Você sabe o que Estrabismo? A oftalmologista Denise Ferreira explica e tira dúvidas sobre a doença

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Normalmente a aparição do Estrabismo é determinada geneticamente, mas algumas doenças também podem causa-lo

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Provavelmente você já o deve ter notado em algumas pessoas, seja em crianças ou adultos. O Estrabismo realmente chama um pouco a atenção devido aos olhos desalinhados, ou seja, não ficam direcionados para o mesmo ponto, sua principal característica.

Para falar um pouco sobre essa doença, inclusive esclarecendo dúvidas frequentes, o www.minhasaojose.com.br entrevistou a oftalmologista Denise Fronzaglia Ferreira, que destacou as causas do Estrabismo, sintomas e tratamentos.

Ela explicou que atualmente a cirurgia não é o único procedimento para correção e que, em alguns casos, o desvio melhora apenas com o uso de óculos.

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Dra. Denise, o Estrabismo é uma doença genética ou pode ocorrer ao longo da vida?

Quais são suas causas?

Dra. Denise Fronzaglia Ferreira: Normalmente sua aparição é determinada geneticamente, mas algumas doenças podem causar estrabismo, como: cegueira em um olho, miopia ou hipermetropia muito altos, hipertireoidismo (Doença de Graves), inflamações do músculo extraocular, complicações de sinusite e traumas.

Quais são as principais dificuldades na visão do estrábico?

Esses pacientes não apresentam boa visão de profundidade se não são tratados desde cedo. Também podem apresentar um desenvolvimento visual ruim no olho mais afetado, ou seja, não enxergam bem desse olho na vida adulta, o que chamamos de Ambliopia.

Como são as formas de tratamento e quando é recomendada a cirurgia?

Quando o desvio é constante, é indicado operar o mais cedo possível para que a criança desenvolva visão de profundidade. Além disso, devemos usar tampões oculares e óculos para desenvolver a visão e evitar a Ambliopia. Em alguns casos, o desvio melhora apenas com o uso de óculos e não é necessário operar.

Em casos cirúrgicos, qual o tempo de recuperação?

Depende no número de músculos que devemos abordar, mas o paciente pode voltar às atividades em média após uma semana.

“Sempre devemos levar em consideração o desenvolvimento visual da criança em primeiro lugar e utilizar tampão e óculos, a cirurgia não elimina a necessidade de usá-los”, destacou a Dra. Denise (Foto: Luz Hospital de Olhos Goiânia)

É verdade que a cirurgia deve ser feita ainda quando criança ou ela independe da idade?

Quando feita na infância, a cirurgia tem valor funcional, ou seja, o paciente tem ganhos no desenvolvimento visual. Se realizamos o procedimento já no adulto que apresenta estrabismo desde criança, a função é apenas estética. Em casos de estrabismo provocado por outras doenças, muitas vezes o paciente desenvolve visão dupla com a sua aparição, que pode ser melhorada com cirurgia no momento que ele desejar.

O estrabismo é caracterizado apenas pelos ‘olhos tortos’ ou há outras características?

Sim, a característica definidora é o olhar desviado. Existem alguns desbalanços na motilidade ocular de algumas crianças, que podem apresentar desvios ocasionais e se autocorrigem. Nesse caso, a criança tem uma forma de estrabismo, mas nem sempre é evidente pelo “olho torto” e normalmente não precisa de nenhum tipo de correção.

A cirurgia é segura e eficaz ou o Estrabismo pode voltar?

A cirurgia é muito segura e eficaz, mas o estrabismo pode voltar em alguns casos e necessitar de uma reabordagem. Hoje existem outras modalidades corretivas além da cirúrgica, como o botox no músculo extraocular, que deve ser realizado com certo intervalo, pois tem efeito passageiro. No entanto, devemos levar em consideração o desenvolvimento visual da criança em primeiro lugar e utilizar tampão e óculos, a cirurgia não elimina a necessidade de usá-los.

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