CIDADEDESTAQUEEDUCAÇÃO

E. E. “Euclides da Cunha” completa 90 anos: Escola atende 800 alunos, em três turnos

Texto: Natália Tiezzi. Texto homenagem: Professora Ana Paula Pereira

Neste 15/10, Dia do Professor, a homenagem do site e jornal online Minha São José a todos os mestres é por meio de um dos espaços mais emblemáticos, em que muitos deles puderam desempenhar essa tão nobre profissão: a Escola Estadual Euclides da Cunha, que no próximo 18/10 completa 90 anos de história em São José do Rio Pardo.

De acordo com a diretora, também professora Silvana Aparecida Pizani Cavalli, a unidade escolar atende 800 alunos, em três turnos, oferecendo curso aos Anos Finais do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Ensino Técnico Profissional de Administração e Farmácia, modalidade EJA – Educação de Jovens e Adultos (Anos finais e EJA Flexível Ensino Médio).

Ela não escondeu a emoção não apenas pela data especial, mas por também ter sido aluna do tradicional colégio estadual, que fez parte da vida escolar de muitos rio-pardenses, que, sem dúvida, guardam histórias e memórias deste lugar, imponente aos olhos, onde a dedicação e o empenho de uma grande equipe, inclusive dos próprios professores, a fazem ‘funcionar’ todos os dias letivos.

Assim como as gerações que já passaram por lá e concluíram seus estudos, as novas estão tendo essa oportunidade, numa estrutura que vem sendo constantemente adaptada, reformada, para receber cada vez melhor a expressiva quantidade de alunos, sempre com respeito, dignidade e um ensino de qualidade.

Além dos Ensinos Fundamental II e Médio, a escola ampliou o olhar ao futuro dos estudantes e implementou, anos atrás, os dois cursos de Ensino Técnico, que contam com grande adesão, sendo uma oportunidade que vai além do conhecimento, mas abre portas ao mercado de trabalho aos jovens.

Estar à frente da direção, fazer parte da equipe de trabalho e do corpo docente da escola não é tarefa fácil e, muitas vezes, é desafiadora, pois o colégio não para: seja de manhã, à tarde ou à noite, a magia da Educação acontece e precisa acontecer da melhor forma possível: com ação, qualidade, segurança e muito amor a cada trabalho promovido e realizado.

Aos alunos, professores, direção e equipes de trabalho da E.E. Euclides da Cunha, nossos parabéns pelas nove décadas de tradição à Educação rio-pardense!

Nove décadas de histórias, memórias e aprendizados que fizeram e fazem parte de muitas gerações

Abaixo, segue um emocionante texto da professora Ana Paula Pereira, que leciona no colégio, enviado gentilmente pela diretora Silvana à essa publicação.

“Impossível chegar à Escola Euclides da Cunha e não se impactar: por trás das antigas-esvoaçantes árvores de sua calçada, um jardim verde brilhante, com altos e calmos coqueiros emoldura a fachada desta senhora feita de concreto. Feita para durar. O céu azul do dia ou o céu estrelado da noite completam a moldura desse quadro rio-pardense. Neste ano, essa senhora completa 90 anos de existência – um verdadeiro símbolo do poder da união dos cidadãos de São José do Rio Pardo em prol de algo fundamental para o bem comum: a educação.

O professor Rodolpho José Del Guerra (em seu livro “No Ventre da Terra Mãe”) nos conta que em 1928, no jornal “Resenha” (de Paschoal Artese), já se falava da necessidade de nosso povo se unir para que aqui houvesse uma escola profissional. O jornal argumentava que seria impossível “(…)que os nossos homens principais, os chefes de família abastados ou medíocres, em fortunas, não reconheçam quais as vantagens que adviriam de (…) um ginásio, onde se poderia anexar uma escola normal, ou de farmácia, ou de odontologia”.

O apelo do jornal rendeu frutos e então, pelo decreto 6.691, de 21-09-1934, foi autorizada a existência do ginásio estadual em São José. Seu projeto foi feito por técnicos, na capital de São Paulo, e José Maria da Silva Neves foi o engenheiro-arquiteto responsável. O traçado arquitetônico  do prédio representava o que havia de mais moderno, em termos de edifícios escolares, na época. O projeto do então Ginásio Euclides da Cunha representava uma  forma moderna de se pensar o ambiente escolar; por isso, deveria ser um lugar “simples, harmonioso e de fácil asseio”, de acordo com Neves. Para ele, esse projeto deveria ser racional, já que a escola deveria “aproveitar todo conforto das construções modernas, de todas as conquistas das ciências no sentido de realização sob o ponto de vista da higiene pedagógica”.

