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Agricultura: Dr. Teixeira fala da tecnologia que ajuda, mas não substitui a vontade e a ação do homem no campo

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

A agricultura é, atualmente, uma das áreas em que a tecnologia mais auxilia, desde o desenvolvimento da semente, às melhorias do solo ao êxito nas colheitas e proteção da terra, até o cotidiano agrícola, com equipamentos como drones, plantadeiras, colheitadeiras, (quase tudo) sem mais necessitar do homem, mas será mesmo?

Nesta semana, o bate papo com o Dr. Antônio Teixeira Filho também foi voltado à sua atuação como produtor, onde expôs opiniões acerca dos arrojos da tecnologia versus o conhecimento do próprio agricultor que, segundo ele, podem, devem e deverão sempre andarem de ‘mãos dadas’.

“É inegável que a tecnologia auxilia o homem do campo e aos profissionais que nele atuam, e tudo isso, ao menos aqui no Brasil, começou com mãos humanas: a EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, que revolucionou a agricultura. Apenas citando o exemplo do cerrado, que os ‘antigos’ observavam que não era bom ‘nem dado’ e ‘nem herdado’, após a atuação da EMBRAPA se tornou uma das melhores áreas cultiváveis e produtivas – um celeiro para o mundo”, observou.

E, ao longo dos anos, a tecnologia também está cada vez mais presente na Empresa. “A tecnologia, sempre aliada ao também conhecimento, experiência e vivência humanos, vem transformando as plantações, principalmente garantindo seus teores físico, químicos e funcionais, proporcionando qualidade à ela e a tudo que nela for plantado, ou seja, fazendo-a fonte de renda, porém com responsabilidade, sustentabilidade, coisa que não se via antigamente”, afirmou.

As boas práticas agrícolas, como as muitas que vemos hoje, inclusive verdadeiras revoluções no campo como o plantio direito, a pulverização por drones, entre tantas outras ações tecnológicas só estão sendo possíveis devido à dedicação de grandes profissionais da agricultura, sendo engenheiros, técnicos, pessoas que se comprometeram a estudar a terra como o médico estuda o paciente. “Atualmente, estes profissionais promovem assistência como se realmente a terra fosse um bebê. Eles são os médicos da terra e fazem jus a isso. Utilizam-se da tecnologia ao aprimoramento dos estudos, para também utilizarem-se dela às ações/atividades do dia-a-dia, junto aos agricultores, desde as pequenas propriedades aos grandes latifúndios”.

Entretanto, qual será a característica do agricultor dos anos 60, 70, que prevalece e ajuda o produtor nos dias atuais? Dr. Teixeira foi enfático: “A teimosia e a vontade. Vejo o produtor, e me incluo nisso, como um maluco, que guarda muito conhecimento e vivências sobre a terra. Os bastidores da produção no Brasil são de arrepiar, amedrontar, mas é preciso seguir, assim como os agricultores de décadas atrás faziam: tinham medo, receio, mas cultivavam, cuidavam, colhiam. Acho que sermos teimosos e agirmos nenhuma tecnologia substituirá! Soma-se a isso a coragem do agricultor, pois a agricultura, mesmo com toda tecnologia disponível é vulnerável, não é linear. Veja as mudanças que estão sendo que ser feitas por conta do El Niño neste ano, pelo menos em Goiás, justamente para perdermos menos, mantermos qualidade e preço na soja. Enfim, embora a tecnologia seja uma grande aliada, imprescindível ao produtor, este será sempre esse sujeito, que com sua teimosia, vontade e ação transforma e transformará a terra”, concluiu.

No registro, de março deste ano, Dr. Teixeira com a soja colhida em sua propriedade em Cristalina/GO: “O produtor é um maluco, que alia sua coragem, vontade e ação junto com a tecnologia, para garantir a comida na mesa”
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