João Marin: Quando a Arte Marcial é mais que um trabalho – é um estilo de vida e para a vida

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ELE COMEÇOU OS TREINAMENTOS EM HAPKIDO COM APENAS 12 ANOS E HOJE É O ÚNICO PROFESSOR RIO-PARDENSE A PERTENCER AO LIVRO DOS GRANDES MESTRES DAS ARTES MARCIAIS DO BRASIL

Reportagem e Texto: Natália Tiezzi Manetta

Despojado, de um bom humor que convida a uma boa conversa, entretanto compenetrado e exigente quando o assunto é o seu trabalho: Artes Marciais e Defesa Pessoal. Assim é o professor ou mestre, como costuma ser chamado pelo seus alunos, João Henrique Escoque Marin. Em entrevista ao site, ele contou detalhes de sua brilhante trajetória no Hapkido, que, inclusive lhe rendeu pertencer por dois anos consecutivos ao livro dos Grandes Mestres das Artes Marciais do Brasil.

Mas, para chegar a este patamar de destaque, João contou que, literalmente, ‘lutou’ muito, e orgulha-se disso, sem falsa modéstia. “Se hoje aprendi tudo que sei e, graças a Deus, posso colocar em prática junto aos meus alunos foi por meio de muito esforço e dedicação, e por muitos anos. Nesta área profissional, como na maioria delas, o êxito é alcançado após um longo caminho a ser percorrido, entre vitórias e derrotas”, afirmou.

As Artes Marciais, bem como a Defesa Pessoal se tornaram muito mais que áreas profissionais para João, mas um estilo de vida e para a vida, não apenas dele, mas também de sua gama de alunos na Escola de Arte Marcial X- Tatame.

E o gosto por elas foi tão além do esperado pelo próprio professor que ele deixou sete anos de trabalho em uma multinacional para se dedicar ao que atualmente ele nem chama mais de trabalho, mas uma arte visando o bem estar, o conhecimento pessoal e a superação. Conheçam um pouco mais sobre João Marin na entrevista completa abaixo.

João, o que te motivou a praticar o Hapkido?

João Marin: Na verdade eu comecei por acaso, por influência de um primo, que já treinava e por causa do meu irmão (eu perdia dele nas brigas de moleque – risos). Comecei a treinar em 1998, com 12 anos, na academia do professor Veraldo Varsone e me identifiquei tanto com o esporte que em 2004 conquistei a faixa preta. O que era apenas uma brincadeira acabou se tornando coisa séria na minha vida.

Por falar em ‘coisa séria’, quando decidiu ministrar aulas da Arte Marcial?

Fui incluenciado por um amigo, o saudoso Richard Venezian, que trabalhava comigo à época numa multinacional. Certo dia ele me chamou e disse que queria inovar em sua academia trazendo alguma atividade. E chegamos ao Hapkido. Comecei a dar aulas na Max Phisical em 2007.

E quando surgiu a oportunidade de ter o seu próprio negócio?

Puxa, é uma longa história. Vou resumir (risos). Além de dar aulas na Max Phisical, em 2008 comecei a ministrar aulas também em Mococa, concomitante ao trabalho que tinha na fábrica. Mas, sempre sonhei em ter a minha própria escola. Foi então que em 2009 reformei um barracão que fazia parte de uma chácara que era do meu pai e comecei ali o meu negócio. Dois anos depois, em 2011, saí da fábrica, pois as aulas, além de mais rentáveis, me proporcionavam mais prazer. Costumo dizer que ‘não trabalho’ desde aquele ano tamanha é minha satisfação em fazer o que faço.

Você fez algum curso específico para poder ministrar os treinamentos?

Entrei na faculdade de Educação Física em 2010 e conclui o curso, pois de uns anos para cá é necessária a graduação para dar aulas de Artes Marciais. Além disso, pensa numa pessoa que fez cursos… Até com a SWAT CATI (Tactical Training), que fiz em Curitiba, em 2016. E também já ministrei cursos, inclusive para o BOPE, em Hapkido, bem como estou em formação em Kali, que é uma Arte Marcial de Origem Filipina. Além dele e da Defesa Pessoal, fiz curso de especialização em Acupuntura, massagem e em Treinamento Funcional, áreas profissionais que também atuo.

Você competiu na modalidade esportiva em Hapkido?

Sim, competi até 2012, mas optei por me profissionalizar e dar ênfase às minhas aulas. Desde então parei de competir. Também foi neste ano que mudei a escola para esse endereço, à rua Antônio Cerbone, 24, Jardim Nova Belmonte, onde funciona atualmente.

Você é uma pessoa muito espotânea, divertida, inclusive com seus alunos. Como faz para conciliar esse seu lado brincalhão com a discilpina nos treinamentos?

Tanto eu, quanto meus alunos sabemos separar o João amigo, parceiro, do João professor. É claro que brinco durante as aulas, até para quebrar um pouco aquele clima de silêncio, mas consigo, através das próprias brincadeiras impor meu ritmo, respeito e, acima de tudo, comprometimento, tanto meu com os alunos, quanto dos alunos comigo durante os treinamentos.

Você já teve que lidar com ‘alunos problema’?

Não digo ‘problema’, mas que me deram um pouco de trabalho sim, porém por pouco tempo. A partir do momento que uma pessoa opta por treinar aqui na X-Tatame esclareço sobre algumas regras que precisa seguir. Por exemplo: quem procura a escola para aprender a brigar nem precisa perder tempo aqui. Como disse, os treinamentos são voltados a melhorar a qualidade de vida dos alunos não para piora-la. Além disso, Arte Marcial não pode se resumir a uma luta. Ela vai muito além disso…

Além do Hapkido e da Defesa Pessoal, quais outros treinamentos a X-Tatame oferece?

Além desses, o Kung Fu, Treinamento Funcional e o Box Feminino.

A partir de que idade a Defesa Pessoal e o Hapkido é indicado?

O Hapkido partir dos 7 anos, para meninos e meninas. E não tem idade para começar. Já tive alunos aqui com mais de 60 anos. Já a Defesa Pessoal com mais ou menos 15 anos, tanto para homens, quanto mulheres.

Como a Arte Marcial pode contribuir com a qualidade de vida?

Em inúmeras situações. Ela auxilia a superar desafios, ter e ir em busca de um objetivo, melhora o condicionamento físico, a postura, a autoestima e a autoconfiança. Ouço muitos relatos de meus alunos que souberam transformar as lições aprendidas nos treinos ao enfrentamento de situações do dia-a-dia como, por exemplo, falar em público. Isso é uma questão de autocontrole e autoconfiança, aprendidas na Arte Marcial.

Você teve momentos marcantes em sua carreira? Poderia citar alguns?

Nos anos de 2016 e 2017, quando sai no livro dos Grandes Mestres das Artes Marciais do Brasil, além de um recente curso que ministrei aos atiradores do Tiro de Guerra 02-038, com apoio de instrução de manuseio de tonfa. Acho que esses me marcaram pessoal e profissionalmente falando.

Para finalizar, o que mais aprendeu em todos esses anos como professor de Hapkido e Defesa Pessoal?

Nossa, muita coisa, mas principalmente a tratar a todos de igual para igual, respeito ao tempo e ao corpo, e não fazer com os outros o que não quero que os outros façam comigo. Como disse anteriormente, a Arte Marcial é um estilo de vida e para a vida.

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