Sr. Fernando Barbosa: amizade, gentileza e muitas lições como… pai!

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Aos 87 anos, ele tem 3 filhos, 10 netos e 3 bisnetos, é adorado e, acima de tudo, respeitado pela família e por toda a sociedade rio-pardense

Reportagem e texto: Natália Tiezzi

Ele conquista a todos com sua educação. Um verdadeiro cavalheiro que também conquistou sua querida esposa quase 65 anos atrás. Gentil, amigo e, como a família mesmo costuma dizer: ‘é impossível não gostar dele’.

Nossa matéria especial ao Dia dos Pais homenageará a todos por meio deste grande homem, o senhor Fernando do Carmo Barbosa. Aos 87 anos, nascido no Rio de Janeiro, mas criado em Cataguases/MG, ele foi pai aos 25 anos e gostou da experiência. “Meu primeiro filho foi o Luís Augusto, depois veio a Fernanda e, por fim, o Adriano, o ‘Purga’, como todos o conhecem. Foram as maiores alegrias de minha vida, juntamente com minha esposa, Maria Helena”, disse.

Além dos 3 filhos, sr. Fernando também mencionou o amor e carinho pelos 10 netos e 3 bisnetos. “Para dizer a verdade, acho que é mais fácil e muito melhor ser avô e bisavô do que ser pai. É menos responsabilidade. É só mimo, sem aquela preocupação paterna”, observou.

Por falar em pai preocupado, sr. Fernando disse que os filhos não lhe deram tanto ‘trabalho’ quando eram crianças e adolescentes. “Foram arteiros, sim, mas o que mais se sobressaia nas ‘artes’ era o Purga mesmo, aliás, até hoje (risos). Mas ele sempre teve um coração muito grande, exatamente do tamanho das suas travessuras”, recordou.

Sr. Fernando no cantinho dele na casa: “Aqui passo a maior parte do tempo – adoro assistir programas policiais, séries e, claro, esportes”

Porém, ele afirmou que apesar de serem travessos nunca precisou levantar muito as mãos para os filhos. “Sempre procurei resolver os problemas conversando, sendo mais amigo dos meus filhos e acho que isso foi muito bom para eles, pois creio que aprenderam a lição e hoje passam isso aos filhos e aos netos. Claro que é preciso dar uns corretivos, mas a amizade entre pais e filhos é muito importante. E sempre mantendo o respeito e o lugar de pai na família e perante a eles”.

O maior exemplo de pai que o sr. Fernando teve em sua vida foi o próprio pai, o saudoso Fenelon Barbosa. “A grande lição que meu pai me ensinou na vida foi a retidão de caráter, a qual também passei aos meus filhos. Meu pai foi um homem muito íntegro, muito justo e, acima de tudo, um grande amigo. Além dele, também gostaria de mencionar meu sogro, senhor Benedito Xavier, que foi outro grande exemplo de pai para mim”.

UM AMANTE DAS ARTES, DA CULTURA E TORCEDOR DE DOIS TIMES…

Ao longo da entrevista, feita no apartamento do casal e tomando todos os cuidados de prevenção à Covid-19, sr. Fernando mostrou-se uma pessoa muito simples. “Aqui é meu cantinho favorito, onde passo a maior parte do tempo: a sala. Gosto muito de assistir programas policiais, documentários e, claro, esportes”.

Sobre o time do coração, ele disse que tem dois: Fluminense, pelo Rio de Janeiro, estado onde nasceu, e Santos, aqui pelo estado de São Paulo.

Amante das artes, ele mostrou e falou com carinho dos quadros que possui, sendo duas delas muito especiais, feitas pela tia, uma mulher que também apreciava os delicados traços e a singela mistura de cores que tantas formas deram às telas em branco.

“Já morei em muitas cidades, mas poucas com a riqueza cultural aqui de São José. Porém, noto que aqui não dão muito valor às peculiaridades, principalmente relativas às construções de época e que marcaram a história da cidade. Da noite para o dia essas verdadeiras relíquias da arquitetura estão no chão e se não são demolidas viram ruínas. Como apreciador e defensor do patrimônio cultural daqui isso me entristece”, afirmou.

Ao lado da esposa, Maria Helena Xavier Barbosa: “Fernando sempre foi um pai presente, carinhoso, amigo dos filhos”, observou dona Maria Helena

SER E ESTAR PRESENTE!

Durante a boa conversa, sr. Fernando também recordou como toda essa história de pai aconteceu em sua vida. “Puxa, faz um tempinho! Conheci Maria Helena em um piquenique e fui apresentado à ela pela amiga em comum Doroty Dib. Começamos a namorar e cá estamos: 63 anos de matrimônio que, graças a Deus, nos proporcionou nossos três filhos”.

Dona Maria Helena fez questão de dizer que o sr. Fernando sempre foi um pai muito presente na vida de Guto, Fernanda e Purga. “Ele era presente e estava sempre presente nos melhores e nos piores momentos da vida de cada um. Educou-os para serem pessoas honradas, mas a presença de pai acontece até hoje, na medida do possível, já que o Guto reside na Bahia e Fernanda nos Estados Unidos”.

