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O frio e os idosos: Gerontóloga Letícia Semensato orienta sobre cuidados aos 60+ no inverno

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

O inverno está aí e nesta época de baixas temperaturas é essencial a promoção de cuidados especiais aos idosos, não apenas por conta de doenças que podem acometê-los com maior potencial, mas em relação ao bem estar.

Para falar um pouco sobre como cuidar dos 60+ especialmente neste período mais crítico, o site e jornal online Minha São José entrevistou a gerontóloga Letícia Semensato, que destacou várias orientações e ações simples, que podem garantir mais qualidade de vida aos idosos nestes meses mais frios.

Entre as recomendações, Letícia destacou cuidados para evitar a hipotermia, doenças respiratórias, além de dicas alimentares, incentivo às atividades físicas e cuidados também à saúde emocional.

A gerontóloga destacou cuidados vão desde alimentação, vacinação, prática de atividades físicas até manter os idosos aquecidos adequadamente

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Minha São José: Letícia, por que este período de inverno é mais ‘perigoso’ aos idosos?

Gerontóloga Letícia Semensato: Com a chegada do inverno o organismo do idoso passa por algumas mudanças que aumentam a vulnerabilidade nessa época de dias mais frios. Isso acontece devido ao envelhecimento, onde o corpo tem mais dificuldade para regular a temperatura, produzindo menos calor e  perdendo calor com mais facilidade, fazendo com que o idoso sinta mais frio e tenha mais riscos de hipotermia.  

Quais as principais doenças ou potencialização de sintomas que podem ocorrer nos 60+ nestes meses mais frios?

O inverno exige uma atenção especial a saúde do idoso, já que nessa época do ano existe um aumento na incidência de doenças respiratórias, como gripe, resfriado, pneumonia e bronquite. Idosos com doenças pulmonares crônicas, como asma e DPOC, também podem apresentar piora nos sintomas, como aumento da tosse, falta de ar e as crises respiratórias. Outro ponto importante é o risco de hipotermia, já que o organismo do idoso produz e conserva menos calor, além de perceber menos as mudanças de temperatura. A desidratação também é frequente no inverno devido à diminuição da sensação de sede, podendo favorecer infecções urinárias, constipação intestinal, confusão mental e piora do estado geral de saúde. O frio também impacta a saúde cardiovascular. A vasoconstrição provocada pelas baixas temperaturas aumenta a pressão arterial e pode elevar o risco de infarto, AVC e descompensação de doenças cardíacas. Além disso, os idosos também relatam maior intensidade de dores articulares e musculares, especialmente aqueles com artrite, artrose ou outras doenças reumatológicas. Com isso, esse período de dias mais frios ainda pode contribuir para o aumento do risco de quedas, devido a redução da mobilidade, maior rigidez muscular e o uso de calçados inadequados, como por exemplo, o uso de chinelo com meias.  

Quais são as suas recomendações?

Durante o inverno é fundamental reforçar os cuidados com a saúde da pessoa idosa, mantendo a vacinação em dia, garantindo uma boa hidratação, alimentação equilibrada, prática de atividades físicas, uso de roupas adequadas e acompanhamento das doenças crônicas. Essas medidas ajudam a prevenir complicações, preservar a funcionalidade e promover um envelhecimento mais saudável e seguro.

Por falar em alimentação, como ela deve ser aos idosos no inverno? 

Sim, a alimentação dos idosos no inverno também merecem uma atenção especial, já que podem contribuir com na manutenção da imunidade, da hidratação, da disposição e da força muscular. E com a redução da sensação de sede ainda pode ocorrer alteração no apetite, aumentando o risco de desidratação e de deficiências nutricionais. Entre as principais recomendações estão o consumo de proteínas diariamente, priorizar frutas, verduras e legumes ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes, incluindo alimentos que são ricos em zinco e vitamina D. Preferir alimentos integrais e ricos em fibras, manter uma boa hidratação mesmo sem sentir sede (consuma água, chás sem açúcar, água de coco, que podem ajudar a atingir a quantidade diária de líquidos). E consumir sopas, caldos e cremes preparados com legumes, verduras e uma fonte de proteína. Essas preparações aquecem o corpo, são nutritivas e costumam ser bem aceitas pelos idosos. Vale lembrar que se deve evitar o excesso de alimentos ultraprocessados, com sódio, açúcar e gorduras saturadas, pois eles podem favorecer o aumento da pressão arterial, da inflamação e da retenção de líquidos.

