Vania Della Torre Ballo: Atriz e Gestora rio-pardense reside atualmente na França

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Ela estudou em São Paulo, mas também aprimorou seus conhecimentos no Canadá, onde residiu por 7 anos (foto: Erickson Diocares)

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

“Uma alma livre a aventureira”. Assim, a rio-pardense Vânia Della Torre Ballo se autodefiniu em meio a suas muitas formações e atuações, literalmente falando, em diversas frentes de trabalho.

E, continuando as entrevistas especiais do “Cadê Você?”, o www.minhasaojose.com.br conta um pouco da história dela, que passou sua infância e adolescência no bairro Vale Redentor, estudou e se formou no Magistério na Escola Euclides da Cunha, mas que ganhou o mundo a partir do momento que foi morar em São Paulo, em 2005, quando tinha 20 anos.

O “amor à primeira vista” pela terra da garoa a fez trabalhar e estudar. Vânia graduou-se em Gestão de Recursos Humanos pela UNIP e Atuação pela São Paulo Escola de Teatro.

Durante a entrevista, ela destacou, ainda, sua ida para o Canadá, onde permaneceu por sete anos, também em busca de novos conhecimentos profissionais, além da França, onde reside desde maio desse ano e foi contratada por uma Start-up que desenvolve uma plataforma de inteligência artificial, onde ela ocupa o cargo de gerente de projetos de Inovação. 

Embora residindo longe de sua terra natal há 15 anos, Vânia confessou que sente muitas saudades de São José, entre elas do bairro onde cresceu, do DEC, das quermesses no Santo Antônio…

Vânia, que namora um alemão, disse que, por enquanto, casamento e filhos não estão em seus planos e nem voltar a São José. “Com certeza voltaria a morar no Brasil, mas provavelmente seria São Paulo. São José eu gostaria de voltar mais para contribuir com alguma coisa, como por exemplo instituições que eu frequentei quando adolescente”, contou.

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Vânia, onde estudou aqui em São José e fora da cidade? Qual é a sua formação?

Vânia Della Torre Ballo: Depois de concluir o Ensino Médio na Escola Euclides da Cunha eu fiz o Magistério em São José. Me formei em Gestão em Recursos Humanos pela UNIP, em São Paulo, fiz certificações para trabalhar com mercado financeiro e também me formei em Atuação e fiz parte da primeira turma da São Paulo Escola de Teatro. Também estudei cursos livres em várias outras escolas de teatro em São Paulo como, por exemplo, a Escola de Atores Wolf Maya, Globe SP, etc. No Canadá me formei em gerenciamento de Projetos na Universidade de Toronto.

No teatro: Vânia com o saudoso diretor teatral Antunes Filho. Em Toronto, ela também figurou em séries da Netflix

Quando e por que decidiu morar fora de São José? Quantos anos tinha quando saiu daqui?

Antes de 2004, aos 18 anos, já havia ido algumas vezes a São Paulo para fazer alguns trabalhos de eventos e promoções, eu adorava lá, mas só consegui realmente me estabilizar na cidade quando consegui o meu trabalho, em 2005. Quando pisei em São Paulo foi amor a primeira vista. A cidade me dava muito medo pelo seu tamanho, mas também era como uma grande janela aberta, tamanha as oportunidades que a cidade proporciona. Eu sempre gostei de São José, mas senti que eu precisava de mais, viver mais, conhecer mais. Acredito que sou uma alma livre e aventureira e até hoje olho para o mundo e vejo tudo o que já fiz e conheci, mas ao mesmo tempo sinto que ainda tenho tanto a ver. São José foi uma base importante, que mesmo que de formas destorcidas me deu força e coragem para ir em frente em busca de novos horizontes. 

Como surgiu a oportunidade de ir para o Canadá? O que fez nestes 7 anos por lá?

Como já deu pra perceber, eu gosto muito de explorar e conhecer lugares e novas coisas. Quando comecei a trabalhar em um grande banco em São Paulo, o Safra, eu comecei a descobrir pelos outros a Europa, os USA e eu tinha uma gerente que havia feito um intercâmbio no Canadá. Eu amava ouvir as histórias dela sobre o país e fiquei morrendo de vontade, mesmo sem saber como prometi pra mim que eu também iria fazer um, mesmo que não fosse no Canadá. Bom, nesse banco eu trabalhei quase 5 anos, depois mais 2 anos em São Paulo estudando e trabalhando um pouco com Teatro até que meados de 2012 eu e meu namorado na época (que também alimentava essa vontade) decidimos tentar o intercâmbio. Depois de um ano todo de estudo, processo e papeis a gente foi para Quebec City, parte francesa do Canada. Eu foquei primeiro no francês, que não falava nada e ele já era melhor e começou a trabalhar. Foram 6 meses até meu primeiro trabalho em uma loja na cidade. Depois de 2 anos me mudei para Montreal e em Janeiro de 2016 me mudei sozinha para Toronto, parte inglesa do pais para melhorar também o inglês.  Em Toronto fiz diversos trabalhos; restaurante, cafés, figuração em séries da Netflix, até aula de francês eu dei para crianças. Isso até entrar na empresa que eu fiquei por 3 anos. Uma grande rede de lojas no Canada, fui contratada como bilíngue francês/inglês na área de suporte por um ano e logo depois fui trabalhar em gestão de projetos. Foi aí que comecei a estudar gerência de projetos. Eu achava que o Canada seria uma curta temporada, mas acabei ficando todos esses anos e em 2019, depois de um longo e exaustivo processo eu recebi a minha cidadania canadense. Hoje tenho dois passaportes, canadense e brasileiro.

