Robson Carlesso e Enzo: O verdadeiro amor de pai para filho e de filho para pai

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Ambos tem uma relação que vai além da paternidade, mas de amizade e respeito, principalmente porque são pai e filho especiais

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Amigos internautas. Neste domingo, dia 8 de agost, o www.minhasaojose.com.br homenageia todos os homens que, além da paternidade, assumiram um compromisso de amor, atenção e respeito com os filhos. E esses podem ser pais biológicos, pais do coração, tios, avôs, amigos que, de alguma forma, criaram seus filhos ou familiares.

E para esta homenagem, a entrevista especial é com um pai mais especial ainda: Robson Carlesso, um homem que assumiu as funções de pai no mais real sentido dessa palavra, nos momentos de alegrias e de tristezas, angústias e incertezas.

Robson, popularmente conhecido como Kid, tem 37 anos é Educador Físico e casado com Danila Moura. Ele contou que desde que decidiram se casar já falava com a futura esposa do desejo de ser pai.

E, certo dia, seu desejo se realizou. “Eu estava na academia trabalhando quando a Danila chegou para treinar e trouxe um presente. Quando abri era um sapatinho de bebê… acho que fiquei uns 30 segundos em silêncio, com cara de bobo, sem entender nada” (risos)”, contou.

Robson explicou que a gravidez foi muito tranquila até a 29ª semana. “Quando fomos fazer um ultrassom, o exame detectou uma dilatação ventricular cerebral em nosso bebê. O médico tentou nos tranquilizar dizendo que poderia não ser nada de grave, porém percebi pela expressão da Dani que não era tão simples assim”, explicou.

E realmente não foi. Enzo apresentou e ainda apresenta alguns problemas de saúde, que, inclusive, comprometeu sua parte cognitiva e motora.

Ao longo da entrevista, Robson contou um pouco sobre essas patologias, a apreensão, medo, mas também as vitórias cotidianas de Enzo na luta pela vida.
E, embora diante dos problemas de saúde que o pequeno Enzo já apresentou e ainda apresenta, Robson se tornou muito além de um pai, mas um companheiro, um grande amigo do filho. A relação de ambos emociona e é exemplo de cumplicidade, principalmente àqueles pais que apenas contribuem com material genético para gerar um filho, mas que, infelizmente, não assumem as dores e as delícias da paternidade.

Neste ínterim, o papai Robson destacou as lições aprendidas com a convivência com Enzo e deixou uma mensagem aos pais, principalmente aos de crianças especiais.

Confiram, abaixo, a entrevista na íntegra

Robson, quando surgiu em você a vontade de ser pai?

Robeson Carlesso: Desde que a Danila e eu decidimos nos casar sempre falava para ela do meu desejo de ter um filho. Sempre foi um sonho meu ser pai!

Momentos de alegria e diversão são constantes na vida de Robson e Enzo: vitórias diárias para ambos

E qual foi a sua reação ao saber que a Danila estava grávida?

Ahhh, quando descobri que ela estava grávida não cabia em mim de tanta felicidade, foi uma explosão de sentimentos. Eu estava na academia, trabalhando, quando a Danila chegou para treinar e trouxe um presente: quando abri era um sapatinho de bebê! Acho que fiquei uns 30 segundos em silêncio, com cara de bobo, sem entender nada (risos).

Você e Danila já sabiam que o Enzo seria uma criança especial antes do nascimento?

A Danila vinha fazendo o pré natal e tudo estava bem até a 29ª semana, quando fomos fazer um ultrassom e nele foi detectada uma dilatação ventricular cerebral no bebê. O médico tentou nos tranquilizar dizendo que poderia não ser nada de grave, porém percebi pela expressão da Dani que não era tão simples assim. A partir deste momento fomos da felicidade completa pela gravidez para um período de muita expectativa e tensão, pois fomos encaminhados a Ribeirão Preto para acompanhamento de um especialista, e lá ele não tinha certeza de como iria nascer nosso bebê. Sempre nos falava que essa dilatação poderia regredir, ou talvez que o Enzo poderia nascer com um olho de cada cor, enfim poderia ser algo simples ou uma situação bem grave. E ele nos aconselhou que o parto fosse feito lá, para caso de alguma emergência. Foram dias e noites de muita apreensão, que precisamos muito do apoio um do outro. Para resumir um pouco, só ficamos sabendo como seria na hora do nascimento e mesmo assim, no momento do nascimento, somente a deficiência visual era aparente. Enzo nasceu bem e não precisou ficar na UTI.

E quais são os problemas de saúde/deficiências que o Enzo possui?

