Milagre Prematuro: Theodora nasceu de 25 semanas e sobreviveu a infecções e duas cirurgias cardíacas

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No último dia 14 de março comemorou-se o Dia do Bebê Prematuro, uma data muito especial, que remete a alegrias, tristezas e medos para inúmeros casais brasileiros, como é o caso dos rio-pardenses Graciele Pegorin Zulli Lopes e Alex Negrini Lopes.

Em 27 de maio de 2016, com apenas 25 semanas de gestação, nasceram os filhos gêmeos do casal, Isaac e Theodora. “Não estávamos preparados para ter nossos bebês tão prematuramente assim. Fomos encaminhados a Ribeirão Preto, pois a Graciele já vivia uma então gravidez de risco. Não sabíamos como lidar com tudo aquilo que estava acontecendo. Era um misto de emoções: alegrias e tristezas”, lembrou Alex.

Já no parto, uma cesárea, Graciele e Alex tiveram uma das piores notícias de suas vidas. “No momento da cirurgia, quando tiraram os bebês, logo vi que um deles foi levado para um local e o outro teve um tratamento diferente. Depois de alguns momentos veio a confirmação de que havíamos perdido o Isaac. A partir dali começamos uma verdadeira batalha pela vida do nosso outro bebê, a Theodora”, destacou Alex.

A pequena menina nasceu com 835 gramas e 33 centímetros e já foi levada à Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. “Eram três visitas por dia. Theodora entubada, com ventilação mecânica e nós ali, aguardando ansiosamente ela ganhar peso para podermos ter alta”, comentou Graciele.

QUATRO MESES DE INTERNAÇÃO

Mas, o desejo do casal de sair da maternidade com Theodora nos braços teve que esperar quatro longos meses. “Acreditávamos que para ter alta médica, um bebê prematuro teria apenas que ganhar peso, mas não é bem assim. Certo dia, uma médica chegou até mim e disse ‘a Theodora é um bebê que vai permanecer aqui por muito tempo’. Naquele momento entendi que a prematuridade vai muito além do ganhar peso. E entendemos isso sentindo na pele as inúmeras inseguranças e medos de termos um bebê com apenas 25 semanas”, destacou Graciele.

A prematuridade, além de tornar o bebê ainda mais vulnerável a bactérias e infecções, pode ocasionar sequelas graves nos bebês. No caso de Theodora, ela já teria que passar por uma cirurgia no coração, muito comum em prematuros. Porém, antes da cirurgia, a pequenina já enfrentou sua primeira luta. “Com uma semana de vida ela contraiu sua 1ª infecção hospitalar. Não seria possível realizar a cirurgia cardíaca. E lá se foram 30 dias de antibiótico e, enfim, ela pode passar pelo procedimento cirúrgico”, contou a mamãe.

Pouco tempo depois, com o bebê ainda entubado e na UTI, mais uma notícia ruim: a cirurgia não havia dado certo e, novamente, Theodora havia contraído uma infecção hospitalar. “Foram mais 14 dias de antibiótico e nova cirurgia, que desta vez deu certo. Porém, durante realização de exames, descobriram que ela estava com uma pequena hemorragia cerebral. Neste momento eu já não sabia o que fazer. Por muitas vezes bateu um desânimo muito grande, pois não era só enfrentar tudo aquilo com a Theodora. Durante o tempo que permanecemos no hospital vivenciamos as histórias de outros casais de bebês prematuros, inclusive a morte de alguns deles. Não é fácil. É preciso muita coragem para enfrentar esse desconhecido mundo dos prematuros”, disse Graciele.

Frágeis e guerreiras: mãe e filha enfrentaram mais de 120 dias de internação

A FORÇA DA FÉ

Para enfrentar toda a difícil situação da delicada vida de Theodora, Alex e Graciele encontraram forças na fé. “Rezamos muito. Eu perdi as contas das novenas, pedidos, orações, intenções… Se não fosse Deus acho que não teríamos conseguido. Ele sempre se fez presente de alguma forma, principalmente em alguns sinais que tivemos. Um deles foi uma oração de uma rio-pardense que não conhecíamos, que foi transmitida ao vivo pela televisão, em que ela pedia pela vida de Theodora. Eu estava vendo o programa e me emocionei. Aliás, após a cidade tomar conhecimento do nosso caso, muitos rio-pardenses uniram-se em oração pela nossa filha”, afirmou Graciele.

Felizmente, a hemorragia cerebral da bebê não evolui e quando finalmente ela iria para o quarto, após esse tempo todo na UTI , eis que veio uma febre. “Theodora nunca tinha apresentado um quadro febril, nem durante as infecções que teve. E lá se foram mais alguns dias na UTI. Nunca irei esquecer do canguru, onde ela permanecia corpo a corpo conosco. Aprendemos que esse contato era de extrema importância para o desenvolvimento dos prematuros”, observou Alex.

O contato corpo a corpo: auxílio de extrema importância para o desenvolvimento dos prematuros

Aos poucos, Theodora foi ganhando peso, não apresentou nenhum quadro de infecção e no dia 5 de outubro de 2016 recebeu alta hospitalar. “Além das infecções e cirurgias, nossa guerreira fez 14 transfusões de sangue, as quais também aprendemos que eram muito comuns em prematuros como ela. Foram 102 dias entubada, com ventilação mecânica, mas, enfim, havíamos vencido os quatro meses de internação”, destacou a mamãe.

Após a fase de internação, Alex e Graciele enfrentaram a adaptação de Theodora em casa. “O mais difícil foi ela aprender a sugar, pois até então se alimentava por sonda nasogástrica. Aos poucos ela foi se adaptando, mas passamos muitos medos, pois seria muito perigoso se ela aspirasse e o líquido fosse para o pulmão. Se isso acontecesse teríamos de voltar com ela para o hospital. Graças a Deus contamos com duas grandes profissionais, a fisioterapeuta Mariane Félix Torres e a fonoaudióloga Thais Laranja Fontão, que nos auxiliaram diversas vezes nesta fase”, agradeceu Graciele.

E apesar de tudo que passou, Theodora não apresentou nenhuma sequela, já que as chances disso acontecer eram consideráveis. Questionados sobre as lições que tiraram da prematuridade da filha, ambos foram enfáticos. “Aprendemos a ter muita paciência. A respeitar o tempo dela, em tudo e para tudo. A aumentar a nossa fé e agradecer a Deus cada nova conquista, por menor que fosse. E a amar nossa Theodora assim, do jeitinho que ela é. O bebê prematuro ensina tudo isso e muito mais. Ensina que, apesar de todas as dificuldades, há felicidade, há alegria e Deus sempre vai dar aquela força que precisamos para não desanimar e jamais desistir dos nossos filhos, independente se ele nascer de 40 ou 25 semanas. A Theodora é um milagre… é o nosso milagre”, concluiu o casal.

Linda, graciosa e muito alegre: assim é o milagre chamado Theodora (foto: Malu Zulli Fotografias)
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