A rio-pardense durante a cerimônia de sua Cidadania Canadense

E como e quando aconteceu a oportunidade de se mudar para a França? Em que cidade reside e qual é o seu trabalho atualmente?

Eu havia decidido fazia alguns anos que gostaria de passar uma temporada na Europa, viajar, conhecer países. Não tinha muita pretensão de morar pela questão de vistos etc. Mas no Canada tive muitos amigos franceses, eu comecei a gostar da ideia, também adoro a língua e em 2019 finalizei um ultimo projeto em Toronto e parti para uma viagem de quase 8 meses pela Europa, foi a melhor experiência da minha vida até então. Para poder fazer essa longa viagem eu tive que pedir um visto de longa duração para a Europa, no meu caso pedi para a França, acabei estendendo esse visto e por isso estou trabalhando por aqui. Me mudei definitivamente para a França em maio de 2020. Moro na cidade de Grenoble, nos Alpes Franceses. Em Julho 2020 fui contratada por uma Start-up que desenvolve uma plataforma de inteligência artificial, sou gerente de projetos de Inovação. 

Você constituiu família também?

Não, mas posso dizer que constitui grandes amizades, e no exterior, eles viram sua família.  Atualmente tenho um namorado que mora aqui, mas é Alemão. Mas, por hora, casamento e filhos não estão nos meus planos.

Qual foi o momento mais marcante das suas profissões?

Eu estudei tantas coisas e não tracei uma linha reta em uma profissão, então acho difícil escolher um momento marcante. Acho que todas as vezes que consigo fazer um bom trabalho em meio a culturas diferentes, línguas e pessoas diferentes acho que pra mim são marcos. Porém, a minha primeira tradução simultânea Francês /Inglês em Toronto no meu trabalho foi muito especial, porque aprendi línguas depois de adulta e sempre tive dificuldade com elas. 

Na cidade onde reside atualmente, Grenoble, nos Alpes Franceses

E qual foi a maior lição que aprendeu morando em outros países?

Foram diversos aprendizados, mas acredito que hoje, depois desses anos todos morando fora eu diria que a relação com o próximo é o maior desafio e também o maior aprendizado. Trabalhar e conviver com pessoas de culturas completamente diferentes da sua e com diferentes ideias, vontades e necessidades te faz julgar menos as pessoas, te faz entender que os diplomas, as línguas, carimbos no passaporte, o nome da família, nada disso importa para conseguir criar boas e honestas relações. O que mais importa é o respeito pelo próximo, independente de quem ele é, de onde ele vem e em que ele acredita. E também entender que somos muito pequenos diante da grandeza do mundo é uma das grandes vantagens de sair da nossa zona de conforto. Inclusive, sobre isso, tenho um pequeno canal no Youtube onde conto sobre viagens e morar fora: https://www.youtube.com/channel/UC_Wm7M5OYqwRvzgdP3lb7lA?view_as=subscriber

Qual é a sua maior saudade de São José do Rio Pardo?

Tenho saudade de brincar na rua até tarde, das fogueiras no inverno. Eu cresci no Vale Redentor e a turma era enorme. Foi uma época difícil, mas também muito boa. Tenho saudade de treinar handball no DEC (Tartarugão). Também do carnaval, da banda do grelo. Das baladinhas no Rio Pardo. Das quermesses da Igreja do bairro Santo Antônio, dos tererês no cabelo na feira hippie. Tenho saudade da época que estudei no Euclides da Cunha e depois da aula tinha sempre alguém pra bater papo na saída. 

Para finalizar, quais são seus planos para o futuro? Voltar ao Brasil, a São José faz parte de algum deles?

Acredito que nesse momento fazer planos esta um pouco complicado . No curto e médio prazo, quero continuar por aqui, tenho muito a conhecer no velho continente. Eu sempre vou ao Brasil, visito sempre São Paulo e também São José, onde está a minha família, uma parte, pelo menos. Com certeza voltaria a morar no Brasil, mas provavelmente seria São Paulo. São José eu gostaria de voltar mais para contribuir com alguma coisa, como por exemplo instituições que eu frequentei quando adolescente que ofereciam esportes, criatividade fora do horário escolar a jovens e adolescentes, como o Nipam, o DEC, etc. Acho que passar boa parte do meu tempo livre nesses lugares me ajudou muito a abrir os meus horizontes e a enxergar mais longe. 

Com o namorado no Canadá, em Toronto
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