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A Crônica da Semana: A ‘maratona’ do Carnaval…

Natália Tiezzi

Como diz meu experiente e querido amigo, senhor Octávio Callegari, ‘era diferente’… Sim, o Carnaval era diferente, e nem faz tanto tempo assim… uns 25, 30 anos atrás.

Hoje não é difícil ouvir adolescentes dizendo que ‘vão maratonar’ séries, jogos nos dias de folia da maior festa popular do Brasil. Sim, muita gente não gosta de Carnaval, mas, convenhamos: a tecnologia ‘roubou’ um pouco da interação, da vida social entre os jovens. Não sei se isso é bom ou ruim. O fato é que, de fato, nem os Carnavais são mais os mesmos.

Mas, vou recordar como foram os meus, aliás, os nossos, de uma turma toda, dos 14 até por volta dos 18 anos, em meados de 90 até início de 2000. Nós, naquela época, ‘maratonávamos’ a folia, que era muita, pelos quatro dias, durante muitas horas.

Todavia, antes, já preparávamos fantasias, blusas de bloquinhos, acessórios… Era gostoso também esperar pela festa!

Mas, tudo começava mesmo sábado à noite. Si, os bailes eram noturnos, das 23h00 até por volta das 4h30. E lá estávamos, na porta do ginásio do RPFC… Eu chegava em casa depois das 5h00, a pé (pois morava pertinho: o problema era subir os morros…).

Parte da turma seguia à Vila Formosa, a outra para minha casa, que nessa época era ‘pouso’ para as amigas que moravam mais longe. Íamos dormir com o sol nascendo.

Ao meio dia do domingo de Carnaval já estávamos de pé, pois 15h00 havia Matinê e a turma também ia (folião que é folião vai até na Matinê). Por volta das 17h00 já subíamos à Praça XV para ver a Banda do Grelo ‘desfilar’: a praça era animada. É claro que haviam perigos inerentes a qualquer Carnaval, mas bem menores que hoje em dia… Por lá ficávamos até umas 19h00. Depois era jantar, tomar banho e descer ao clube novamente para o baile noturno.

Na segunda-feira descansava um pouco mais, pois não havia Matinê, e o baile noturno era ótimo, assim como no sábado. Ginásio lotado, alegria, risadas e nós puxávamos ‘trenzinho’ naquele espaço enorme da quadra, entre tantas outras brincadeiras, danças. (Nem é bom lembrar, mas, à época, coreografávamos ‘É o Tchan’).

Na terça a ‘depressão’ já batia à porta. O esquema da folia era o mesmo: Matinê, Banda do Grelo, Praça e baile à noite. O último dia era meio melancólico. O bom é que, além da diversão, perdíamos bons quilinhos durante os quatro dias!

Nós gostávamos de tudo aquilo, vivenciávamos com respeito, responsabilidade, porque se ‘déssemos trabalho’ já conhecíamos bem o que nos esperava em casa pelos nossos pais…

Lembro de um ano que não fui ao Carnaval. Gripe, febre, dor de garganta. Chorei em casa ouvindo a folia que acontecia dentro daquele ginásio… Assim como outros foliões natos que não gostavam de adoecer nessa época.

Enfim, foi diferente. Talvez mais animado? Para mim e para quem viveu tudo aquilo sim. Hoje restam boas lembranças, fotografias (ah, depois de alguns dias íamos às lojas de fotos procurar os registros naquelas folhas enormes com fotos menores que 3/4… (era outra diversão!).

Hoje, por conta de inúmeros fatores, inclusive essa mudança de ação dos jovens, a folia também mudou, principalmente os horários. Para mim, em especial, é um pouco estranho. Gosto da noite e acostumei aos bailes noturnos, que hoje deram lugar ao ‘happy our’.

Contudo, de foliã passei à mãe de adolescentes foliãs. Mas, continuo gostando e aproveitando o Carnaval: seja de dia ou de noite!

Para quem vai se divertir, como eu, um bom Carnaval. E para quem vai maratonar séries, jogos, também!

Foto de O Jornalzinho, de Carnaval de Salão, em meados de 2000
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