Influencer digital: Ana Maria Maldonado fez do trabalho secundário uma profissão

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A influenciadora garantiu que nunca comprou seguidores e almeja o reconhecimento de seu trabalho nacionalmente

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Uma profissão do futuro ou uma realidade? A influência digital deixou de ser apenas uma opção para se tornar uma excelente estratégia para que empresas, profissionais, produtos e serviços se tornassem mais conhecidos pelas redes sociais, em especial o Instagram. Os influenciadores digitais ganharam mais espaço e trabalho, principalmente na pandemia, onde muitos negócios só se mantiveram de pé por conta dos influencers e suas lives de sucesso.

E o que era uma opção para as empresas se tornarem mais conhecidas também se tornou uma oportunidade de trabalho para muitos rio-pardenses, a exemplo de Ana Maria Maldonado da Silva, ou simplesmente Ana Maldonado, como costumam chama-la. Carismática, comunicativa, ela vem se destacando quando o assunto é influenciar por meio do Instagram.

Em entrevista ao www.minhasaojose.com.br, Ana contou um pouco de sua agitada rotina de trabalho e também relembrou como a influência digital surgiu e praticamente mudou sua vida.

Ela, que também é empresária do ramo da moda, destacou que pretende dar mais ênfase à sua loja, a AnaBlô, que é uma junção de seu nome com ‘blo’ de blogueira, neste ano de 2022, bem como almeja ter seu trabalho reconhecido nacionalmente, inclusive por grandes empresas.

Ana é bastante visionária e disse que quer contar sua trajetória em cursos, além de ensinar as técnicas de influencer digital a outras pessoas que quiserem seguir essa carreira.

Antenada com sua nova realidade, Ana disse que de uns meses para cá está se dedicando a estudos sobre influencers digitais em todo o mundo, principalmente a China. “Muita gente imagina que para ser influenciador basta uma câmera e saber falar, vender um produto ou tornar uma empresa conhecida. A influência digital chegou antes da pandemia, mas se firmou nela e veio para ficar. E para ser um bom influencer é preciso estudos, dedicação: Saber como se aprimorar a cada dia, a cada live!”, destacou.

Ela, que também é empresária do ramo da moda, destacou que pretende dar mais ênfase à sua loja, a AnaBlô, neste ano

Confira abaixo, a entrevista na íntegra.

DE VENDEDORA A INFLUENCER

Ana contou que antes de ser influnciadora digital trabalhou em empresas, principalmente no setor administrativo. Porém, em 2019 ficou desempregada. “Pensei comigo: como vou me recolocar no mercado de trabalho, mãe de um bebê de seis meses… No início de 2020 comecei a procurar trabalho e surgiu uma oportunidade na Vime Veículos. Consegui a vaga e comecei a trabalhar no faturamento, mas meu objetivo era as vendas: eu queria ser vendedora de carros”, disse.

Apesar de trabalhar em outra área, Ana sempre observava os vendedores e começou a aprender com eles. “Mas aí veio a pandemia e, novamente, a demissão. E foi a partir daí que comecei a vislumbrar, meio sem querer, o universo da influência digital”, observou.

Ela disse que postou um vídeo, aleatório, no Instagram e descreveu a loja onde havia comprado as roupas, os valores. “Notei que tive bastante visualizações e algumas pessoas me incentivaram a fazer isso por meio de vídeos. Uma semana depois desta postagem, a loja que eu descrevi na foto, através da proprietária, disse que muitas pessoas foram na loja porque viram meu vídeo e me pediu para fazer mais alguns vídeos do estabelecimento comercial. Isso ocorreu em maio de 2020. Aceitei, pois estava desempregada. Porém, em junho fui novamente chamada para trabalhar na Vime. Mas, aquela ideia de influenciadora já começou a brotar em minha mente”.

Na loja de carros, Ana conquistou o que almejava: uma chance como vendedora. “No primeiro mês de trabalho consegui vender 8 carros. E neste período o Instagram começou a deslanchar também, ainda com alguns vídeos, etc. Mas, nem tudo foram flores não! Tive que enfrentar alguns problemas pessoais, pois meu marido não gostava muito da ideia das lives, justamente por conta da minha exposição, mas eu disse a ele que meu coração estava pedindo que eu encarasse isso realmente como um trabalho. E foi o que fiz”.

Meses depois, em fevereiro de 2021, Ana fez uma live de desapego em sua casa. “Foi uma daquelas ‘caseiras’ mesmo, com celular, sem equipamentos e para minha surpresa vendi tudo, naquela época R$ 800,00! Daquele dia em diante nunca mais parei de fazer lives, graças a Deus! Muitas empresas e lojas conheceram meu trabalho e eu aprendi que a venda, na verdade, é uma consequência de todo o trabalho do influencer junto à empresa”, afirmou.

