Autismo: Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a qualidade de vida do paciente

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Em alusão ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, neste 2 de abril, o www.minhasaojose.com.br, traz uma entrevista com a fonoaudióloga clínica e educacional Greici dos Santos Roque Carvalhaes, que atua faz 16 anos na área do Autismo, para explicar o que é, quando os pais devem ficar alertas aos sinais e as principais formas de tratamento.

Natália Tiezzi Manetta: Greici, o que o Autismo?

Greici: Podemos descrever o Autismo como um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais, sendo a inabilidade para interagir socialmente; a dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos (o mundo do faz de conta) e o padrão de comportamento restrito e repetitivo.

Ele acomete apenas crianças ou pessoas podem desenvolve-lo em qualquer idade.

A criança já nasce autista, portanto o transtorno não é adquirido ao longo da vida. O que existe são graus de comprometimento, que são variáveis, desde quadros mais leves até formas mais graves. Esses graus independem da idade que o autista possui. Há crianças com comprometimentos mais leves e também mais graves, por exemplo.

O autismo acomete mais meninos ou meninas?

Predominantemente meninos. Cerca de 90% dos casos diagnosticados são do sexo masculino, porém, quando acomete o sexo feminino geralmente são casos mais graves.

O que causa do Autismo?

Ainda não se tem uma causa definida, mas alguns estudos apontam para fatores genéticos e biológicos.

Por não ser uma doença ou uma síndrome, com sintomas físicos, inclusive, como é feito o diagnóstico?

O Autismo é um transtorno muito complexo mesmo e muito individual. Embora os sinais sejam relativamente parecidos, cada autista é único. O diagnóstico é puramente clínico levando-se em conta o histórico do paciente, dos pais, professores e pessoas envolvidas diretamente com o mesmo, bem como a observação clínica, que envolve desde neuropediatras, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos.

Ao notar qualquer um destes sinais ‘diferentes’ na criança, por exemplo, qual a primeira atitude que os pais devem ter?

É importante que os pais procurem um profissional que atue na área de Autismo, sendo um fonoaudiólogo, um terapeuta ocupacional ou psicólogo para a observação deste paciente. A partir daí, esses profissionais encaminham o paciente para um neuropediatra, que realizará uma série de exames para se chegar a um diagnóstico, pois somente um médico pode precisar esse diagnóstico. Meu trabalho, por exemplo, primeiramente é de observação desse paciente pois, em alguns casos, não se trata de autismo.

Após o diagnóstico do transtorno quais são as recomendações e como encarar essa nova realidade?

E será tudo novo mesmo. Primeiro, os pais devem aceitar essa condição do filho ou filha. Depois que passar essa fase de ‘luto’ que chamamos, em que os pais realmente enxergam que a criança possui o transtorno é necessário procurar a ajuda de todos esses profissionais para que eles possam direcionar qual será o melhor tipo de tratamento. Muita coisa, realmente, vai mudar principalmente na rotina dessa família que possui um autista. Por isso, além do paciente, recomendo que os pais também busquem um apoio psicológico, pois o autismo não tem cura e o acompanhamento profissional será realizado durante toda a vida do paciente.

E como é realizado esse tratamento?

São promovidos pela equipe destes multiprofissionais já citados. Em alguns casos é necessário o uso de medicação, principalmente quando existem co-morbidades entre elas a hiperatividade e a agressividade, pois se não foram controladas fica impossível realizar os demais tratamentos.

Quais são os principais objetivos deste tratamento ou acompanhamento?

Proporcionar maior independência ao paciente, permitindo-lhe evoluir passo a passo para garantir o seu desenvolvimento e melhorar a sua qualidade de vida.

UNIMED RIO PARDO TERÁ PLANTÃO PARA ORIENTAR A POPULAÇÃO SOBRE O AUTISMO

A Unimed, através de seu Programa de Medicina Preventiva, promove um plantão hoje, terça-feira, das 17h00 às 19h00, para esclarecer dúvidas e orientar a população sobre o Autismo.

“Não é necessário ser conveniado. Toda a população poderá vir até a Medicina Preventiva, à rua Rui Barbosa, 109 , para orientar-se”, finalizou Greici.

Para fecharmos nossa entrevista, segue o texto de uma mãe que descobriu a pouco tempo que seu filho é autista.

Meu anjo azul

Quando a mãe planeja uma nova vida,

O que toma seu pensamento?

Sonhos, expectativas e esperança

Que nascem junto com aquela criança…

E do que os sonhos são feitos?

Seriam de ilusões?

Entre sonho e realidade

Há tantas contradições…

Ainda no meu ventre

Eu sabia que algo era diferente

Há coisas que não tem explicação

Só sei que uma mãe sente…

E então você chegou

Meu pequeno anjo azul

E tudo mudou…

Será que meu mundo caiu?

Ou caíram minhas convicções de mundo?

Será que você me escolheu?

Você chegou meu anjo azul

Sim, para abalar minhas convicções

E transformar o meu ser

E dar propósito à minha vida

Você chegou meu anjo azul

Para num caminho melhor me guiar

E eu também serei o seu anjo

Enquanto eu puder respirar…

E então você chegou

Meu pequeno anjo azul

Para me mostrar o quão profundo é

O mar de nossos sentimentos…

O quanto somos capazes de aprender

O quanto a fé pode fortalecer

O quanto o amor é grande

O quanto a vida muda num instante…

E que para ser feliz

Não dependemos de nada

É um estado de espírito

Não depende de tempo

Não depende de idade

Ela está em nós

Apesar das contradições

Entre sonho e realidade…

Você chegou

E o meu mundo ficou mais azul…

Azul de um espectro de luz

Que só é visível aos olhos do coração…

E com imensa gratidão

Sigo buscando incansavelmente

Peça por peça

Nesse quebra-cabeça que é sua mente

E vejo-as se encaixando uma a uma

Num eterno “montar”

Que é a vida de todos nós.

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