Renato Anastácio: Da igreja aos palcos, já são mais de 30 anos na Música

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Além da paixão por diversos instrumentos, o músico também é professor e Luthier

Entrevista e texto: Natália Tiezzi Manetta

Em homenagem ao Dia do Rock, comemorado em 13 de julho, ninguém melhor para falar de sua paixão, não apenas pelo ritmo que marcou e ainda marca muitas gerações, mas pela música, que faz parte de sua vida a mais de 30 anos: Renato Anastácio. Ele, que é músico ‘autodidata’, mas não gosta muito de usar esse termo, já “que ninguém aprende nada sozinho”, revelou que também é professor e Luthier.

Aos 43 anos, Renato destacou que a música aconteceu em sua vida em 1990, por meio da igreja, em um grupo de oração o qual participava. De lá para cá, seu som saiu em diversos instrumentos saiu do espaço sagrado e ganhou muitos palcos, bandas e companheiros nesta trajetória de mais de três décadas.

Ao longo da entrevista, ele contou um pouco sobre sua vida profissional nas três áreas (músico, professor e luthier), além, é claro, de histórias que o marcaram na música como, por exemplo, um baile havaiano, onde ele distribuiu até autógrafos devido sua performance com a guitarra que, literalmente, voou por cima do público!

Renato também falou como está se adaptando à essa fase de Pandemia, inclusive com aulas online, e que se reinventar também foi essencial, principalmente para aqueles que dependem da arte para sobreviver. Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Renato, como surgiu essa paixão pela música ou mais especificamente pelo rock? Você teve influência de algum cantor/Banda?

Renato Anastácio: Lembro-me da primeira vez que fiquei encantado e tive o desejo de tocar, foi em Fevereiro de 1990, num Grupo de Oração Jovem, eu nunca tinha pensado em ser músico até aquele momento. Existia um pessoal que tocava e animava o Grupo e logo na minha 3° ou 4° vez ali aconteceu uma doação de um contrabaixo para a Igreja,  então perguntaram se alguém sabia tocar. Percebi que ninguém se manifestou, foi aí que levantei a mão e disse que sabia, mas não (risos). Nunca nem tinha visto um Contrabaixo na minha vida e muito menos sabia para o que servia, mas eu sabia que queria me envolver com a música. Assim começou minha história e lá sem vão 31 anos desse momento. 

Quanto às influências, as primeiras foram os músicos ali mesmo do grupo, depois claro, com a convivência com os instrumentos e músicos, fui criando todo um arcabouço de influências que me tornaram o músico que sou hoje, com toda certeza.  A primeira banda que me chamou a atenção foi uma Banda de Rock Católica chamada Cristoatividade, depois fui conhecendo outras e isso não parou mais: Deep Purple, Pink Floyd, Whitesnake, Metallica, Yes, Boston, Black Sabbath,  Dream Theater, entre inúmeras outras bandas e outros tantos músicos solos fantásticos… impossível citar todos.  

Você fez algum curso específico de música?

Eu comecei sozinho, “autodidata”, mas não gosto muito desse termo porque ninguém aprende nada sozinho. Fui acumulando dicas, observando, usando da tentativa e erro e, aos poucos, estava tocando alguma coisa! Depois fiz algumas aulas, workshops, cursos, e me formei Luthier.

Qual foi o primeiro instrumento que aprendeu a tocar? Quantos anos você tinha?

Foi o contrabaixo, esse que havia sido doado para a Igreja, e eu tinha 13 anos. Logo meu avô paterno, senhor João, soube do meu interesse musical e me presenteou com uma guitarra, foi um dos dias mais felizes da minha vida. O “J” do nome JF da Escola que tenho atualmente é em homenagem a ele.

E há algum instrumento musical preferido?

Nossa, difícil dizer, amo qualquer instrumento, mas vou colocar a guitarra, o contrabaixo e a bateria, primeiro porque com essa formação toca-se de tudo e segundo, porque é a formação clássica do Rock, adoro Bandas Power Trio a exemplo de Rush.

Você já participou ou participa de alguma banda?

Já sim, inúmeras, das mais variadas vertentes musicais, estilos, finalidades e afins (risos). Comecei na Igreja, como falei, depois vieram as bandas de Baile, formações reduzidas, trios, duplas, fiz muito freelancer para vários artistas da região. Tive o privilégio de sempre trabalhar com músicos muito melhores do que eu, isso me ensinou muito, fez-me entender que a vaidade é o Calcanhar de Aquiles e derrocada de todo artista ou de qualquer homem. Hoje quase não mais trabalho na noite, mas ainda toco com a Banda Nova, Urso & Os Pandas e Banda JF, que é a banda dos professores do Espaço Musical JF, no qual trabalho.

Você se recorda de onde e como foi sua primeira apresentação e que instrumento tocou?

Sim, com certeza, marcante demais (risos). Foi num domingo, numa Tarde de Louvor na Igreja do São Cristóvão, era um evento da Renovação Carismática Católica. Inclusive eu toquei muito mal! Eu estava com o baixo a menos de 1 mês nas mãos, sem professor, aprendendo sozinho na raça, então estava muito cru ainda para tocar. Foi aí que chegou um “cara” que não era músico, era um chato que não ia com minha cara (e confesso que nem eu com a dele), e me disse:  “Você deveria estudar e aprender antes de tocar num evento.” Aquilo na hora me deixou muito chateado e triste, até mesmo bravo, mas eu resolvi fazer o que ele falou, e fiz. Graças a Deus, até hoje, nunca mais ouvi aquilo.

Poderia contar algum momento (engraçado, especial) que o tenha marcado nesta sua trajetória na música?

