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Das grandes plateias ao isolamento: Agenor conta como está a vida de músico na Pandemia

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Acostumado a grandes plateias, a batuta não rege desde março, mas o gosto de fazer música continua, mesmo que seja virtualmente

Reportagem e texto: Natália Tiezzi Manetta

Diz o poeta que “o artista vai onde o povo está”, mas, e quando isso não é possível? Como fica a vida de quem está acostumado com a interação de milhares de pessoas, com os aplausos e o calor humano que emana das grandes plateias?

Após o decreto mundial da Pandemia e o isolamento social, os artistas, em especial os músicos tiveram que trocar os palcos pelas telas de smartphones e notebooks não apenas para sobreviverem, mas para ajudar a quem precisa ou simplesmente para continuar a pulsar a música em seus corações.

Assim como milhares de profissionais, o maestro Agenor Ribeiro Netto, a altura de seus 64 anos dedicados à música, não fugiu à regra. Mas, a quem está acostumado a impor a batuta, reger a orquestra, ficar sem a presença do público não está sendo fácil. Em entrevista ao site, ele, que atualmente reside em Poços de Caldas/MG, contou como está enfrentando esse período de isolamento e usando o tempo para proporcionar bons momentos por meio da música em suas lives.

Além de alegrar ao seu fiel público fazendo o que mais gosta, que é tocar seu acordeon e piano, Agenor está encabeçando uma campanha, juntamente com Cris Del Corso, para ajudar os mais de 100 músicos que fazem parte das orquestras regidas por ele. O intuito é angariar recursos para o pagamento dos profissionais que estão sem poder trabalhar diante da quarentena.

E a próxima live já tem data para acontecer. Quer saber quando será e como ajudar? Confira na entrevista, na íntegra, abaixo.

Agenor, como está sendo se adaptar a essa nova realidade, com a plateia virtual ao invés da presencial?

Confesso que está muito díficil, pois a batuta não rege desde março. Sempre tive muita interação com a plateia, brincava com o público, trabalhava e me divertia nos palcos da vida. É muito estranho não ter ninguém para brincar, dialogar, interagir pessoalmente. Esse calor humano faz muita falta a mim. Imagina uma pessoa com 70 anos, 64 dedicados à música, sendo que o primeiro baile que participei tinha 10 anos e nunca mais parei… É um período novo, de adaptações, mas muito complicado para quem gosta de gente, de contato físico como eu!

Como surgiu a ideia e desde quando você está fazendo as lives?

A live começou de uma maneira meio gozada! Estava um pouco deprimido pela falta das apresentações – definitivamente a música alimenta minha alma. Cerca de 40 dias atrás, numa noite, peguei meu acordeon, fui à frente de minha casa e comecei a tocar. Nem precisa falar que ‘abri o bueiro’, chorei muito. Atrás de minha casa tem um prédio e notei que enquanto tocava muitos moradores acenderam as luzes dos apartamentos e alguns gritaram “que bonito”, “continua”. Na calçada, casais também chegaram e, mesmo tomando certa distância, me incentivaram a tocar. Foi a ‘deixa’ para uns dois dias depois eu ligar uma caixa acústica e alegrar um pouco a vizinhança. E assim surgiu a ideia da live justamente para abranger um público maior pelas redes sociais.

Agenor e seu inseparável acordeon: ideia das lives surgiu após ele tocar o instrumento à frente de sua casa, num momento de tristeza e solidão que se tornou inspiração

Onde elas são gravadas e quem lhe acompanha nas gravações?

As lives são diretamente da minha casa e eu comecei sozinho, ao piano e acordeon. Agora já conto com acompanhantes e amigos, entre eles o Vanderson (violinista), Alexandre Almeida (violão), Rodrigo Mendonça (flauta e sax), Andre Sabino (voz e viola). Parece que o público está gostando muito, inclusive com o prestígio dos rio-pardenses e públicos de toda a região, que pedem música e interagem, mesmo que à distância.

Conte um pouco do projeto Orquestra Viva. Quando será a próxima live?

Na verdade essa foi uma iniciativa da querida amiga Cris Del Corsso que se sensibilizou com os músicos, que realmente estão passando por um momento de extrema necessidade diante do fato de não poderem trabalhar. Tínhamos que fazer algo para ajuda-los, pois somente nas orquestras que rejo (Jazz Sinfônica de São João, Orquestra Sinfônica de Poços de Caldas, Orquestra Violas & Violinos e Terra Brasilis) são mais de 100 músicos que estão sem salários. As lives estão sendo promovidas no intuito de angariar fundos para fazer esses pagamentos. A próxima será dia 30 de maio, às 19h30 e contará com o apoio da Rioplastic. Ela será transmitida ao vivo, diretamente pela minha página no Facebook, https://www.facebook.com/agenor.ribeironetto. Quem também quiser acessar e doar aos músicos, o endereço virtual é http://www.benfeitoria.com.br/orquestraviva

Para finalizar, o que você, como artista, está aprendendo com toda essa situação da Pandemia?

Acho que não apenas a mim, mas essa Pandemia vai mudar, aliás, já está mudando a humanidade, principalmente aflorando bons sentimentos no ser humano como a solidariedade, o doar e receber. Sem dúvida sairemos dessa mais ‘humanos’ e cristãos (no sentido filosófico da palavra). Outra coisa que acredito que aprendemos é que o mundo não está preparado para absolutamente nada! Ninguém sabe, na verdade, como lidar com tudo isso, inclusive com a doença. Mas, se me permite a amiga, lamento essa guerra política instalada frente à Pandemia. E essa politização da doença deixa a população cada vez mais desorientada. Não é uma questão de poder, mas de saúde. Torço para que a política entenda isso o quanto antes. Portanto, a quem puder, fique em casa e de lá curtam as lives, ajudem nossos queridos músicos!

Em tempo: os créditos à foto de capa são de Ana Mesquita.

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