A Crônica da Semana: Lugares marcantes da infância – A alfaiataria do meu avô!
Eu sei que estamos em plena campanha eleitoral (novamente), mas este mês também é especial às crianças. Por falar nelas, aonde está aquela que mora em você e que talvez, há tempos, você não a encontra?
A Crônica da Semana pergunta a vocês, amigos leitores e internautas, qual seria o lugar, que marcou a infância, e que, se pudessem, visitariam hoje?
O meu é fácil: a alfaiataria de meu avô! O pequeno cômodo era, na verdade, a antiga cozinha da casa de minha avó: um lugar quase insalubre! Muitos tecidos espalhados pelo chão, grande balcão onde ele riscava as calças, paletós, coletes que confeccionava, uma mesa de passar roupa, com um velho ferro, com muitas emendas no fio e, claro, a máquina de costura…
Eu, sozinha, pois até os sete anos não tinha irmão, passava horas ali, sentada, observando meu avô trabalhar, brincando com alfinetes, retalhos, conhecendo a textura dos tecidos, paleta de cores, etc. Furei dedo com agulha, queimei dedo no ferro de passar, coisas de ‘criança arteira e curiosa’, até raras hoje em dia!
Quando meu pai ou minha mãe ficavam bravos comigo, eu corria para lá, pois era abrigo seguro, principalmente na parte debaixo do balcão, onde encontrava caixas de botões e até enciclopédias de contos infantis, que foram do meu pai e tio.

O ‘quintal’ era um convite à travessura: o tanque, aqueles bem antigos e maiores, se transformava em piscina! Ah, e o pomar! O ‘quintal de cima’ era repleto de árvores frutíferas. Nele aprendi a subir em jabuticabeiras, apanhar manga, envolver goiaba com saco de papel até madurar para os pássaros não bicarem… E, sim, caí de algumas árvores! Era parte da brincadeira, né!
Na alfaiataria, quando meu avô não estava, eu era a guardiã! Abria a portinha branca, varria o chão, dobrava os ‘panos’ e nunca esquecia de abrir as caixinhas nas laterais da máquina de costura, pois nelas meu avô sempre deixava umas balinhas para mim!
Hoje, olhando para trás, vejo que não foram espaços somente de diversão, mas de aprendizado. Aprendi a ter um olhar minucioso a uma vestimenta masculina, a limpar e organizar um ambiente de trabalho, a esperar um fruto amadurecer, a saber o limite para não me por em apuros, a usar da solitude para criar novas formas de brincar.
Enfim, são muitas histórias que vivenciei naquele lugar. E, se eu pudesse voltar no tempo, era lá que visitaria e passaria boas horas…
Mas, e você: qual é o lugar de sua infância que te marcou e que, se tivesse como voltar no tempo, visitaria novamente? Dê uma pausa, feche os olhos e viaje no tempo. Por alguns instantes deixe aquela criança tomar conta de você, aproveite e sorria feito ela ou se permita derrubar algumas lágrimas de saudade ou emoção… Apenas tente! Tenho certeza que seu dia, hoje, será bem melhor!
Antecipadamente, Feliz Dia das Crianças! (E nunca se esqueça daquela que ‘mora’ em você. Vez em quando, visite-a!)
Texto: Natália Tiezzi