R: Nossa!!! Inúmeros!!! Vou relatar um deles: eu tocava em uma banda de baile chamada Suprema Corte e fomos fazer um Baile Havaiano, num Clube em Jaguariúna. O baile foi ao ar livre e depois de tudo montado e pronto para tocar despencou uma tempestade violentíssima, que praticamente derrubou o palco, instrumentos, queimou o som que já estava pronto, enfim, uma tragédia! Mesmo assim locaram outro som, com muito custo remontou-se o palco e aconteceu o baile e aí vem o engraçado: Eu era e ainda sou muito fã de um guitarrista Sueco chamado Yngwie Malmsteen, ele tem uma evolução durante o show de girar a guitarra pelo corpo e voltar tocando, eu pirava com aquilo e aprendi realizar o movimento, então na hora da apresentação dos músicos no Baile, na minha vez durante o meu solo, eu girava a guitarra imitando o Gênio. Se não bastasse toda a tragédia que já havia acontecido, quando executei o “malabarismo” a correia rompeu e minha guitarra saiu voando pelo palco, atravessando de um lado ao outro. Claro que eu não contava com aquilo e tentando evitar que o acidente fosse percebido pelo público, que era muita grande, fui disfarçando e cumprimentando os músicos da banda como se aquilo fosse planejado, fazendo o acidente parecer uma atitude rock and roll (risos). E  funcionou:  peguei a guitarra, que não sei como não quebrou, continuei tocando. Ao final, quando fui descer do palco, encheu de “fãs “querendo tirar foto, autógrafo e dizendo que nunca tinham visto um guitarrista tão louco quanto eu (risos).  Mal sabiam que, na verdade, quase morri vendo minha guitarra voar mais de 5 metros e cair violentamente no chão! Por sorte não caiu em ninguém e por muito pouco não caiu sobre os teclados,  claro que até hoje isso é motivo para os amigos da época lembrarem e rirem muito.

Renato iniciou na música aos 13 anos e aprendeu a tocar contrabaixo. Depois vieram as paixões pela guitarra e pela bateria

Atualmente, você ministra aulas de quais instrumentos? Elas estão acontecendo de forma virtual?

Hoje eu trabalho no Espaço Musical JF, que fica à Rua Francisquinho Dias 783, ministro aulas de Guitarra, Violão, Contrabaixo e Viola Caipira, e também sou o Luthier da escola, temos outros cursos e outros professores no time, recomendo! Devido à pandemia, estamos trabalhando com as aulas gravadas ou via Skype.

Você disse que se formou Luthier. O que é um luthier e por que optou também por essa formação?

A palavra Luthier é francesa e deriva de luth (alaúde). O termo violaria, ou luteria (do francês lutherie aportuguesado) designam a arte da construção de instrumentos de cordas. Luthier é o profissional que executa essa arte, ele constrói ou conserta instrumentos de cordas, tanto clássicos eruditos quanto os populares. No meu caso optei por trabalhar na parte de manutenção e consertos. Um dia, quem sabe, entro no mercado da construção, pois hoje acho que ainda não vale a pena por vários fatores. Eu sempre “consertei” meus instrumentos, fazendo ajustes ou tentando resolver algum problema, daí surgiam os dos amigos que não sabiam o que fazer e então isso foi virando uma paixão. Quando resolvi montar o Espaço Musical JF e decidi que viveria exclusivamente da música imaginei agregar outros serviços junto à escola. Como eu adorava consertar, resolvi me especializar e aprendi essa profissão linda.

O que a música significa em sua vida e qual a sensação de subir ao palco para uma apresentação?

Como disse acima, eu trabalho com música desde os meus 13 anos, antes como missão dentro da Igreja, depois profissionalmente. Isso sempre foi tão forte em mim que chegou ao ponto em que ou eu largava tudo e ia para música definitivamente, ou creio que estaria doente, aliás, foi a melhor coisa que eu fiz.  Muitas vezes tenho dificuldades de expressar o que sinto em palavras, com o instrumento eu consigo isso de maneira natural, sinto como se o instrumento fosse parte do meu corpo e não um acessório. Quando toco tenho a plena certeza do sentido da minha vida, como disse Viktor Frankl: “Quando a circunstância é boa, devemos desfrutá-la; quando não é favorável devemos transformá-la e quando não pode ser transformada, devemos transformar a nós mesmos”. Estar no palco é mágico, uma sensação ímpar, agradeço a Deus por esse Dom que me concedeu, sinto-me privilegiado por esse presente Divino.

Para finalizar, o que essa pandemia lhe trouxe de lição com relação ao seu trabalho?

Bom, sobre essa “pandemia” eu poderia falar muitas coisas, mas vou dizer que, na verdade, independentemente dos motivos precisamos sempre nos reinventar, crescer, criar, transformar. Eu já passei por esses processos algumas vezes e esse momento é só mais um. Estou reinventando o formato das aulas, os modelos dos cursos, adequando da melhor maneira possível para continuarmos em frente. Estamos planejando e reestruturando para implantarmos ensino musical à distância. Em breve teremos novidades no Espaço Musical JF. As crises e adversidades são obviamente dolorosas, entretanto você pode desanimar e desistir ou continuar lutando até o final, como disse São Paulo, lutar o bom combate até o fim, ser merecedor da face de Deus, e como disse Viktor Frankl, encontrar o Sentido da Vida: é somente isso que me move.

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre o trabalho de Renato, basta acessar https://www.facebook.com/Espa%C3%A7o-Musical-JF-343561759111809/ e também https://www.facebook.com/JFLuthiera/

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