Transtorno do Espectro Autista: a informação reduz o preconceito

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Fonoaudióloga Greici, terapeuta ocupacional Aline e psicóloga Gabriela integram a equipe da Medicina Preventiva da Unimed

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o autismo atinge 1 em cada 160 crianças no mundo e 2 milhões de pessoas somente no Brasil. Declarado pela própria ONU em 2007, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, 2 de abril, tem como objetivo difundir informações para a população sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e contribuir para reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas pelo transtorno.

No Brasil, a data é celebrada com um tema único para todo o país; este ano, o tema foi “Lugar de autista é em todo lugar!”.

Entretanto, infelizmente o autismo ainda é visto como um tabu. As pessoas tendem a ter uma visão errada do que é esse transtorno e quais são as características de uma pessoa autista. Por isso, a importância de se falar cada vez mais sobre o tema.

Na Unimed Rio Pardo, o departamento de Medicina Preventiva conta com uma equipe de profissionais especializadas (fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e psicóloga) no atendimento a crianças com TEA.

“Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento. Isso significa que algumas de suas funções neurológicas não se desenvolvem como deveriam nas respectivas áreas cerebrais dos indivíduos acometidos por ele. É uma condição complexa!”, explica a fonoaudióloga Greici S. Roque Carvalhaes, que é especialista em Transtorno do Espectro Autista e em Análise do Comportamento Aplicada.

Ela diz que o próprio nome “Transtorno do Espectro Autista” dá uma ideia de sua amplitude e variedade, o que torna o indivíduo com autismo um ser único.

Níveis de autismo

Segundo Greici, atualmente são usados os termos Nível I, Nível II e Nível III de suporte, com base nos níveis de apoio e de intervenção que a pessoa com autismo precisa receber. “No Nível I estão os indivíduos que precisam de pouco auxílio, pouca intervenção terapêutica para realizar as atividades da vida; no Nível II estão os que precisam de mais apoio e intervenção terapêutica, com déficit de interação social mais acentuado, comportamentos restritos e repetitivos, dentre outros; já os indivíduos pertencentes ao Nível III precisam de apoio intenso, com déficits severos em comunicação verbal e não-verbal, prejuízo intenso na interação social, comportamentos restritos e repetitivos que interferem no seu contexto diário, entre outros.”

Causas, sinais e sintomas

A terapeuta ocupacional Aline Mara Ferreira Souza, que é especialista em Saúde da Família e Reorganização Sensorial no Autismo, explica que o autismo não possui causas totalmente conhecidas, embora haja evidências de predisposição genética para ele. “Pesquisas recentes apontam que 90% dos casos de autismo são genéticos, sendo 80% hereditários.”

Aline cita os principais sinais e sintomas que caracterizam o TEA: demora ou incapacidade para desenvolver a fala; dificuldade de manter contato visual; movimentos repetitivos; alteração nas funções motoras; dificuldade de concentração; problemas de autonomia (dificuldade de se vestir ou se alimentar por conta própria); alterações sensoriais; sensibilidade a alguns sons; seletividade alimentar; problemas com mudança de rotina; apego a determinados objetos; andar/correr na ponta dos pés; inabilidade social; alterações comportamentais, dentre outros. “Lembrando que cada indivíduo é único e nem sempre irá apresentar todos os sinais citados”, ressalta.

Mais comum em homens

Pesquisas demonstram que o TEA é mais comum em pessoas do sexo masculino. “Homens são mais vulneráveis a desordens neurológicas como o autismo do que mulheres, mas os cientistas ainda não sabem a causa dessa discrepância. O sexo feminino precisa de mutações genéticas mais extremas para o desenvolvimento de distúrbios neurológicos”, diz a terapeuta ocupacional Aline.

Tratamento do TEA

O autismo não tem cura, mas se for diagnosticado de forma precoce, maiores são as oportunidades de a criança se desenvolver. “Os tratamentos mais indicados são as terapias baseadas na Ciência da Análise do Comportamento (ABA), podendo ser: psicoterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, entre outras, além das Práticas Baseadas em Evidências (PBEs)”, diz psicóloga Gabriela Giacon, que é especialista em Análise do Comportamento Aplicada e em Práticas Psicoeducacionais Baseadas no Ensino Estruturado.

Questionada se é possível ao autista ter uma vida normal, a psicóloga explica que é preciso considerar dois pontos fundamentais: o primeiro é qual o nível de autismo e a necessidade de suporte que a pessoa precisa; o segundo é entender o quanto de intervenção eficaz e efetiva essa pessoa recebeu desde o início de sua infância. “A partir disso, podemos pensar o quão independente essa pessoa poderá ser, pois, afinal, o que é ter uma vida normal?”.

Família, escola e sociedade

Para Gabriela, tanto a família quanto a escola e a sociedade possuem papéis importantes em relação à pessoa com TEA. “A família pode ajudar sendo ponte essencial entre as terapias, a escola e a sociedade. A partir disso, a escola poderia desenvolver papel fundamental ao promover espaços de interação social e ao realizar ensino estruturado e adaptado aos alunos com esta necessidade. E a sociedade, por sua vez, tem o papel de respeitar, acolher e compreender esse espectro tão amplo que é o autismo.”

Por Giselle Torres Biaco – Assessoria de Imprensa Unimed, encaminhada ao site.

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