Profº. Rina fala da carreira de quase 30 anos no DEC e a paixão pelo Handebol

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Aos 52 anos, casado e pai de duas filhas, Rina relembrou momentos marcantes como seu 1º emprego no DECET, em 1991, e de onde ele nunca mais parou de trabalhar

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Renato Tadeu Trovatto Ortega. Você conhece? Mas, se dissermos o “professor Rina do DEC” provavelmente vai se lembrar! E foi assim que ele ficou e é conhecido pelos amigos, alunos e ex-alunos que já passaram pelo Departamento de Esportes e Cultura de São José do Rio Pardo.

Rina é um dos mestres mais queridos e respeitados da Educação Física na cidade e, ao longo de quase três décadas, construiu uma relação de amizade e confiança no esporte, sendo o Handebol sua grande paixão por inúmeros motivos.

Aos 52 anos, casado e pai de duas filhas, Rina fez parte da 1ª geração de atletas da modalidade e se identificou tanto que consagrou sua carreira como professor e técnico de pelo menos quatro gerações. Tudo isso devido também ao saudoso professor e técnico Beto De Santis, a quem ele se recordou com carinho.

Atualmente, Rina é Professor de Educação Física e Coordenador na área esportiva e administrativa no DEC, mas já ministrou aulas em diversas escolas estaduais, particulares e universidades.

Durante a entrevista, ele contou detalhes de sua carreira, histórias engraçadas e fez questão de lembrar e agradecer pessoas que, de uma forma ou de outra, lhe ajudaram ao longo desta trajetória profissional de muitas conquistas, lágrimas, suor e, claro, sorrisos, aliás, essa última uma de suas marcas registradas e que contagia a todos. Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

No registro, Gustavo, Marinho, Rina e Beto De Santis: Grandes nomes de grandes conquistas no Handebol rio-pardense

Rina, por que você optou pela Educação Física? Você teve a influência de algum familiar, amigo?

Rina Trovatto Ortega: Então Natália, está no sangue: desde criança sempre pratiquei esporte em diversas modalidades, passando por grandes mestres que sempre me incentivaram. A estes, meu total respeito e consideração, que de uma maneira ou outra me levaram para este mundo tão especial. Espero não esquecer de nenhum deles: Seu Toninho Abichabki professor no período escolar (E.E Euclides da Cunha) –  Senhor José Feijó (Zé Feichinho) (Tênis A.A.R) –  Zulli, Senhor Gaeta e João Modesto (Futebol A.A.R) –  Professor Mário Rubens (Voleibol A.A.R) – Professor Beto De Santis (Handebol DEC) – Paulão Aguiar, Marcio Buosi (Gim) e Marco Antônio Rozeli (Biquinha) (Futsal DEC) –  Professor Agenor Ribeiro Neto (DEC)  Kaminsky e José Ricardo (Natação R.P.F.C) – Sensei Toninho (Judô DECET) – Professor Luizinho Abchabiki e Luís Antônio Franchiosi  (Inspetoria de Esportes do Estado de São Paulo) – Professor João Carlos Bortot ( Basquetebol Colégio Grafos e A.A.R) – Professor Osmar Mendes (DEC) – Maurilio Édson Basili (DEC) – Marlon Calegari da Silva (DEC) – José Osvaldo Costa (DEC), – José Carlos Zanetti (DEC) – Professor Iury Feres Abrão (DEC) – Professora Eliana Dipe (Academia e FEUC) – Professor Mário Frederico da Silva (meu parceiro de Handebol),  e Professora Dona Inês Feijó (E.E Euclides da Cunha e DEC), Marcelo José Barbosa (Magi) (DEC) – Lúcia Vitto (DEC) – Rinaldo Ortega (Liga Futsal/Voleibol), Carlos Henrique Rodrigues (Chimbica) (F.P.B e Liga Futsal), pessoas que além da minha amada esposa, filhas e meus familiares são muito especiais na minha opção e formação pela profissão.  GRATIDÃO!!!!! Continuando, por necessidade profissional comecei a fazer Administração de Empresa na FEOB de São João da Boa Vista, mas no decorrer do curso observei que não era o que gostaria para a minha vida.

E onde cursou Educação Física?

