cultura é promover mais união entre a classe artística ro-pardense e o Poder Público. “Não apenas por essa questão da pandemia, momento muito difícil que todos que vivem das artes estão vivendo, mas São José necessita dessa aproximação destes profissionais com o poder público até para fomentar políticas públicas de desenvolvimento e incentivo à Cultura, seja ela música, dança, circo, teatro, enfim, para que estes artistas fiquem conhecidos não apenas na cidade, mas na região, fora do estado, no Brasil”.

Neste ínterim, ela enalteceu o comprometimento e a sensibilidade do prefeito, bem como do presidente do DEC, Agenor Ribeiro Netto, do diretor de Esportes, Hebinho Souza, da secretária de Educação, Ana Beatriz Feltran Maia e da secretária de Assistência a Inclusão Social, Talita Salomão. “Temos uma equipe maravilhosa e competente que realmente enxerga na cultura uma nova via para contribuir com o desenvolvimento humano”

Vanessa mencionou um projeto inédito e audacioso da nova administração, que contará com o apoio do DEC, que é o contraturno escolar, onde os alunos das escolas municipais também terão aulas de dança, música, teatro, esportes no período contrário às aulas. “Será uma forma de despertar e incentivar às artes, descobrir novos talentos e, claro, auxiliar os alunos no próprio sistema educacional. Música, por exemplo, é matemática pura. Acredito muito nessa integração entre cultura e educação, uma auxilia a outra e ambas se completam”.

CARNAVAL ON LINE, ANIVERSÁRIO DA CIDADE E SEMANA EUCLIDIANA

Vanessa observou que apesar do DEC não realizar o Carnaval presencial este ano por conta da pandemia, há um plano para promove-lo on line. “A ideia é engajar músicos, dançarinos, bandas daqui da cidade e trabalhar a história do Carnaval em diferentes momentos e períodos, desde as marchinhas, sambas, sambas enredo, axés, enfim, uma linha do tempo mesmo. Tudo isso seria feito em estúdio, com poucas pessoas, com todas as medidas de segurança e com transmissão on line”, explicou.

Já com relação ao aniversário da cidade, data significativa para os rio-pardenses, a diretora também destacou que haverá atividades e eventos on line, mas que ainda não há uma programação definida. “Dentro dessa programação gostaríamos de fazer uma exposição on line no Museu, destacando as obras dos artistas da cidade”, afirmou.

Sobre a Semana Euclidiana, Vanessa disse que pretende resgatar a tradição do desfile marcial, com as fanfarras e bandas marciais. “Inclusive, no projeto do contraturno escolar, também está inserido reavivar e criar novas fanfarras, incentivando não apenas para a Semana Euclidiana, mas para que São José volte a ser referência na região”.

Sobre demais atividades, inclusive o Ciclo de Estudos, a diretora observou que nunca Euclides da Cunha se fez tão atual e que é necessário inserir a cultura euclidiana cada vez mais frente à população. “A grande oportunidade que temos de fazer isso é a S.E. É bem provável que o evento também seja realizado de forma remota e é por isso que já estamos pensando em atividades que realmente engajem a população, de todas as idades, a participar”.

Vanessa conheceu as artes ainda criança, se identificou e destacou que foi pela Cultura que obteve seus maiores aprendizados e conquistas na vida

PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

Vanessa observou, ainda, que o DEC pretende reavivar espaços públicos para utiliza-los para fins culturais, que sempre foram seus propósitos.

A realização de inúmeras atividades e projetos que já estão sendo esboçados pelo DEC também dependerão da iniciativa privada para acontecerem. “Não podemos apenas unir a classe artística ao Poder Público, uma vez que sabemos que é inviável que apenas este auxilie a todos, promova eventos, atividades, enfim. Nossa intenção é engajar os empresários e as indústrias, por meio de parcerias, nesta empreitada junto conosco, fazendo com que também enxerguem e valorizem a cultura rio-pardense nas mais diferentes vertentes. O artista atrai público, que consome, ou seja, apoiar as artes é apoiar o desenvolvimento de toda a cidade, inclusive o comercial”.

Vanessa finalizou destacando que embora um pouco esquecida neste sentido, São José continua sendo um celeiro de artistas. “Digo isso com conhecimento de causa, pois já vivi em muitos lugares, mas nenhum é tão rico em diversidade cultural quanto Rio Pardo. As gerações se renovam nas artes, porém é preciso incentivo e reconhecimento para resgatar esse lado artístico-cultural um pouco esquecido e em alguns aspectos nunca explorados na cidade. E vamos fazer isso juntos: artistas, poder público, privado e, claro, população”, concluiu.

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