Emerson de Souza: Técnico de basquete está há 15 anos no Paraná

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São 32 anos de história com o esporte que o consagrou também em São José no DEC , no Rio Pardo Futebol Clube, em São José dos Pinhais e agora em Campo Mourão

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Amigos internautas. O www.minhasajose.com.br, em seu espaço “Cadê Você?”, traz entrevista especial com um rio-pardense que marcou a história do esporte em Rio Pardo, principalmente o basquetebol: Emerson Luís de Souza.

No bate papo virtual, o veterano das quadras como técnico iniciou sua trajetória esportiva em outra modalidade, incentivado pelo pai, senhor Luís, que jogava na Fazenda Itaiquara. O basquete entrou em sua vida quando ele cursava a 5ª série do Ensino Fundamental, na E.E. Tarquínio Cobra Olintho, motivado pelo seu professor de Educação Física, Renato Pedrosa.

Após passagem pelo DEC como jogador de basquete, Emerson constituiu boa parte de sua carreira esportiva como técnico no Rio Pardo Futebol Clube, onde também ingressou como atleta e aos 15 anos teve a oportunidade de iniciar e registrar sua marca como treinador.

Graduado em Educação Física pela UEM de Muzambinho em 1994, Emerson foi criado no bairro João de Souza ao lado dos irmãos e também atletas e técnicos Heber Luis de Souza e Luís Antônio de Souza Junior.

E foi em 2005 que a carreira de Emerson como treinador começou a trilhar novos caminhos, mais precisamente à região sul do Brasil. Há 15 anos ele mudou-se para o Paraná, onde trabalhou junto à equipe de basquete de São José dos Pinhais, residindo por lá 3 anos. Depois, o técnico recebeu um convite para atuar em Campo Mourão e treinar uma das equipes de basquete de maior destaque no país, que disputa competições como a Liga Nacional (NBB) e onde já conquistou inúmeros títulos.

Apesar da distância, Emerson jamais esqueceu suas raízes e recordou com carinho de seus ex-atletas no RPFC, algumas conquistas importantes do alvinegro e, claro, da saudade da família e de exercer a profissão como professor de Educação Física, que fez durante anos no colegio De Grau em Grau/COC.

O técnico também fez uma observação ao esporte rio-pardense. “Não é uma crítica, mas acredito que Rio Pardo tem um grande potencial esportivo e que poderia ser mais aproveitado. Há excelentes estruturas nos clubes, enfim. Muita gente precisa entender que esporte não é apenas para melhorar a saúde física, mas contribuiu muito para a saúde mental, comportamental, principalmente das crianças e jovens. Que a próxima administração tenha um olhar diferente à Educação Esportiva”, destacou. Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Em quadra Emerson é conhecido por ser um técnico enérgico, que acredita e motiva seus atletas, além de muito amigo de todos

Emerson, quando, onde e por que você começou a praticar esportes?

Comecei a praticar esportes ainda criança por incentivo e influência de meu pai, que jogava futebol, portanto, meu primeiro esporte foi o futebol! Jogava no Grêmio Nestlé, Botafogo, Bonsucesso, Associação Atlética Riopardense, Vasco…

E quando surgiu essa paixão pelo basquete?

Quando eu cursava a 5ª série do Ensino Fundamental, na década de 80, o professor Renato Pedrosa me convidou para participar da iniciação de basquete no DEC. Os treinos eram no Ginásio Tartarugão. Me identifiquei com o basquete e não o larguei mais! A partir dali comecei a construir uma carreira voltada ao basquete.

Paralelo ao esporte, qual foi seu primeiro emprego?

Meu primeiro emprego foi como cobrador de mensalidade no Rio Pardo Futebol Clube, emprego que consegui graças ao saudoso “Gugu”. Também jogava pelo clube e certo dia o senhor Pedro Gromiki me convidou para ser técnico da categoria sub-12, escolinha de basquete. Eu tinha 15 anos na época. Paralelo a isso também trabalhei com o professor Luizinho Abichabki na Inspetoria de Esportes, onde aprendi muito sobre organização, planejamento, etc.

Sua passagem como treinador no RPFC marcou gerações. Por quanto tempo permaneceu no cargo?

