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TEA, TDAH, TOD: Ana Cláudia Gardin fala do acolhimento aos pais após o diagnóstico dos filhos

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Receber um diagnóstico de TEA, TDAH, TOD ou qualquer outro tipo de Transtorno não é fácil para os pais. Por isso é tão importante o acolhimento a eles, tanto quanto às crianças e jovens. Para falar um pouco sobre como apoiar, orientar e informar a família neste momento tão delicado, as mídias Minha São José entrevistaram a neuropsicopedagoga Ana Cláudia Gardin, que desenvolve esse trabalho essencial, inclusive ao tratamento dos portadores de Transtornos.

Ela explicou como acolhe os pais, famílias e a importância de terem um profissional para expressar suas dúvidas e sentimentos, principalmente para conhecerem as reais condições dos filhos e saberem como lidar com elas, ressaltando, ainda, o papel da escola nesta construção diária.

“Quando a família recebe apoio, orientação e espaço para expressar dúvidas e sentimentos, tende a lidar melhor com os desafios do diagnóstico e do tratamento. O sucesso da intervenção não depende apenas do terapeuta, mas da parceria construída entre profissionais, família e escola”, observou.

E este apoio, muitas vezes vem de terapias, sendo que a neuropsicopedagoga salientou que muitos pais realmente precisam de acompanhamentos psicológicos como um cuidado a si próprios para enfrentar as muitas e cansativas rotinas junto aos filhos com Transtornos.

Ana Cláudia Gardin observou que a o tratamento não se restringe à criança ou jovem com Transtornos, mas estende-se a aos pais, à escola

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Minha São José: Ana Cláudia, como é feito o acolhimento dos pais em relação aos filhos com transtornos que você atende?

Ana Cláudia Gardin: Inicio todos atendimentos com uma anamnese, para que eu possa estar por dentro de toda gestação da criança, o quadro da gestação, todo comportamento psicológico da mãe.Além disso abrir espaço, neste primeiro momento, para que esses pais/responsáveis expressem suas queixas, dificuldades em lidar com algumas situações, sendo uma parte fundamental deste cuidado, tanto às crianças e jovens, quanto a eles. Quando a família recebe apoio, orientação e espaço para expressar dúvidas e sentimentos, tende a lidar melhor com os desafios do diagnóstico e do tratamento. Este primeiro contato envolve escuta ativa e empatia, informações claras e acessíveis, validação emocional, orientação para o manejo do cotidiano, fortalecimento da rede de apoio, e a promoção do auto cuidado dos cuidadores. O acolhimento não significa apenas transmitir informações, mas construir uma relação de confiança entre profissionais, criança e família, favorecendo a adesão ao tratamento e o desenvolvimento do paciente.

Você sente que os pais relutam em aceitar/compreender o que são esses transtornos?

Sim. Já aconteceu casos em que o médico dá o diagnóstico e os pais não buscam ajuda, e muitas vezes por não saberem o que é aquele Transtorno. Inclusive, eles buscam ajuda e querem saber o que realmente está acontecendo quando a criança começa a ter comportamentos inadequados para a idade. Neste caso, temos que instruir muito bem a família, poder dar o apoio necessário, pois muitos casos a família só busca ajuda mesmo quando acontece a rigidez da criança, seus comportamentos já estão severos.

Como você explica tudo isso aos pais?

Tento explicar, da forma mais clara possível, que esses Transtornos são condições que afetam o desenvolvimento do cérebro e podem influenciar áreas como aprendizagem, linguagem, comportamento, atenção, interação social e habilidades motoras. Além disso, que cada criança é única, por isso os sinais e as dificuldades podem se manifestar de maneiras diferentes, bem como que esses transtornos não definem a criança e não limitam seu potencial, sendo que com avaliação adequada, intervenções especializadas e o apoio da família e da escola, é possível desenvolver habilidades, promover autonomia e melhorar a qualidade de vida. Chamo sempre a atenção de que o papel da família é fundamental nesse processo. Quando pais, escola e profissionais trabalham juntos, a criança recebe o suporte necessário para alcançar seu desenvolvimento de forma mais efetiva.

Qual é a importância dos pais no acompanhamento das terapias?

Os pais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da criança. A terapia não acontece apenas durante as sessões: os maiores aprendizados ocorrem quando as estratégias trabalhadas pelos profissionais são reforçadas no dia a dia da criança. Quando a família participa ativamente do processo terapêutico, observando orientações, compartilhando informações e aplicando as estratégias em casa, os resultados tendem a ser mais significativos e duradouros. Além disso, os pais são importantes parceiros na identificação de avanços, dificuldades e necessidades da criança. A comunicação entre família, terapeutas e escola contribui para que todos trabalhem com os mesmos objetivos, favorecendo o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e acadêmico. Cada conquista da criança é fruto de um trabalho em equipe. Quando família e profissionais caminham juntos, estes criam um ambiente seguro, acolhedor e estimulante para o aprendizado e a evolução.

Você acredita que os pais também precisam de terapias quando se tem um diagnóstico de Transtornos a seus filhos?

Sim, muitos pais também precisam, pois é cansativa a rotina, eles precisam de um momento para ‘colocar para fora’, para poder desabafar o que sentem, até mesmo para relaxar um pouco, pois eu vejo o quanto é desafiador e desgastante para os pais a rotina diária. O terapeuta fica com o paciente entre 30 a 50 minutos, a família é a convivência diária, é constante, são 24 horas, sabemos que acaba sendo exaustivo para eles, por isso a importância das terapias também com familiares.

Ana Cláudia, para finalizar, o que diria aos pais que receberam esses diagnósticos relativos aos filhos?

Que o diagnóstico não rótula a criança, não é um limite na vida da criança. É apenas a forma em que usamos para poder desenvolver todo o aspecto comportamental, cognitivo, emocional e social. Entendo que este momento pode trazer muitas dúvidas, preocupações e emoções. É natural que vocês precisem de um tempo para compreender tudo isso. O diagnóstico não define quem seu filho é, mas nos ajuda a entender melhor suas necessidades e potencialidades. Como disse, cada criança é única. O diagnóstico é um ponto de partida para que possamos planejar intervenções adequadas e favorecer seu desenvolvimento da melhor forma possível. Olhem para as capacidades do seu filho, não apenas para as dificuldades. Vamos valorizar cada conquista, por menor que pareça, porque cada avanço é importante. “Seu filho continua sendo a mesma criança amada de sempre. O diagnóstico não muda quem ele é. Ele apenas nos mostra o melhor caminho para ajudá-lo a aprender, crescer e desenvolver todo o seu potencial, melhorando sua qualidade de vida em todos os aspectos.

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