TRABALHO E SACRIFÍCIOS

Ana informou que por um período conseguiu conciliar o trabalho na concessionária de veículos e como influenciadora digital, entretanto, teve que abdicar de sua família. “Ao longo dos últimos meses percebi que se quisermos alcançar nossos objetivos em algum momento teremos que nos abdicar de algo. No meu caso foi da família, pois trabalhava o dia todo na Vime e à noite fazia lives. Porém, chegou um momento que não aguentei. Optei pelo trabalho como influencer, pois também teria mais tempo para me dedicar a elas e à minha família, pois sentia que meus filhos precisavam realmente de mim”.

E se ela auxiliava tantas empresas a se tornarem conhecidas e venderem seus produtos, por que não fazer isso para si? “Foi exatamente isso que pensei quando iniciei a AnaBlô, uma loja de vestuário feminino e virtual, que começou após eu fazer uma viagem a São Paulo, comprar muitas roupas e meu marido sugerir que eu vendesse, pois não tinha lugar para guarda-las em casa!”, disse.

A empreendedora Ana Maldonado disse que uma de suas metas neste ano é padronizar a AnaBlô e torna-la mais conhecida. “Foi um caminho que iniciei e vem dando muito certo. Eu mesma compro, faço as lives e vendo as peças de minha própria loja. O que era um sonho distante se tornou realidade. Na verdade acho que sempre fui uma vendedora nata: só me faltavam oportunidades para mostrar isso”.

A influenciadora criou identidade com seu público e faz questão de agradecer e mostrar os números de seu trabalho (foto: arquivo pessoal)

SEM FALSA MODÉSTIA E VALORIZANDO A INFLUÊNCIA DIGITAL

A influenciadora digital garantiu que nunca comprou seguidores e que faz seu trabalho da forma mais simples e transparente possível. “Sem falsa modéstia, eu gosto de ser elogiada pelo meu trabalho, pelo que estou usando, enfim. Adoro um elogio sincero e sei quando é ou não é”.

À frente das câmeras, Ana disse que é extremamente profissional e que isso, muitas vezes, soa como má educação por parte de algumas pessoas que acompanham suas lives. “Esse ‘chamamento’ que às vezes faço na live ou até fora delas é para que o cliente não esqueça que comprou uma peça e precisa busca-la e pagar pela mesma, caso contrário meu trabalho ali fica sem sentido. Promovo a loja, mas a empresa que me contrata quer ver resultados e isso é notado nas vendas. Portanto, quem compra através de uma live que estou apresentando já sabe que não poderá ‘fazer feiúra’ e não buscar o produto ou pagar por ele. Isso é ética, bom senso, pois ele quis a mercadoria, marcou código e tirou a chance de outra pessoa adquiri-la. Buscar e pagar por ela é questão de compromisso e educação. E se eu tiver que chamar a atenção de alguém com relação a isso vou chamar mesmo, com meu ‘jeitinho’, mas vou”.

Questionada sobre o que é ser uma boa influencer, Ana foi enfática. “Ele ou ela precisa ter conexão com o público e essa conexão precisar acontecer todos os dias. Como disse anteriormente, influenciar alguém não é apenas vender algo, mas criar esse engajamento com as pessoas, com quem está do outro lado da live, do vídeo, dos reels”.

Maquiagem ou cara limpa nas lives? Ana respondeu ambos, mas não que maquiagem seja essencial. “Há trabalhos que exigem uma make mais especial, outros a empresa não faz questão. Acredito que em live seja muito mais a essência que a aparência, até porque só maquiagem na cara não garante boas vendas. Já fiz várias lives da cara limpa e muitos seguidores se identificam comigo justamente por isso: se veem nas lives, nos reels, pois sou uma pessoa absolutamente comum, simples”.

Nesta, Ana Maldonado apresentou sua 1ª live literária (foto: arquivo pessoal)

FUTURO? MUITO ALÉM DE RIO PARDO

Sobre o futuro, Ana Maldonado disse que almeja ser reconhecida como influencer digital no mercado nacional. “Para isso estou dando ênfase aos reels (que são aqueles pequenos vídeos do dia-a-dia), que me proporcionam visibilidade para que mais pessoas possam conhecer meu Instagram e, consequentemente, meu trabalho como influencer. A idéia é que meu trabalho como influenciadora seja reconhecido por grandes empresas que queiram contratar-me para lives, vídeos, etc.

E mesmo aqui em Rio Pardo, Ana disse que não tem o que reclamar. “Já cheguei a fazer 3 lives em um dia e o trabalho não para. Estou com agenda cheia para os próximos meses. Acho que quando você faz o bem, Deus te retribui também. Sinto que ajudei e ajudo tanta gente com meu trabalho como influencer. Óbvio que ganho por ele, mas quem me contrata ganha muito mais. Gosto de saber que influencio (e positivamente) na vida das pessoas, que contribuo para o desenvolvimento de tantos estabelecimentos, profissionais. Essa é minha essência e isso, independente da empresa que contratar, pode ser a pequena loja que está começando ou o grande magazine, jamais mudará”, concluiu.

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