“Árvore de Deus”: Fotógrafa Roberta Simões enfrenta a pandemia cuidando de centenas de pássaros 

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Fotografia e natureza: Atividades viraram rotina e ela descreveu como uma ‘terapia ao ar livre’ que lhe faz muito bem à alma

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Paciência, tolerância, bem estar. Esses foram alguns sentimentos que a fotógrafa Roberta Simões aprendeu a tornar mais presentes em seu cotidiano após ‘adotar’ uma árvore no Recanto Euclidiano (Herma). 

A bonita história entre Roberta e os pássaros e demais animais que frequentam o espaço da chamada ‘Árvore de Deus’, nome dado pela fotógrafa por reunir dezenas de espécies de aves começou no início da pandemia, quando ela perdeu muitos contratos de trabalho devido ao cancelamento de eventos. 

“Comecei a sair de carro e fotografar, que é o que mais amo fazer na vida. A princípio avistei uma árvore, na Vila Pereira, onde periquitos me chamaram a atenção. Eram muitos! Também fotografava outras espécies nas praças onde frequentava e uma árvore, na praça XV de Novembro, na Matriz, me chamou a atenção. Um senhor alimentava os pássaros colocando algumas frutas no tronco e galhos para que pudessem se alimentar. Passei a observar com carinho essas aves desde então”, disse. 

Roberta também passou a frequentar o Recanto Euclidiano com mais frequência e a partir daquela árvore da Praça da Matriz teve a ideia de ‘adotar’ uma delas na Herma. “Comecei a colocar frutas, bem aos poucos, e notava que os pássaros se aproximavam. Tudo isso começou em julho do ano passado e confesso que esse convívio com os animais tem me ajudado muito neste momento de pandemia”. 

Após 8 meses, a ‘Árvores de Deus’ reúne não apenas dezenas de espécies de pássaros, mas também macacos (saguis), abelhas, marimbondos e até o lagarto Teiú já fez algumas visitas. “Venho aqui duas vezes por dia e, além de alimentar os pássaros e demais ‘agregados’ fico observando como é maravilhoso este mundo animal. As abelhas e marimbondos respeitam o espaço dos demais, inclusive das pessoas. Eu mesma nunca levei uma picada. Já os pássaros disputam um pouquinho a comida, mas também convivem em harmonia”, observou. 

E ela fez questão de deixar a árvore ainda mais bonita. “Coloquei algumas casinhas, enfeites e deixei bem colorido. Acho que isso é um pouco meu. Gosto de cor, de vida”. 

QUILOS DE FRUTAS E RAÇÃO 

A fotógrafa disse que o consumo de frutas e ração é grande na ‘Árvore de Deus’. “Ofereço sempre bananas, uma média de 30 ao dia, mamão, laranja, maçã. Boa parte são doações feitas uma vez por semana pelo Solar Supermercados. Já a ração eu mesma compro e são consumidas quatro sacas de oito quilos por mês. Entre as espécies que frequentam aqui estão o sanhaço, as pombas, os periquitos, bem-te-vi, beija-flor, pica-pau, mas as cambacicas são as que realmente fazem a festa. São aves de porte pequeno e que se refestelam aqui no ‘refeitório’ delas”. 

Roberta também deixa água às aves em um bebedouro colocado junto à árvore. “Troco a água todos os dias, bem como as frutas e deixo esse pequeno espaço no entorno da árvore sempre limpo. Faço questão de assim deixar, pois muitas pessoas já vêm até aqui para observar as aves, inclusive famílias com crianças, idosos”. 

Ela fez um apelo para que as pessoas que frequentam o Recanto Euclidiano também mantenham o espaço limpo, bem como o poder público faça limpezas com mais frequência no local. “Esse lugar é maravilhoso, mas precisa de mais cuidados, tanto da parte da população, como das autoridades. Vez por outra está cheio de lixo, galhos, entulhos da própria natureza que precisam ser retirados e limpos com mais frequência”. 

A árvore ganhou mais cores e vida: além das frutas, casinhas e outros ‘enfeites’ que Roberta fez questão de oferecer aos pássaros

TERAPIA AO AR LIVRE 

O contato com os pássaros e outros animais fizeram com que Roberta aprendesse algumas lições que a escola não ensina. “Digo sempre que a Árvore de Deus é uma terapia ao ar livre. Aprendi com os animais a ser mais tolerante, mais paciente e isso influenciou positivamente na minha qualidade de vida, no meu dia-a-dia”, disse.

Outra coisa que melhorou muito em Roberta após a ‘adoção’ da árvore foi o humor. “Eu fico aqui observando esses pássaros e dou muita risada. É uma forma de distração para mim, que vivo sozinha e de uma hora para outra perdi meus contratos de trabalho por conta da Covid-19. O bem que faço à natureza é retribuído por ela pela alegria dessas aves, que me faz sentir mais alegre também”. 

Roberta também se diz feliz por outras pessoas ‘copiarem’ sua ideia. “Muitas pessoas já vieram aqui e disseram que pretendem fazer isso em outras árvores por aí. Fico feliz, pois uma ação tão simples como essa, de alimentar pássaros, faz um bem danado e que isso realmente se multiplique. É bom para os animais, mas principalmente para nós, humanos, que temos muito a aprender com a fauna”. 

Questionada se gostaria de ‘adotar’ mais árvores, Roberta foi muito sincera, aliás, uma de suas principais caraterísticas. “Adoraria adotar mais algumas árvores e fazer isso em outros lugares, praças, mas o custo é alto. A ração é muito cara. Porém, se eu tivesse doação ao menos de ração eu aumentaria as ‘Árvores de Deus’ por aí com toda certeza”, concluiu. 

CONFIRA, ABAIXO, ALGUMAS ESPÉCIES DE PÁSSAROS E OUTROS ANIMAIS QUE ‘FREQUENTAM’ A ÁRVORE (FOTOS: ROBERTA SIMÕES)

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