É outra história curiosa. Certo dia fui ao Tartarugão para assistir uma partida amistosa de Handebol entre São José do Rio Pardo contra São Carlos, e o Professor Beto De Santis, sabendo do meu interesse pelo esporte, sendo ex-atleta e pela desenvoltura com as regras de várias modalidades, pediu para que apitasse o jogo naquela noite. Pois bem, ao final da partida o Prof. Beto me chamou em um canto da quadra e fez o convite para começar a trabalhar como assistente técnico na modalidade de Handebol. Aproveitando o convite do grande mestre Beto e muito empolgado e feliz pela oportunidade, perguntei quanto a profissão de Professor de Educação Física e onde poderia fazer vestibular. Prontamente ele me indicou a Escola Superior de Educação Física de Muzambinho/MG, hoje Instituto Federal de Minas. No ano de 1991 prestei vestibular na Escola Superior de Educação Física de Muzambinho/MG, passando em segundo lugar no geral, começando, assim, a minha amada profissão.

Qual foi seu primeiro emprego na área? Quais locais/escola você ministrou aulas?

Meu primeiro emprego na área foi justamente como assistente técnico na modalidade de Handebol no Departamento de Cultura Esportes e Turismo – DECET, hoje DEC. Além do DEC, onde estou prestes a completar 30 anos de carreira, ministrei aulas de Natação no Rio Pardo Futebol Clube, aulas de Educação Física na E.E Euclides da Cunha, Colégio Objetivo, Colégio Unigrau, e fui professor docente na matéria de Natação, Basquetebol e Handebol na Faculdade Euclides da Cunha (FEUC) e professor docente na matéria de Handebol na Universidade Paulista (UNIP).

Quando iniciou seu trabalho no DEC?

Fui contratado, a pedido do Professor Beto De Santis, no dia 01 de Setembro de 1991, que por ironia do destino no ano de 1998 esta data foi oficializada como o “Dia do Profissional de Educação Física”. O convite teve aprovação dos responsáveis do DECET à época, sendo o Diretor Presidente Paulo Fernando Flamínio Peres e Diretor de Esportes e Lazer Luiz Carlos Anastácio, pessoas que me deram oportunidade a quem sempre serei grato.

Além do Handebol, quais outras modalidades você foi professor no DECET?

Também ministrei aulas de Basquetebol, Futsal e Natação, mas durante muitos anos fiquei à frente da Diretoria de Esportes do DEC, como Diretor e Coordenador.

Você ficou conhecido pelas aulas de Handebol, tendo o saudoso Beto De Santis como mestre. O que ele significou em sua vida profissional?

Natalia, perdi meu pai muito cedo, aos 12 anos de idade. Graças aos meus avós e minha querida mãe tive uma excelente formação e educação, mas como visto em praticamente toda nossa entrevista, minha estima pelo Professor Beto De Santis é muito grande. Além de ter a honra de poder trabalhar, conviver e adquirir os ensinamentos deste grande mestre, o considero como meu segundo pai, pois foi através dele que conquistei vitórias, prestígio, amizades e principalmente o amor pela profissão.  

Uma das equipes da Escolinha de Handebol: Rina já ministrou aulas na modalidade para, pelo menos, quatro gerações

Você tem alguma história especial, curiosa, engraçada, algum momento marcante vivido em todos esses anos no DEC?

Puxa vida, são quase três décadas de carreira no DEC, mais o período de atleta, haja visto que meu primeiro “Jogos Regionais” foi no ano de 1985, na cidade de Jundiai, meu Deus, como o tempo passa rápido! Bem, temos muitas histórias neste DEC, algumas engraçadas, outras tristes e algumas memoráveis e muito marcantes. Uma das mais memoráveis e engraçadas aconteceu no período dos Jogos Regionais na cidade de Itapira, quando ocupava o cargo de Diretor de Esportes e Lazer e chefiava a Delegação Rio-Pardense. Como de praxe e por responsabilidade temos as regras de horários nos alojamentos, ou seja, 22:00 horas alojamento fechado para saída ou entrada de atletas. Em um destes dias, eu, Beto, Marinho e Jair tínhamos um compromisso no Comitê Dirigente dos Jogos, onde aconteceria o Congresso Técnico. Solicitei a um funcionário do DEC que trancasse os portões às 22:00 horas e que ninguém mais entrasse ou saísse do alojamento. O problema é que depois do expediente este funcionário gostava de tomar uma pinguinha. Assim que saímos, por volta das18h00, meu querido amigo foi degustar sua pinguinha e acabou exagerando, mas como foi feito um pedido, ele cumpriu perfeitamente e fechou os portões às 22:00 horas conforme o regulamento. Voltamos para a Escola (alojamento), e quando fomos entrar o portão estava fechado como solicitado ao funcionário. Começamos a chamar o nosso amigo para abrir o portão, foi quando escutei dele: “Não vou abrir! O Rina deu ordem para ninguém sair ou entrar depois das 22:00 horas!” Falei que era eu que estava do lado de fora, mas ele, depois das pinguinhas, não reconheceu. Meu Deus, foi muito engraçado! No final tivemos que pular o portão, pois o mesmo não abriu e foi para o seu quarto dormir!   