Para concluir, o que será que o sr. Fernando define como um bom pai? “Acho que é um pouco de tudo que falei, das experiências que vivi, dos bons exemplos de homens e de pais que tive mas, além de tudo, ser amigo, ser exemplo e ser e estar presente na vida dos filhos. Com relação aos ensinamentos, acredito que ensinei três lições básicas a eles: serem leais, serem sinceros e nunca passarem por cima ou pisarem em ninguém para conquistarem seus objetivos na vida”, concluiu.

SIMPLESMENTE PAI

A seguir, o depoimento dos 3 filhos do sr. Fernando que, mesmo distantes, fizeram questão de falar sobre esse grande pai.

Dizer que pai é aquele que protege com amor, ensina o caminho, compartilha histórias e aconselha com sabedoria. O sonho de um pai é ver os sonhos dos filhos realizados. O sonho dos filhos é poder ter o pai ao lado ao realizar seus sonhos. Isso todo mundo sabe. Mas, isso é não é a obrigação de um pai? Bom mesmo é quando a gente pode dizer que pai é aquele que nós nos apoiamos nas horas difíceis, porque nas horas fáceis, na hora da farra, a gente nem lembra dele, aliás, é ele quem fica se lembrando da gente. Quantas e quantas vezes saímos de casa sem avisar e só voltamos na alta madrugada. A gente não imaginava a preocupação dele, não imaginava que essa preocupação só iria terminar quando ele ouvisse o som da chave abrindo a porta. Sinal que chegamos sãos e salvos em casa. O sonho de todo jovem (pelo menos da minha época) era dirigir um automóvel. E quem ensinou a dirigir? Depois do aprendizado, acabou o sossego (dele, é claro), pois pegávamos o carro, as vezes com autorização, mas, em outras vezes, escondido mesmo. Afinal, a turma não podia esperar. Eita, auto afirmação juvenil. Poderia ficar o dia todo, aqui escrevendo e falando sobre meu pai. Temos muitas histórias. Naquele época não tinha mi mi mi, como hoje. Naquela época, era assim: Escreveu não leu, o pau comeu. E ninguém se doeu por causa disso. Tem uma passagem com meu irmão que dizia não querer casar para não ter filhos e perguntado porque ele respondia. Já pensou se meu filho for como eu fui? Pelo amor de Deus, não vou aguentar. E o Fernandinho, aguentou. Aguentou, também, quando num domingo a tarde, lá no final da década de 1960, alguém foi até a minha casa avisar o seu Fernando, que seu filho estava nadando no Rio Pardo, pulando da ponte da ilha de São Pedro. Eu não tinha mais do que 7 anos. Se dá para imaginar como ficou o coração do velho, imagine como ficou minha orelha. Sem contar quando me mudei para São Paulo e, para “tranquilidade” dele e da minha mãe, comprei uma moto. Quando pai fala a gente não leva a sério, acha que é falatório de velho. Não é que ele tinha razão . Numa noite de dezembro, após o trabalho, eu, descendo a rua Augusta em direção à minha casa, fui atropelado por um carro. Resultado: Fraturas por todo corpo e uma licença médica de 10 meses para recuperação. Não é que o pai sabe tudo. Ele é mais velho, tem experiência, coisa que os jovens não acreditam. Enfim, gostaria de agradecer a tudo e toda paciência que o Fernando teve para comigo e meus irmãos. Sei que não fomos fáceis para ele em nossa juventude. Ele nos ajudou nas piores e melhores horas de nossas vidas. Ele nos ensinou como devemos ser, como devemos agir. Retidão, colaboração e união. Pai, um forte abraço e uma pena, por causa dessa pandemia, não estarmos juntos para comemorarmos seu dia. Receba o carinho dos seus filhos, netos, neta e bisnetos”, Luís Augusto Xavier Barbosa, filho.
“Meu pai é tudo para mim. É meu herói, melhor companheiro, parceiro, melhor pai. Acima dele só Deus. Tivemos sempre uma conexão muito grande. Eu dei muito trabalho a ele, depois ele deu um pouco de trabalho a mim. Até ficamos uns tempos sem conversar, coisas de pai e filho! Eu morro por ele e mato por ele se for preciso!” – Adriano Xavier Barbosa (Purga), filho.
“A gratidão é um ato de AMOR. E eu sou imensamente grata por você ser meu pai, sr. Fernando! Obrigada por você ter me preparado para a vida. Pai e amigo muito querido. Atencioso e delicado, nunca esquece um aniversário, nem dos amigos, nem dos filhos. Sempre pude contar cm seu apoio, principalmente nas horas mais difíceis, me incentivando com coragem e otimismo. Mesmo sabendo que iria sentir minha falta e dos netos esteve ao meu lado em minha decisão de morar em um país distante. Apesar disso nos falamos sempre e quando a saudade bate forte ele me acalma dizendo que ‘logo estaremos juntos’. Toda vez que vou ao Brasil fazemos uma viagem à Bahia, eu e ele. E que companheiro maravilhoso, topa tudo! Salve! Sempre me emociono quando lembro o que ele me disse no dia do meu casamento: ‘Seja uma linda mulher assim como é minha linda filha’. Me sinto feliz por saber que ele sente orgulho das minhas conquistas. Admiro muito a confiança e o respeito que têm com minha mãe, sempre dando suporte à atividade que ela pratica, o Tênis. Sigo meu caminho fazendo sempre o melhor, assim como meu pai me ensinou: ‘Não importa os outros, faça você a sua parte!’. Te amo, meu pai! – Fernanda Xavier Barbosa Roque, filha.

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