E as atividades físicas? Qual é o melhor horário para praticarem e quais tipos de exercícios?

A prática de atividade física continua sendo essencial durante o inverno e não deve ser interrompida apenas por causa das baixas temperaturas. Pelo contrário, manter-se ativo ajuda a fortalecer o sistema imunológico, preservar a massa muscular, melhorar o equilíbrio, a mobilidade e a saúde cardiovascular, além de contribuir para o bem-estar físico e emocional. O ideal é que os idosos realizem os exercícios físicos nos horários mais quentes do dia, preferencialmente entre o fim da manhã e início da tarde, evitando as primeiras horas do dia e o período da noite, que é quando as temperaturas costumam ser mais baixas. As atividades mais indicadas são as de intensidade leve a moderada, respeitando a condição de saúde de cada pessoa. Caminhadas em locais seguros e ensolarados, musculação supervisionada, pilates, alongamentos, exercícios de equilíbrio e fortalecimento muscular são excelentes opções. Antes de iniciar o treino é importante fazer um aquecimento leve para preparar a musculatura e as articulações, que tendem a ficar mais rígidas no frio. Além disso, é fundamental utilizar roupas confortáveis e em camadas, manter-se hidratado antes, durante e após a atividade física e interromper o exercício caso surjam sintomas como tontura, falta de ar intensa, dor no peito ou mal estar. E reforçando que as atividades devem ser sempre acompanhadas de profissionais capacitados, para que possam orientar seguindo as necessidades de cada idoso.   

É verdade que no inverno os idosos tendem a ficar mais ansiosos ou isolados/depressivos?

Sim, isso pode acontecer. Esse tema inclusive é importante para reforçar que o cuidado com idoso no inverno vai além da proteção contra o frio. Embora o inverno não seja a causa direta da ansiedade, da depressão ou do isolamento social, essa estação pode favorecer o aparecimento ou a intensificação desses sintomas em muitas pessoas idosas. Com as temperaturas mais baixas é comum que os idosos saiam menos de casa, reduzam a participação em atividades de lazer, grupos de convivência e pratiquem exercícios físicos. Esse afastamento da rotina e da interação social pode aumentar a sensação de solidão, tristeza e desânimo, especialmente entre aqueles que vivem sozinhos ou já apresentam algum grau de fragilidade emocional. A baixa exposição à luz solar também pode influenciar a produção de serotonina e melatonina, substâncias relacionadas ao humor e ao ciclo do sono. Como consequência, alguns idosos podem apresentar alterações no sono, cansaço excessivo, perda de interesse pelas atividades habituais, irritabilidade e piora de sintomas ansiosos e depressivos. Em pessoas com demência ou outros transtornos cognitivos, o inverno também pode favorecer mudanças comportamentais. A redução das atividades, o menor convívio social e a ocorrência de infecções, comuns nessa época do ano, podem aumentar episódios de confusão mental, desorientação, agitação ou apatia. Por isso, é importante que familiares e cuidadores incentivem a manutenção da rotina do idoso mesmo que as temperaturas estejam mais baixas. Quando necessário faça mudanças para mais conforto e segurança, mas não deixe de realizar.  

Como os idosos podem se aquecer mais adequadamente no inverno?

Manter o corpo aquecido é um dos principais cuidados com a saúde da pessoa idosa durante o inverno. A forma mais eficaz de se proteger é vestir-se em camadas. O uso de uma blusa mais leve por baixo, seguida de uma peça de lã ou fleece e, por último, um casaco que proteja do vento ajuda a conservar melhor o calor do corpo. Também é importante proteger as extremidades, utilizando meias, calçados fechados, gorros, cachecóis e quando necessário, luvas, já que mãos, pés e cabeça perdem calor com mais facilidade. O ambiente deve permanecer aquecido, mas sempre com boa ventilação. Cobertores, mantas e edredons são aliados importantes, principalmente durante a noite. Em dias muito frios, bolsas de água quente, cobertores térmicos ou aquecedores podem ser utilizados com cuidado. Além das roupas deve-se manter uma alimentação equilibrada, consumir bebidas quentes, continuar ingerindo água ao longo do dia e praticar atividade física, como falamos mais detalhadamente anteriormente.  É importante lembrar que alguns idosos podem não perceber que estão com frio ou podem minimizar esse desconforto. Por isso, familiares e cuidadores devem estar atentos para garantir que estejam adequadamente agasalhados e em ambientes seguros e confortáveis, prevenindo complicações e promovendo mais saúde e bem-estar durante o inverno.

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