Quais foram suas conquistas mais importantes como jogador e treinador? 

Como jogador, foi em um jogo aqui em São José, quando enfrentamos a equipe de Poços de Caldas. Este jogo valeu pois nos deu a chance de disputar os Primeiros Jogos Regionais com a modalidade de Handebol. Participando da Comissão Técnica, onde era composta pelo Prof. Beto De Santis, eu e o Prof. Marinho Silva, sem dúvida nenhuma foi a conquista do Campeonato Brasileiro Escolar no ano de 2000 em Brasília.

Depois de todos esses anos, pode-se dizer que o Handebol é o esporte da sua vida?

Com certeza Natália! Para falar a verdade eu comecei e fiquei muito tempo no futebol, futsal e basquetebol, onde disputei várias competições organizadas por Federações, Ligas e Associações Esportivas, além do tênis que também fui federado e disputei algumas competições estaduais. O Handebol veio um pouco depois com a chegada do Professor Beto De Santis em São José do Rio Pardo, onde formamos a primeira geração na modalidade. E foi o Handebol que me proporcionou muita experiência, tanto como atleta e depois como técnico, fiz muitas amizades, conheci várias cidades e estados, e com certeza me fez um homem de bem. Hoje continuamos com o trabalho de iniciação e com equipes de treinamento no DEC, juntamente com o projeto da Associação Regional de Handebol denominado Escolinha de Handebol, onde cerca de 200 crianças são atendidas, recebendo uniformes, transporte e kit frutas (complemento alimentar). Este projeto é feito através de captação de recursos da Lei Paulista de Incentivo ao Esporte. Não poderia esquecer dos meus parceiros no Handebol, Luís Fernando Tempesta, Luciano Augusto Darin e Mário Frederico da Silva que continuam com o propósito de fomentar principalmente a formação de crianças e adolescentes junto a sociedade.

Hoje em dia está realmente difícil o esporte competir com a tecnologia em relação a atenção das crianças e adolescentes? O que fazer para mudar essa situação e trazer esses jovens aos esportes?

Ótima pergunta Natália. Realmente esta cada vez mais difícil trazer os jovens e adolescentes para o esporte, mudou demais, não vejo mais aquele entusiasmo nos jovens. A cada dia, trabalhando com a Educação Física percebo o desinteresse para com o esporte, independente de modalidade. Creio que precisamos de uma política mais forte voltada para o esporte no Brasil. Infelizmente tivemos Jogos Olímpicos que poderiam ter sido um canal para a arrancada do esporte em nosso país, mas o legado foi jogado fora através de dirigentes corruptos e governantes desonestos. O esporte ainda é uma das melhores ferramentas para a salvação de muitas crianças e adolescentes, e para voltar a trazer esses jovens para a prática dos mesmo deveríamos copiar os projetos de países que os levam a sério como, por exemplo, o Japão. Neste país e em outros, o esporte começa muito cedo e sério nas escolas, onde o governo oferece subsídios para iniciação e fomento de várias atividades esportivas, gerando, assim, qualidade de vida e para muitos uma formação como atleta de ponta. Embora diante de muitas dificuldades, ainda acredito que seremos um grande potência no esporte mundial.

Com o saudoso Beto De Santis, o 8º em pé da esquerda para a direita: “Gratidão e aprendizado – Foi meu segundo pai”

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