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A reciclagem que se torna arte pelas mãos da artesã Dirce Missura

http://www.minhasaojose.com.br

Seja da natureza ou até cabos de vassoura velhos, ela transforma tudo em lindas peças decorativas

Reportagem e Texto: Natália Tiezzi Manetta

Um pequeno pedaço de bambu, uma simples cabaça, retalhos, bijuterias quebradas e até mesmo cabos de vassoura, não importa. Com sua criatividade e talento, Dirce Lopes Missura transforma tudo em arte, que se tornou uma terapia, além de uma fonte de renda.

“O artesanato entrou em minha vida por acaso. Fui comerciante por 18 anos, mas chegou um momento que eu mesma quis parar. Porém, senti muita falta daquela agitação do dia-a-dia, do carinho dos alunos, dos clientes, já que meu estabelecimento ficava à frente do Colégio Euclides da Cunha”, explicou.

Para fugir do tédio e até mesmo de uma depressão, dona Dirce passou a caminhar e observar a natureza. Percebeu que poderia transformar alguns elementos dela, mas ainda não sabia bem em quê. “Passei a recolher galhos, raízes, sementes e colocar a mente para funcionar. Corta aqui, lixa li, pinta acolá e, assim, descobri um talento que nem imaginava ter”, observou.

Uma das características das peças de dona Dirce é exatamente essa rusticidade, que as torna ainda mais bonitas e servem para compor qualquer tipo de ambiente. “Muito da minha inspiração veio de Aracaju, onde meu filho reside, e o artesanato rústico é muito forte. Adaptei algumas coisas e hoje digo com muito orgulho que reaproveito tudo: desde o que a natureza me proporciona até aquele colar de bijuterias que arrebentou”.

As ‘bonequinhas’ confeccionadas por dona Dirce são as peças que mais chamam a atenção devido à riqueza dos itens reciclados e reutilizados. “As perninhas e braços são feitos com bambu. Já o corpinho e a cabeça com cabo de vassoura, sendo que muitos deles encontro jogados pela rua mesmo; o cabelinho é de lã e as roupinhas, que também faço, são de retalhos que costumo ganhar de costureiras. Alguns também acho na rua, como é o caso do vestidinho dessa boneca, que fiz com o tecido de uma sombrinha quebrada”, contou.

UM POUCO DO TRABALHO EM ARTESANATO RÚSTICO DE DONA DIRCE

UMA PRAZEROSA ROTINA

Aos 73 anos, dona Dirce esbanja disposição, apesar de ser uma pessoa muito calma. Ela levanta todos os dias 5h00, faz vôlei adaptado à Melhor Idade e depois dedica seu tempo a recolher o que a natureza oferece. “O artesanato se tornou um hobby para mim. Tudo melhorou depois que comecei a faze-lo. E enquanto eu não vejo a peça pronta não levanto da minha cadeira lá no quartinho onde costumo colocar a critividade em prática!”.

Além das peças utilizando reciclados, dona Dirce também borda lindas telas, que se tranformam em quadros decorativos. “Gosto dessa rotina. Às vezes estou lá no meio do mato recolhendo galhos e sementes e às vezes procurando algo que foi descartado para reaproveitar em minhas peças. O bordado, assim como a pintura, também fazem parte disso e complementam meu trabalho”

E não são apenas os clientes que admiram o trabalho de dona Dirce. Ela conta com fãs incondicionais, que, muitas vezes, se tornam seus ajudantes no ateliê: os netos e também crianças da vizinhança. “Acho que as crianças deveriam ter mais contato com o artesanato, pois elas adoram. Meus netinhos sempre me ajudam quando vêm aqui. É uma forma simples de estimular a criatividade e as habilidades manuais neles”.

E NO ATELIÊ TUDO SE TRANSFORMA

UMA FEIRA ABERTA PARA TODOS OS ARTESÃOS

Esse é o sonho de dona Dirce, que ainda não teve possibilidade de participar de feiras de artesanato. “O custo para mim é alto e aqui na cidade é difícil você conseguir fazer parte de uma feira (e não estou falando apenas da questão financeira)”.

Dona Dirce ressaltou que a cidade precisa valorizar um pouco mais o trabalho desenvolvido pelos seus artesãos. “Somos muitos e têm pessoas fazendo trabalhos lindos, diferenciados que, infelizmente, não têm onde expor. Muito mais que o dinheiro pela venda das peças, o artesão busca reconhecimento. Ele quer mostrar, explicar como fez aquele trabalho. Hoje meu maior sonho é que São José tivesse uma Feira aberta a todos os artesãos, sem custos. Um local onde pudessem mostrar o talento deles, além, é claro, de comercializar as peças, pois muita gente depende do artesanato para sobreviver por aqui. Quem sabe um dia nossos governantes locais olhem para o artesanato como parte da nossa cultura e passem a valorizar um pouco mais todos nós, artesãos”, concluiu.

SERVIÇO: O ateliê de dona Dirce funciona em sua própria casa, que está aberta ao público para conhecer mais sobre seu trabalho. O endereço é Rua Abelardo Pourrat, 190, no bairro João de Oliveira Machado. O telefone é 3681-2117.

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Um comentário sobre “A reciclagem que se torna arte pelas mãos da artesã Dirce Missura

  • Parabéns D. Dirce apoio a idéia de um espaço para artesãos, amo tbm a reciclagem e reciclo desde os móveis de dentro de casa e também objeto de decoração, também sinto falta desse espaço, mas não só para expor, mas também para criar as peças, bem como para ensinar e aprender técnicas e exercer a criatividade. Uma casa do artesão, com ferramentas e muita gente para compartilhar idéias.

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