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Doença Renal e gravidez: Conheça a história de Thaíssa junto ao Centro Regional de Nefrologia

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Muitas vezes, o Centro Regional de Nefrologia se depara com histórias de medos, angústias, incertezas e, além do tratamento em si, sua equipe de profissionais está sempre pronta a acolher, orientar, proporcionar carinho e empatia com ainda mais ênfase, como aconteceu com a jovem paciente Thaíssa Aparecida de Oliveira Fernandes que, apesar dos apenas 19 anos, já enfrentou momentos muito difíceis na vida – uma mulher muito ‘guerreira’, como se costuma dizer por aí.

A história da paciente chama a atenção para duas situações na Nefrologia: o aumento de casos de doença renal crônica em pacientes jovens e os problemas que ela pode causar à gestação, situações vividas nos últimos meses por Thaíssa.

Ela descobriu ambos diagnósticos, de gravidez e doença renal crônica praticamente no mesmo período, em novembro do ano passado, quando estava internada em Campinas para tratamento de uma anemia.

“Imediatamente já iniciei a diálise, que lá era uma vez por semana, e também o pré natal. Fiquei internada por um mês e depois fui transferida para fazer o tratamento aqui no CRN”, disse Thaíssa, que é natural de Tapiratiba, em entrevista ao site e jornal online Minha São José.

No Centro, no início do tratamento, a paciente passou a fazer hemodiálise todos os dias e depois três vezes por semana, por três horas/dia, assim como acontece atualmente. “Não é uma rotina fácil. Eu passei por momentos de muito medo, angústia, pois estar grávida e estar doente renal me deixou muito triste, desanimada mesmo”, disse.

A força que a jovem gestante necessitava veio primeiramente da mãe, dona Maria, e também dos profissionais do Centro Regional de Nefrologia, que a acolheram desde o primeiro momento para que fosse possível o tratamento junto ao acompanhamento da gravidez.

A jovem Thaíssa, que deseja entrar na fila do transplante, fazê-lo e ter mais qualidade de vida para cuidar do filho, Isac, de dois meses, e estudar Enfermagem

A GRAVIDEZ DE ALTO RISCO

De acordo com a enfermeira coordenadora do CRN, Juliana Leotti, a gestação em mulheres que fazem hemodiálise é considerada de altíssimo risco. “Para a mãe, os principais riscos são pressão alta grave, anemia, infecções, sobrecarga de líquidos e complicações metabólicas, exigindo acompanhamento multiprofissional e diálise intensificada. Já para o bebê, os maiores riscos são prematuridade, baixo peso ao nascer, atraso no crescimento e até óbito”, explicou.

Com Thaíssa não foi muito diferente. No período gestacional, ela disse que sentiu fortes dores de cabeça, além de anemias, hipertensão e muitas infecções de urina.

“Mas aqui na Clínica sempre me trataram muito bem. Inclusive com nutricionista, que me acompanha até hoje, com dietas que preciso seguir direitinho por conta da doença renal”.

Ela teve o bebê, o pequeno Isac, em junho, de parto natural, com 37 semanas de gestação.

“Apesar de não ter tido complicações no parto, Thaíssa apresentou uma eclâmpsia tardia, que aconteceu no pós parto, situação que pode ocorrer em qualquer mulher, geralmente após 48 horas até quatro semanas depois de dar à luz”, observou Juliana.

E, embora também quisesse prolongar, Thaíssa conseguiu amamentar Isac por apenas um mês, pois estava perdendo muito peso devido aos desgastes físicos. “Minha mãe parou de trabalhar para me ajudar a cuidar dele”, disse, emocionada.

“EU QUERO ESTUDAR ENFERMAGEM”

Um transplante de rim. Essa é a esperança de Thaíssa para tentar ter mais qualidade de vida, entretanto nem sempre ela se posicionou a favor dele. “Tinha medo de não dar certo e confesso que nem queria tentar entrar na fila. Acho que passei por coisas que nunca imaginei nestes últimos meses. Mas minha mãe e o pessoal aqui do CRN me apoiaram muito e me incentivaram a entrar na fila do transplante. E é o que estou tentando fazer”.

Ela ainda está passando por entrevistas de triagem pré-transplante, e após passar por essa fase, que afirmou ter confiança que vai conseguir para, enfim, entrar na fila e aguardar pelo órgão, a jovem mamãe destacou dois desejos. “O primeiro é poder cuidar do meu filho com mais saúde e o segundo é voltar a estudar. Quero me formar em Enfermagem”, concluiu.

O ALERTA À UMA DOENÇA SILENCIOSA

A história de Thaíssa é um alerta à Doença Renal Crônica que, como dito no início desta matéria, está acometendo cada vez mais pacientes jovens. E ela é, na maioria dos casos, silenciosa.

“A DRC é considerada uma doença silenciosa, pois na maioria das vezes não apresenta sintomas até fases avançadas. Quando os sinais aparecem como inchaço, pressão alta e alterações na urina, os rins já podem estar bastante comprometidos necessitando de terapia de substituição renal”, ressaltou a enfermeira coordenadora.

Juliana também salientou que a prevenção é fundamental e em qualquer idade. “Entre algumas formas de se prevenir a DRC estão: controlar a pressão arterial e a diabetes, evitar o uso abusivo de anti-inflamatórios, manter alimentação equilibrada, não fumar e realizar exames de rotina (uréia e creatinina), especialmente quem tem história familiar de doenças renais, como, por exemplo, rins policísticos”, recomendou.

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