CIDADEDESTAQUEGERAIS

Autismo: Ana Cláudia Gardin destaca Seminário ABA ao TEA e a importância do trabalho “Terapia, Família e Escola”

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Sempre aprimorando seus conhecimentos à prestação de atendimentos a seus pacientes, a psicopedagoga e neuropsicopedagoga Ana Cláudia Gardin participou do 1º Seminário ABA ao TEA, baseado em Neurocência, que foi promovido pela INA – Instituto de Neuriciência em Autismo, com a participação de grandes nomes na área, a exemplo do Dr. Thiago Castro, Prof. Dr. Claudio Sartillo e Prof. Dr. Douglas Borella. Ela também foi uma das participantes do curso de avaliação ABA em TEA, realizado pelo professor Fabio Coelho, ambos de forma online.

Em depoimentos ao site e jornal online Minha São José, Ana Cláudia, que é pós-graduada em Análise do Comportamento Aplicado ABA, e atualmente estuda a Neurociência pela INA, além de mestrado em Análise do Comportamento Aplicado ABA, destacou alguns pontos dos cursos, principalmente relativo ao atendimento das demandas de crianças autistas no Brasil, cujo número vem crescendo diariamente. E a Terapia ABA – Análise do Comportamento Aplicada pode ser muito válida se realizada de forma correta, em parceria adequada com terapeutas multidisciplinares, família e escola”, observou. 

Ana Cláudia explicou que o bebê nasce com apenas 300 gramas do cérebro formado, e, só após os três anos é que começa o desenvolvimento do cérebro da criança. “Toda essa formação, esse desenvolvimento tem que ser movido por estímulos nos primeiros anos de vida, principalmente estimulando os movimentos da criança, quando começa engatinhar, colocando brinquedos para ela pegar, brincar, também por meio de músicas infantis para o bebê, desenhos infantis, pois estes estimulam a fala, a visão. Porém, aqui faço um adendo: desenhos precisam ser na TV, não em celular, pois o celular atrapalha o desenvolvimento da criança, e assistindo na TV a criança pode explorar seus brinquedos no chão, desenvolver suas habilidades motoras”, observou.

A neuropsicopedagoga destacou, ainda, outras situações importantes ao desenvolvimento da criança nesta primeira infância. “A criança tem que cair sim, tem que aprender a se desenvolver de forma completa, nos primeiros anos de vida. Além disso, destaco a alimentação das mães na gestação e as primeiras alimentações também são importantes para o desenvolvimento da criança, pois ele precisa de vitaminas e nutrientes para que haja desenvolvimento motor, atenção, memória, linguagem e desempenho cognitivo geral”.

Ana Cláudia chamou a atenção ao desenvolvimento da Terapia ABA sempre em conjunto às ações em família, escola, para melhores resultados junto aos pacientes com TEA

A OBSERVAÇÃO AO INÍCIO DA TERAPIA ABA

Ana Cláudia ressaltou que há cinco habilidades que os profissionais que aplicam a Teoria ABA precisam observar para iniciar a mesma junto aos pequenos pacientes, sendo a “Atenção Compartilhada”; “Seguir Instruções”; “Imitação – Neuro-Espelho; “Brincar” e “Pedir”.

“Com essas sondagens nós conseguimos priorizar o aumento de chances no desenvolvimento e acompanhamento escolar. A criança deve seguir o mesmo caminho, a mesma linguagem, sendo que a avaliação inicia com a anamnese com os pais e observando a criança. Por isso a importância da avaliação e essa avaliação ser passada por todo o lugar de convivência da criança, sendo que ela deve ser avaliada em todo lugar em que ela frequenta. O Analista, se possível, e autorizado pelos pais, pode ir até a lugares em que a criança se encontra, principalmente ambiente escolar”.

Sobre a importância da Terapia ABA ao desenvolvimento da criança com TEA, a profissional afirmou que é essencial quando a criança-bebê não responde estímulos, como por exemplo, chama-la pelo nome e não há resposta; quando não há visão da criança, quando não há socialização,  quando existe restrição alimentar, pois estes são fatores para serem investigados, e se diagnosticado no início é importantíssimo iniciar o tratamento para desenvolvimento da criança, já que as estereotipias, a fala repetitiva são algumas características do TEA.

Ela chamou a atenção à presença da figura paterna ao desenvolvimento da criança diagnosticada com TEA. “A presença do PAI, não apenas da Mãe, mas do PAI é muito importante no desenvolvimento, pois para a criança com TEA, um simples cantar parabéns, luzes, ruídos, até choro de outra criança, pode causar crises, e a presença do PAI, faz com que a criança se desenvolva melhor, o PAI estar ajudando nos estímulos. Notamos que estar com a Mãe e o PAI juntos faz com que ela tenha mais confiança em seu desenvolvimento”, afirmou.

AMBIENTE CLÍNICO, FAMILIAR E ESCOLAR

A neuropsicopedagoga salientou que as terapias ABA podem ser desenvolvidas de 20 a 40 sessões semanais, mas essas sessões têm que ser evoluídas em um contexto total da criança, em todo ambiente que ela está envolvida. “A profissional em Análise do Comportamento faz toda uma avaliação dos comportamentos da criança, envolvendo sua rotina diária, escola, ambiente familiar, terapias, ambiente social. No início das terapias são importantes, sim, as 40 sessões semanais”.

