Homenagem especial: Os 69 anos da Relojoaria Nasser

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O SAUDOSO ‘CHILO’ ENSINOU A PROFISSÃO AO FILHO, CHILINHO NASSER, QUE ATUALMENTE ADMINISTRA O TRADICIONAL COMÉRCIO

Reportagem e texto: Natália Tiezzi Manetta

Nossa matéria especial deste sábado na verdade é uma singela homenagem a um dos comércios mais tradicionais de São José, a Relojoaria Nasser. Inaugurada em 1950, a casa comercial completou 69 anos sendo administrada pela família que dá nome ao estabelecimento.

Para contar um pouco dessa história de muita luta, amizades e dedicação ao trabalho, a reportagem entrevistou Antônio Nasser Neto, o Chilinho. Ele explicou que a relojoaria foi idealizada pelo pai, o saudoso Antônio Nasser Filho, mais conhecido como Chilo.

“Meu pai começou a trabalhar no ramo da relojoaria quando tinha 13 anos, no comércio que pertencia ao relojoeiro Felipe Grecco. Lá aprendeu tudo sobre conserto de relógios e também jóias, permanecendo por sete anos”, contou Chilinho.

Após esse período, Chilo abriu sua própria relojoaria, que levou seu sobrenome Nasser, e funcionava em um dos cômodos onde atualmente está instalada a Guarda Mirim. “Ao longo dos anos, a relojoaria mudou de endereço e ocupou dois imóveis à rua Dr. João Gabriel Ribeiro. Somente nestes endereços na João Gabriel foram mais de 40 anos. Sempre muito gentil e atencioso com os clientes, meu pai fez muitos amigos na relojoaria”, observou Chilinho.

Relojoaria funciona atualmente à rua Marechal Floriano, 34, no Centro

DE PAI PARA FILHO

Ele contou que começou a trabalhar no comércio da família em 1980, aos 13 anos, e aprendeu o ofício observando o pai trabalhar. “Meu pai me ensinou tudo que sei na profissão e não só a mim como a muitos relojoeiros da cidade, os quais mantenho amizade e respeito até hoje”, afirmou Chilinho.

Porém, muito mais que a consertar relógios e jóias, Chilo ensinou outras lições de vida para o filho único. “Honestidade, responsabilidade, dedicação ao trabalho. Essas foram as verdadeiras e grandes lições que ele me ensinou”, contou Chilinho, emocionado ao recordar-se do pai.

O filho também herdou outras características de Chilo, principalmente a facilidade em fazer amigos e a atenção prestada aos clientes. “Inclusive ainda tenho clientes de quando meu pai administrava a relojoaria. Gerações passaram e passam por aqui. Vez por outra ouço relato de clientes que dizem que meu pai fez a aliança de casamento dele e agora estou fazendo a do filho, do neto, enfim. É muito gratificante saber que nosso comércio faz parte da vida e da história de tantas pessoas, seja com uma jóia ou por meio do conserto daquele relógio querido ou uma relíquia de família”, disse.

O saudoso senhor Chilo faleceu em 2003 e Chilinho mudou a relojoaria de espaço, funcionando atualmente em prédio próprio à rua Marechal Floriano, 34. “Mudei para cá em 2011 e, graças a Deus, me livrei do aluguel. Até pensei que pudesse perder parte da freguesia, pois a rua João Gabriel Ribeiro era mais movimentada, mas isso não aconteceu, pois mantivemos nossos clientes, que são fiéis”.

TRADIÇÃO FRENTE À CONCORRÊNCIA

Chilinho disse que a profissão de relojoeiro está um pouco desvalorizada. “A concorrência, principalmente com produtos da China chega a ser desleal. Mas acredito que o atendimento, o comprometimento, a qualidade dos serviços e a credibilidade ainda façam a diferença aqui na Relojoaria Nasser”, ressaltou o relojoeiro.

Ele salientou ainda que atende clientes de toda a região. “Mais uma vez meu pai me ajudou muito, pois quando assumi a administração já havia uma clientela e consegui mante-la, inclusive pessoas de Mococa, Casa Branca, São Sebastião da Grama e Tapiratiba, que fazem questão de serem atendidas aqui”.

Entretanto, com o mercado cada vez mais competitivo, a Relojoaria Nasser não oferece apenas consertos, mas também a comercialização de relógios em geral, confecção de alianças, além de joias em aço cirúrgico.

Para ajudar na relojoaria, Chilinho conta com uma ajudante, aliás, uma ‘secretária’ muito especial, sua mãe, dona Maria Helena. “Desde que meu marido faleceu ocupo meu tempo por aqui e tenho essa possibilidade de também ajudar meu filho”, disse ela.

Por falar em ajuda, Chilinho fez questão de mencionar e agradecer ao seu tio João. “Morei 19 anos em um espaço junto à casa dele e com isso pude economizar no aluguel para, enfim, ter o meu imóvel como tenho hoje. E isso graças à generosidade dele”.

Passado e futuro: O conserto de relógios antigos é a marca registrada da loja, que se modernizou e hoje também comercializa outros tipos de relógio e acessórios

A PAIXÃO POR FOTOS ANTIGAS

A grande parede forrada por fotos antigas chama a atenção de quem entra na relojoaria. Além dos mavericks também expostos na loja, a outra paixão de Chilinho é fotografia antiga, inclusive muitas delas de São José do Rio Pardo.

“Tudo isso começou com meu avô, que trabalhava no cinema e passava os filmes. Foi então que comecei a colecionar. Muita gente soube dessa minha paixão pelas fotos e trazia fotos antigas até aqui para eu digitalizar. E foi assim que este mural cresceu e ainda está crescendo. Atualmente tenho mais de 700. Quero agora retratar os jogadores de futebol de São José do Rio Pardo, concluiu.

Além das fotos expostas, Chilinho tem mais centenas arquivadas, verdadeiras relíquias de momentos e lugares inesquecíveis em São José do Rio Pardo
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