Infelizmente, após o nascimento, fomos descobrindo outros problemas. Além da deficiência visual, Enzo não conseguia mamar direito, não dormia… foram noites em claro de puro desespero, pois ele não parava de chorar e nós sem saber direito como acalma-lo; foi um período bem complicado. Começamos uma intensa busca para saber o que ele realmente tinha, e fomos ao Hospital das Clínicas em Ribeirão para vários acompanhamentos e consultas, aliás vamos até hoje! Com 6 meses, Enzo internou aqui em São José por conta de uma pneumonia e não conseguia melhorar, até que precisou ser transferido para a Santa Casa em Ribeirão às pressas e com a saturação muito baixa começou a fazer uso de oxigênio. Na UTI foram mais de 30 dias onde ele já estava desacreditado. Naquele momento, os médicos de lá resolveram chamar uma pneumologista que conseguiu reverter o quadro dele, graças a Deus! Enzo saiu da UTI fazendo uso de oxigênio em tempo integral por vários anos ee também uso de sonda para alimentação, que usa até hoje. Continuamos com os acompanhamentos, onde a pouco tempo os geneticistas chegaram à conclusão que Enzo tinha uma síndrome bem rara: Síndorme de Koolen de Vries, uma alteração genética no cromossomo 17q 21 31, e que no caso dele se manifestou da forma mais grave afetando a visão, deglutição, parte cognitiva e motora. Ele ainda não senta e não tem sustentação do tronco, e também ainda não fala.

Para a maioria das pessoas ser pai de uma criança especial não é fácil. Onde você criou forças para enfrentar essa situação com o Enzo?

Realmente não é fácil, mas o tempo vai nos ensinando como lidar com cada situação, e, como tudo na vida, vamos nos adaptando. Com a força de Deus, da Dani e de nossos familiares e amigos hoje a situação já está mais controlada e lido melhor com os problemas do Enzo.

O que o Enzo mais lhe ensinou desde seu nascimento?

Nossa, foram tantos ensinamentos! Cada dia ele me ensina uma lição diferente. Mas acho que a principal foi o amor incondicional e também a felicidade, pois por pior que esteja ele sempre sorri!

E qual é o papel da Danila nesse processo também de união entre você e o Enzo?

Ela é minha inspiração; é o pilar que nos sustentou até aqui. Sempre que eu desanimava ela sempre estava lá, forte e inabalável diante de tudo. Sempre foi minha guia de como cuidar, amar e valorizar cada conquista do Enzo. Nosso pequeno escolheu direitinho a mamãe dele!

O que você e ele mais gostam de fazer no cotidiano?

Farra e folia (risos). Quando está no meu colo pulando e brincando tanto que às vezes até falta o ar. Agora também estou adaptando ele na cadeira de rodas e estamos fazendo uns passeios que ele está gostando bastante (e eu mais ainda – adoro passar o dia com ele). No fim de semana consigo passear e brincar mais com ele, pois na semana tem meu trabalho.

“Danila sempre foi minha guia de como cuidar, amar e valorizar cada conquista do Enzo. Nosso pequeno escolheu direitinho a mamãe dele!”, disse Robson sobre a esposa

Qual foi o momento mais emocionante e o de maior dor ao ser pai?

No meu caso foram 2 momentos muito emocionantes. Além do nascimento, que eu acompanhei de perto, o dia em que ele teve alta da UTI e chegou em casa, pois eu achava que ele não ia conseguir sair do hospital com vida. Momentos de dor tiveram alguns, mais o pior foi quando na UTI ele não mostrava reação mesmo com toda medicação e atenção que ele recebia lá… Eu ficava durante o dia e a Dani durante a noite e mal conseguíamos nos falar por conta dos horários. Foram dias muito difíceis…

E o que é ser um bom pai? Você se considera assim para o Enzo?

Ser bom pai é apoiar, ensinar e também aprender com os filhos; saber ser duro a hora que precisa (Enzo também faz birra às vezes e toma até umas palmadinhas no bumbum – risos), dar as broncas que achamos necessárias para o crescimento moral e do caráter de nossos filhos. E faço o possível para ser um bom pai sim, mas sempre tem como melhorar né?

Para finalizar, que mensagem deixaria aos pais, principalmente de crianças especiais, inclusive aqueles que não sabem lidar direito com a situação e também aqueles que não assumem a paternidade dessas crianças?

Aos pais em geral minha mensagem é: curtam ao máximo seus filhos, por mais que estejam estressados, cansados, chateados. Sempre que tiverem oportunidade brinquem, conversem, deem amor e atenção, pois é o que eles mais necessitam. Muitos, como eu, gostariam de ouvir um ‘eu te amo papai’ e não podem, então valorizem cada momento com seu filho. Aos papais de crianças especiais, minha mensagem é: não desanimem! Por mais que a situação esteja complicada sempre haverá uma solução, e se na relação de pai e filho estiver presente o amor por parte do papai pode ter certeza que este amor será correspondido de uma forma sem igual! Aprendam com as dificuldades e busquem sempre apoiar suas companheiras, pois o sofrimento da mãe é muito além do que possamos imaginar… O que mais vejo nos hospitais são mães solitárias com seus filhos e isso me corta o coração… Então, pai, assuma seu filho e ajude de todas as formas possíveis, pois a recompensa do sorriso que você ira receber é muito gratificante!

“A principal lição que Enzo me ensina dia-a-dia é o amor incondicional e também a felicidade, pois por pior que esteja ele sempre sorri!”, concluiu o papai Robson
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