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A Crônica da Semana: Mais do que ouvir, atente aos mais velhos!

Escutar os mais velhos sempre foi sinal de sabedoria desde que o mundo é mundo. Todavia, em tempos onde o tempo é cada vez mais escasso, o sentar, ouvir e até atentar aos 60+ se tornou tarefa quase impossível: seja pelo relógio, seja pela nossa própria impaciência à velhice.

Idosos têm costumes peculiares e, obviamente, tem que ter paciência para eles, principalmente àqueles que já não possuem uma boa memória, lembram com facilidade do passado, porém esquecem repetidamente do presente.

Pois digo a vocês: um dos privilégios dessa vida é poder ouvir pessoas mais velhas. Falo por experiência: a cargo de dois trabalhos que realizo tenho a honra de conviver com duas pessoas, já idosas, semanalmente.

Sentar e conversar com ambas, além de uma distração, é um grande aprendizado, pois dividem comigo situações que vivenciaram, fazem contrapontos com a atualidade, destacam fases que não vivi, mas por meio de seus relatos consigo imaginar.

A troca entre gerações é fantástica: dá vazão ao conhecimento, à criatividade e à escuta, tão rara ultimamente, e, por vezes, tão necessária, tanto aos mais velhos, quanto aos mais jovens.

Entre as tantas coisas que aprendi, sempre úteis, destaco áreas da medicina, da agricultura, do comércio, do ajudar ao próximo sem esperar nada em troca, entre tantas outras.

Ouvir os mais velhos se tornou, para mim, aprendizado semanal. ‘Doses homeopáticas’ de saber, de tudo um pouco, para o dia-a-dia, para a vida!

E o que dizer dos avós? Se você tem os seus com vida, se ainda pode conviver com eles, visite-os. Tire um tempo só para ouvir o que eles sempre tem de bom a dizer. Se as palavras ficarem repetidas, por vezes sem direção ao tempo passado e presente, mesmo assim escute, pois, um dia, todos envelheceremos e será bom termos alguém que nos ouça.

Hoje, num dia chuvoso como esse, já não posso ir à casa de meus avós. Não os tenho comigo. Mas, se ainda os tivesse, tiraria um tempo para sentar junto com eles, tomar um demorado café e ouvir as boas histórias que, sem dúvida, teriam a contar.

Neste cotidiano frenético, onde está cada vez mais difícil falar (inclusive com os amigos), pois experimente também ‘trocar aquela ideia’ com a terceira idade. Eles também nos ouvem (e gostam disso). Destas conversas, tenha certeza que haverá sempre um bom conselho, um boa risada ou… um bom puxão de orelha!

Que saibamos dividir nosso tempo junto aos idosos, sejam familiares ou não. Tempo com pessoas mais velhas jamais será gasto: será sempre investido! A convivência com os 60+ por vezes pode ser conflitante, difícil, mas é, no mínimo, inspiradora! Ainda temos muito a aprender com eles (e eles um pouco conosco).

Natália Tiezzi

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