Ela também falou sobre o ambiente da clínica onde essa criança passará por análises e terapias. “O espaço clínico tem que ser compatível para um desenvolvimento infantil saudável na terapia ABA, com estímulos para que o desenvolvimento aconteça de forma evidente. Atividades físicas, contato com ambiente natural, atividades ao ar livre, por exemplo, estão associados a benefícios para cognição em crianças e adolescentes, aumentando a cognição, concentração, memória de trabalho e controle inibitório”, disse, acrescentando que o artigo de Evans (2021), reúne evidências mostrando que a característica física do ambiente, como ruídos, superlotação, além do caos e baixa qualidade estrutural também de moradias e escolas estão consistentemente associadas a prejuízos no desenvolvimento cognitivo, socioemocional e fisiológico da criança. A revisão indica que a exposição crônica ao ruído está relacionado a pior desempenho em leitura, dificuldades de percepção da fala e aumento de indicadores fisiológicos de estresse, como elevação de pressão arterial e hormônios do estresse. Crianças expostas a ambientes ruidosos tendem a desenvolver estratégias de desligamento auditivo, embora adaptativo a curto prazo, acaba comprometendo o processamento da fala e a aquisição da leitura.

“Toda essa preocupação, não apenas no ambiente da clínica ou espaço onde passará por terapias, junto ao ambiente caseiro e escolar fazem parte do contexto em que a criança convive diariamente e pode interferir, de maneira positiva ou negativa, em seu desenvolvimento. Muitas vezes não são medicações que a criança precisa tomar para que haja desenvolvimento, atenção, e sim uma vida estruturada, ambiente familiar, escolar e social adequados”.

Ana Cláudia também alertou ao uso frequente de telas por crianças com TEA. “Há relatos de problemas de inibição, atenção e autorregulação, sendo que, além da terapia ABA, as terapias com psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e a equoterapia auxiliam muito no desenvolvimento da criança. Na equoterapia, por exemplo, esse contato com o cavalo, o galopar, são movimentos que contribuem na rigidez, no desenvolvimento motor, no cognitivo, na concentração para crianças diagnosticadas com TEA, TDAH, TOD, e outros diversos transtornos. Além disso, incluo, ainda, a prática de esportes, a musicoterapia, que auxilia na cognição, na atenção, e que ajudam no desenvolvimento complementar da criança, cujas intervenções são baseadas em evidências”.

A neuropsicopedagoga observou, ainda, a importância do ambiente clínico ao desenvolvimento das terapias, especialmente a ABA, ao desenvolvimento do paciente

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA TERAPIA ABA

A profissional observou, ainda, que é importante saber os valores da família na Análise do Comportamento. “Eu não posso montar essa intervenção sem saber o que a família pensa, a forma de agir perante a situações, a sua adaptação aos tratamentos, pois não é terapia se a criança faz todo o acompanhamento na clínica e em casa não há estímulos, já que desta forma o desenvolvimento não acontece. Se a criança começa com as 40 sessões semanais e depois tem um bom desenvolvimento, se adaptando ao mundo social, as sessões diminuem e outras atividades importantes podem ser colocadas no lugar, pois o nível de autismo diminui e ela pode sim ter uma vida normal, trabalhar, administrar seu próprio dinheiro, mas sempre em contatos terapêuticos para que não haja regressão e sim que progrida cada vez mais”, afirmou.

Ana Cláudia relatou que presencia diversos casos de atendimento onde a família ‘trabalha junto’ com a terapia e o progresso é notável. “A Terapia ABA precisa produzir resultados na criança de 6 a 12 meses, resultados favoráveis, desta forma ela vai diminuindo seu nível, pois começa a se socializar e desenvolver o cognitivo de forma eficaz”.

Ela orientou, ainda, a importância do encontro com os pais e a escola a cada seis meses para que o mesmo trabalho seja realizado junto a ambos e esse desenvolvimento aconteça de forma mais rápida.  

“ABA diminui a vulnerabilidade e ao mesmo tempo melhora a qualidade de vida das pessoas com TEA. Quando a criança adquire pré requisitos, ela pode desenvolver outras atividades, podendo ter melhor qualidade de vida e desenvolvimento na aprendizagem, no socioemocional, cognitivo, linguagem, pois a criança exposta a um ambiente acolhedor, de linguagem contingente, apresenta maior desfechos de linguagem e aprendizagem. Por isso é importante que a equipe interdisciplinar, a família e a escola, além das atividades terapêuticas, trabalhem juntas”.

Ana Cláudia deu um exemplo claro de como a comunicação é importante em todos os espaços que a criança com TEA frequente. “A comunicação, mesmo que a criança não responda, ela deve ouvir, e saber que a comunicação foi direta com ela, para que sua fala e todo o seu desenvolvimento vá acontecendo. Pode ser que ela não vá responder, olhar para você, mas ela sabendo que a comunicação foi com ela, vai fazer com que desenvolva e comece a olhar quando ouve seu nome, ouvir o que você quer falar e até mesmo responder a perguntas feitas e falar com você sobre o que quer contar e a ter comunicação oral”.

Para finalizar, a neuropsicopedagoga foi enfática: “Sem uma avaliação de qualidade, não há uma intervenção de qualidade, não há um desenvolvimento de qualidade. É claro que há desafios para essas avaliações, mas também há métodos que podemos usar, com autorização dos pais, para que esse desenvolvimento aconteça de forma correta e concreta. Essa é a chave que a criança com Transtorno do Espectro Autismo TEA precisa para desenvolver suas habilidades Cognitivas, Sociais e Emocionais no seu dia a dia, no ambiente em que vive”, concluiu.

error: Caso queira reproduzir este conteúdo, entre em contato pelo e-mail: minhasaojose@uol.com.br