A arquiteta urbanista, Natália Cappellari Rezende, oferece-nos mais explicações sobre o projeto da Escola, em sua dissertação de mestrado (2019), “São José do Rio Pardo e as moradias do centro histórico (1865-1940)”; para ela, o “sóbrio edifício de fachadas simétricas, com sequência rítmica, marcada pelas pilastras e aberturas regulares, amplos beirais e geometrização de detalhes e elementos que o  vinculam ao estilo art déco”.

Entretanto, é muito importante que não nos esqueçamos de que a construção deste prédio somente aconteceu por conta da união do povo de nossa terra. Já que o governo do Estado não ajudaria na construção,  cidadãos rio-pardenses de todas as classes sociais se uniram em esforços políticos, arrecadações de dinheiro, doações de materiais, quermesses para que a escola fosse colocada de pé; a Prefeitura da época doou o Parque do Centenário,  um dos pontos mais altos, no centro da cidade.

Diante de tantos esforços, tanto a colocação da pedra fundamental, quanto a primeira telha colocada neste prédio foram motivo de festa para toda a comunidade rio-pardense. E assim, no dia 18 de outubro de 1936, às 17 horas, o então governador do Estado, Dr. Armando Salles de Oliveira, inaugurou o Ginásio Euclides da Cunha, em meio a várias festividades na cidade.

E, passados esses 90 anos, essa senhora tem sobrevivido a muita coisa:  duas ditaduras, diferentes experiências pedagógicas (que administrações do governo do Estado tentaram implementar); mais salas foram feitas, depois da democratização do ensino; mais alunos foram colocados em cada classe; algumas matérias sumiram do currículo, outras precisaram ser colocadas; o laboratório de física, hoje, transformou-se no laboratório do curso de farmácia; o laboratório de química modernizou-se; o laboratório de biologia deu lugar a mais uma sala de aula. E a biblioteca? O esforço feito, em 1937, com o intuito de arrecadar  livros para sua biblioteca, foi realmente deixado no passado: hoje, o que interessa é o livro digital.

Além de passar por todas essas situações, não se pode esquecer do quanto a sociedade mudou: a ideia de coletividade foi deixada para trás, em nome do individualismo. Soma-se a isso, o fato de que a modernidade dita que algo bom deva ser algo em que não se gaste muito tempo, mas que gere muito lucro. Sabemos que educação exige muito tempo para acontecer; os lucros vindos dela, porém,  podem demorar a chegar. Dito isso, vemos que a educação não é mais um bem comum pelo qual todos de uma comunidade se unem para que aconteça. Infelizmente, a comunidade não está mais interessada na Escola. Ainda assim, a Escola é uma das primeiras a sentir o abandono da comunidade e  a constatar o quanto a sociedade está doente. E esse sentir e esse verificar se dão por meio de sua maior preciosidade:  seus alunos.

  Mesmo em meio a tantas contradições, enfrentando os inúmeros desafios da modernidade, a Escola Euclides da Cunha abriga suas preciosidades com esperança. Essa Escola mantém, em seus jovens, a esperança de uma comunidade, como iniciado em 1928. É uma Escola viva, como qualquer outra, porque tem gente. Em suas salas de aula, em seus corredores, além de viver a memória de todos os alunos, professores, agentes escolares, gestores, de todos que ali já estiveram, dos que lá estão, a Escola Euclides da Cunha ainda vive a memória do futuro; a memória daqueles que ainda hão de estar ali. E todas essas existências,  carregadas de medos, de sonhos, de angústias, de amor, de alegrias, de esperanças,  fazem essa Escola.  

  E, realmente, não importa qual seja a situação; permanece, em nossa Escola, a esperança de que o conhecimento possa nos oferecer novas formas, mais justas, de se pensar, de se existir. Também fica a esperança de que não nos esqueçamos de que vivemos em uma comunidade. A construção da Escola Euclides da Cunha é o maior exemplo do que uma coletividade pode fazer, quando se une, quando quer algo bom para todos.

Feliz 90 anos de história a nossa querida Escola Euclides da Cunha!”

O imponente prédio, em meio ao jardim, trazem recordações a todos que, de alguma forma, fizeram ou fazem parte do tradicional colégio estadual
erro: Caso queira reproduzir este conteúdo, entre em contato pelo e-mail: minhasaojose@uol.com.br