Fui técnico de basquete no alvinegro de 1988 a 1998. Depois retornei em 2000 e permaneci até 2005. Em 1998 atuei como técnico da ACCPE de Casa Branca. Mas, voltando ao Rio Pardo, vi e participei de todas as fases do basquete mais atual do clube. Em 1995, sob a direção de basquete do Cléber Abade, que muito apoiava a modalidade, o RPFC deu um salto muito grande na qualidade com conquistas como o tricampeonato das equipes mirim, infantil e juvenil. Promovemos um trabalho de destaque entre os anos de 96 e 98 para disputa do campeonato paulista. Em 2000 o clube montou uma equipe profissional, sempre com o apoio do senhor Lupércio França Torres, outro grande incentivador do esporte e diretor à época. Essa equipe disputou a série A-2 do Paulista, sagrando-se campeã e conquistando a vaga para a 1ª divisão do basquete de São Paulo. Também tive a honra de ser campeão paulista com a equipe pré-mini, sendo que, à época, era coordenador de basquete, além de conquista de Jogos Regionais, etc. Aprendi muito no RPFC e agradeço a todos que me deram essa oportunidade de crescimento profissional.

No Rio Pardo Futebol Clube, Emerson foi de atleta a técnico, passando pelas escolinhas até treinar o time profissional (Foto: Boletim Esportivo)

Você disse que adorava ministrar aulas como professor de Educação Física. Quando e como foi esse período?

Iniciei como professor de Educação Física no colégio De Grau em Grau COC em 1992 e permaneci até 2005. Participamos de muitas competições escolares, campeonatos de futsal, futebol. Tinha envolvimento direto com as crianças, jovens, pais e isso me fazia muito bem como profissional. Porém, estava em uma época que almejava profissionalizar o basquete no RPFC e era muito difícil conciliar a educação física com o cargo de técnico. Optei pelo clube para poder desempenhar bem uma função, mas jamais esqueci deste período maravilhoso no COC.

Por que decidiu sair de São José?

Em 2005 recebi um convite para trabalhar na Liga Nacional defendendo a equipe de São José dos Pinhais, que fica na região metropolitana de Curitiba, no Paraná. Neste mesmo ano conquistamos o título paranaense e no ano seguinte conquistamos a 3ª colocação na Liga Nacional de Basquete, melhor colocação do estado do Paraná a nível de Liga Nacional. No final de 2007 recebi outro convite para me transferir para Campo Mourão, município de cerca de 100 mil habitantes, para enfrentar um grande desafio em mina carreira, com 3 objetivos distintos: massificar o basquete na cidade, com trabalho nas escolinhas, qualificar os trabalhos nas categorias de base e profissionalizar a equipe adulta para ter representatividade nas competições estaduais e nacionais. E é o que estamos fazendo desde então, há 12 anos!

Hoje, onde desempenha seus trabalhos e qual cargo exerce?

Sou técnico da equipe profissional e o gestor de um dos maiores projetos de basquete do Brasil e o maior da região Sul, o Basquete Cidadão. Ele é dividido em 7 departamentos, sendo o primeiro trabalhando com 11 núcleos, que atendem cerca de 600 crianças gratuitamente, com iniciação à modalidade; departamento 2, que são as categorias de base, sub-8 ao sub-22; departamento 3, formado por atletas amadores e veteranos, ex-atletas de base do Campo Morão; departamento 4, recém criado, que contempla a modalidade de basquete 3X3; departamento 5, que consiste na criação da liga regional, copa centro oeste de basquete, organizada pelo Campo Mourão na região e que conta com a participação de 25 municípios, atendendo equipes sub-12, sub-14, sub-17 e adulto feminino; departamento 6, que é o basquetebol adulto feminino, cujo objetivo é eleva-lo ao nível de competições nacionais, e o departamento 7, que é a equipe profissional masculina adulta, que atualmente está entre as melhores do país há 3 temporadas.

Erguendo mais um troféu das inúmeras conquistas em sua trajetória de mais de 3 décadas no basquete (Crédito: Boletim Esportivo)

A aceitação de sua família foi tranquila quanto ao fato de mudarem aqui de São José?

