Fevereiro Roxo: Médica Reumatologista Dra. Raquel Costa Sousa fala sobre o Lúpus e a Fibromialgia
Em alusão ao Fevereiro Roxo, a Santa Casa de Misericórdia Hospital São Vicente traz informações relevantes sobre as duas doenças, que fazem parte das ações de conscientização e prevenção da Campanha, por meio de entrevista com a médica reumatologista Dra. Raquel Costa Sousa – Cremesp 152198.
Ela é graduada pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), no ano de 2007, passou por Residência Médica em Clínica Médica e em Reumatologia, concluídas em 2010 e 2012, respectivamente, ambas pela UFTM.
Ela destacou os sintomas, os tratamentos, observando também sobre os diagnósticos de ambas. Dra. Raquel chamou a atenção, ainda, aos impactos na saúde e na conscientização ao Lúpus e à Fibromialgia, principalmente acerca da importância do diagnóstico precoce.

Confiram, abaixo, a entrevista, e conheça mais sobre as doenças.
Dra. Raquel, o que o Lúpus?

Dra. Raquel Costa Souza: Lúpus é uma doença inflamatória crônica e autoimune que leva a inflamação dos tecidos previamente saudáveis do corpo. O Lúpus cutâneo afeta a pele, e o Lúpus eritematoso sistêmico pode afetar qualquer órgão ou tecido do corpo.
Quais são os principais sinais e sintomas da doença?
O Lúpus eritematoso sistêmico afeta cada paciente de uma forma, acometendo principalmente pele, articulações, sangue, pulmões, rins e cérebro. Os principais sinais e sintomas gerais são febre, fadiga e perda de peso.
* Na pele pode causar manchas vermelhas no rosto e áreas do corpo expostas ao sol, sensibilidade exagerada ao sol, queda de cabelos e alteração da cor em dedos das mãos (arroxeamento ou palidez).
* Nas articulações causa dor e inchaço (artrite) e nos músculos pode levar a fraqueza muscular (miosite).
* Nos rins pode levar a nefrite, uma manifestação frequente e potencialmente grave tendo como sintomas iniciais inchaço no corpo, pressão alta e mudanças na urina.
* Nos pulmões e coração leva a inflamação de pleura e pericárdio tendo como sintomas dor no peito, tosse seca, falta de ar (dispneia) e palpitações.
* No sistema nervoso central pode levar a mudanças de humor, depressão e ansiedade, convulsões e acidente vascular cerebral.
* No sangue pode se apresentar como anemia, queda de células de defesa(leucopenia) e queda de plaquetas (plaquetopenia).
Quais são os impactos na saúde?
Como a doença pode atingir qualquer órgão ou tecido, e por se tratar de uma doença crônica que exige tratamento e acompanhamento frequente, o lúpus tem um grande impacto na saúde física, emocional e social e exige acompanhamento multiprofissional.
Como é realizado o tratamento e o acompanhamento?
Não existe cura para o Lupus. O tratamento precoce, uso correto das medicações, e o seguimento regular com reumatologista permitem um melhor controle do quadro inflamatório autoimune e o objetivo é atingir a remissão da doença. O tratamento inclui manter hábitos de vida saudáveis (não fumar, não beber, bom sono, manter dieta equilibrada e atividade física regular, e redução do estresse), evitar a exposição ao sol e utilizar proteção solar, e uso de medicações imunossupressores a depender do acometimento de cada paciente.
E quais os principais motivos à demora no diagnóstico e desafios do tratamento?
Como a doença pode atingir qualquer órgão do corpo, o paciente pode demorar a fazer consulta com o reumatologista retardando o diagnostico e o inicio do tratamento. O diagnóstico precoce e o tratamento especializado fazem a diferença no controle da doença .
Como deve ser promovida a conscientização sobre o Lupus?
A importância de se divulgar sobre a doença e seu tratamento é garantir mais diagnósticos precoces e acesso ao especialista – reumatologista, com consequente melhor resposta ao tratamento.
Quais as suas considerações finais sobre a doença?
Lúpus eritematoso sistêmico é uma doença grave que exige tratamento especializado e acompanhamento regular garantindo controle dos sinais e sintomas da doença. Quando bem controlado o paciente consegue levar uma vida normal, podendo realizar suas atividades e melhora da qualidade de vida.
VAMOS SABER MAIS SOBRE A FIBROMIALGIA?
Dra. Raquel, o que é a Fibromialgia?
Fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica caracterizada dor generalizada associado a aumento de sensibilidade, alterações de humor e sono, fadiga e cansaço.
Quais são os principais sinais e sintomas?
A Fibromialgia apresenta dor generalizada por mais de 3 meses, persistente e podendo apresentar crises com variadas intensidades, sensibilidade ao toque exacerbada, fadiga, alterações do sono como insônia, sono não reparador e despertares noturnos, rigidez matinal, dores de cabeça (cefaleia), síndrome do intestino irritável, ansiedade e depressão.
E quais são seus impactos na saúde?
A Fibromialgia é uma das mais prevalentes doenças reumáticas, afetando milhões de indivíduos no mundo. No Brasil estima-se que ocorra em 2,5-5,5% da população. Caracterizada por dor crônica pode se tornar debilitante com perda de funcionalidade.
Fale um pouco sobre o diagnóstico da doença.
O diagnóstico da Fibromialgia é baseado na história clínica e relatos do paciente. Não existe um exame ou marcadores específicos da síndrome, o que pode levar tempo e exige avaliações periódicas do médico especialista, resultando em atraso no diagnóstico.
Como é realizado o tratamento?
A Fibromialgia não tem cura, o tratamento visa alívio dos sintomas e melhora da qualidade de vida. O tratamento envolve acompanhamento multiprofissional com educador físico, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo, e médico. Inclui exercícios físicos, dieta equilibrada, fisioterapia, acupuntura, terapia cognitivo comportamental, redução de estresse, educação em saúde, auto cuidado e uso de medicamentos. O tratamento deve ser personalizado de acordo com as necessidades individuais.
Quais as suas considerações finais sobre a Fibromialgia?
Nas últimas décadas tivemos avanços significativos no entendimento dos mecanismos da Fibromialgia e ajuste das estratégias terapêuticas, principalmente na intervenção não farmacológica. O cuidado com o paciente com Fibromialgia requer compreensão, equipe multiprofissional preparada, o uso de estratégias farmacológicas e não farmacológicas e acompanhamento periódico com especialistas.
Texto: Natália Tiezzi – Assessoria de Comunicação Santa Casa/SAVISA





