A Crônica da Semana: O Diário de uma Repórter – Feliz 16/02!
Hoje, 16/02, é lembrado, comemorado (ou esquecido) o Dia do Repórter. Faz mais de 20 anos que também desempenho essa função, inerente à Comunicação, ao Jornalismo. E posso garantir que ‘reportar’ vai muito além de colher e publicar fatos.
Ser repórter não é fácil: implica paciência, escuta e olhar minucioso à história, ao entrevistado, às circunstâncias. Não é ‘só’ empunhar um microfone ou deixar ligado um gravador (aliás, nunca gostei de gravar entrevistas: ou o entrevistado confia ou não confia em mim na reportagem, senão perde-se a essência, que é exatamente a troca transparente de informação).
Entretanto, há um lado ainda mais difícil em ser repórter: o não publicar! Sim, isso acontece, não pela vontade do profissional, mas do próprio entrevistado, da fonte de informação.
No início da ‘conversa’, porque o repórter geralmente procura deixar o entrevistado mais à vontade, inclusive para que possa confiar nele, e, sim, faz aquela pergunta clássica, que, por vezes tem medo da resposta: ‘eu poderei publicar?’ Na maioria dos casos a resposta é positiva, mas em outros, após colher os dados, a fonte lança: ‘só peço para você não publicar’.
Confesso que, no início da minha carreira, quando isso ocorria era um misto de frustração e nervoso. Hoje, mais de duas décadas atuando nisso, ainda é um pouco frustrante, todavia (e por vezes) necessário.


Em algumas situações senti que o entrevistado estava contando tal fato pela primeira vez e confiando em mim àquilo. Em outras vezes, a fonte não permitia a publicação num primeiro contato comigo, mas depois concordava – geralmente histórias de vida: e aí entra a paciência e a astúcia do repórter para convencer a sua fonte. Nem sempre dá certo, entretanto sempre existem as tentativas.
Nisso tudo, compreendi que o repórter precisa ser um bom guardião de algumas histórias. É claro que não me relataram nenhum crime: na maioria das vezes foram fatos vividos e não compreendidos, situações que envolviam terceiros ou ainda fatos em que o entrevistado realmente não se sentiu confortável com a publicação.
Respeitar a fonte ou quem está do outro lado do microfone é essencial à reportagem, assim como ser fiel aos fatos relatados por eles.
Mas, digo: em alguns casos servi como uma espécie de ‘confessionário’. Guardo histórias e memórias de entrevistados que as confiaram a mim e que em muitas ocasiões ‘fugiram’ da própria pauta abordada. Ouvi e guardei – sem julgamentos ou exposições. Bons repórteres sabem como extrair a informação necessária ou apenas ouvir um relato sem importância à publicação, mas de alguma forma marcante ao entrevistado.
A você, repórter, que como eu precisa saber a lidar com tudo isso, Feliz Dia 16/02! E que saibamos ser difusores de informação, mas também respeitar a quem nos têm apenas como guardiões de suas memórias, para eles ‘impublicáveis’ .
Natália Tiezzi