No começo foi muito difícil. Ei ia para São José dos Pinhais sozinho, mas sempre tive o apoio de meus pais, principalmente de minha mãe Alice, além, é claro de minha esposa Viviane. Meu filho Rafael tinha 5 anos quando fomos para o Paraná. Atualmente, Viviane é Personal Trainner e coordenadora de ginástica e o Rafa é atleta do Campo Mourão, disputando a Liga Nacional sub-20, fazendo parte da equipe profissional. Ele, que está terminando o 1º ano do curso de Educação Física, seguirá a carreira dos pais, o que nos enche de orgulho!

Qual foi o momento mais importante de sua carreira?

Puxa foram e são muitos. Atletas que me marcaram por desempenharem e defenderem ideias compartilhadas comigo como técnico e gestor. Entre as competições, sem dúvida, a disputa e classificação de Campo Mourão para o play off da Liga Nacional de Basquete, que o classificou para jogar as séries de final com o time do Vitória, da Bahia. Perdemos no 5 º jogo, mesmo assim ficamos muito perto de conquistar a vaga para a liga Sul Americana. Durante 12 anos aqui no Sul conquistei 20 títulos expressivos a nível estadual e nacional, entre eles a disputa da super copa brasil de 2011 a 2013, as edições da Liga Ouro, sendo que em 2017 conquistamos o vice campeonato da 2 divisão e, mesmo perdendo para o Vasco no Rio de Janeiro, conseguimos o acesso para o NBB, onde disputamos jogos com grande equipes nacionais como Corinthians, Flamengo, Bauru, Franca, São Paulo. Jamais esquecerei também as inúmeras conquistas e vitórias pelo RPFC também, com grandes nomes que me apoiaram e, claro, os atletas que tive a honra de conhecer e treinar.

Com o filho, Rafael e a esposa Viviane durante homenagem que recebeu da Câmara de Campo Mourão

O que a mudança de cidade lhe trouxe como lição?

Aprendi a valorizar ainda mais minha família e, em uma de minhas maiores conquistas profissionais contra Franca, pelo NBB, ela estava presente e isso fez toda a diferença.

Qual é a sua maior saudade de São José?

Sem dúvida a família, pai, mãe, irmãos, sobrinhos, familiares por parte da minha esposa e amigos. Tenho muito orgulho de São José, de ter sido criado aí. Sinto saudades do Tartarugão e hoje amo o que faço porque esse amor nasceu nas quadras do Tartarugão, da escola Tarquinio, ginásio do RPFC e quadra do COC. Sou grato a todos que me apoiaram em todos esses espaços.

Por falar em Rio Pardo, o que acha do esporte na cidade?

Quero deixar claro que isso não é uma crítica, apenas uma observação. São José ainda não valoriza a importância que o esporte tem na vida das pessoas e tem muito que crescer neste sentido. Tomo como exemplo os dirigentes esportivos no Paraná, que cuidam e valorizam o esporte como ferramenta de educação, inclusão e transformação social. No esporte a criança aprende muito mais que jogar uma bola, como também respeito, paciência, superação, sonhar, trabalhar em equipe. São valores que o esporte também proporciona. Gostaria de ver São José valorizar um pouco mais a educação esportiva, pois tem muito potencial, estrutura e economia para trabalhar mais o esporte. Espero que a nova administração motive e incentive os níveis de esportes da cidade.

Com a atual equipe de basquete profissional de Campo Mourão

Para finalizar, quais são seu planos para o futuro?

Espero que o Projeto Basquete Cidadão cresça em excelência e representatividade. Queremos qualificar cada departamento, além de disputar as primeiras colocações das competições, melhorando desde as escolinhas até a Liga Regional Feminina, sempre motivando também a equipe profissional adulta, que é a que nos move rumo ao êxito de todas as demais. Trabalho, superação, resiliência. Só estamos começando…

Com parte de sua família, o irmão Héber, sobrinhos, a mãe, Alice e o pai, Luis, durante um dos jogos mais importante de sua carreira, no Paraná
Comemorando mais uma vitória com o filho, Rafael, que também é atleta do Campo Mourão
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