Santa Casa serve mais de 10.000 refeições por mês a seus pacientes

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Desde o recebimento, ao acondicionamento e preparo dos alimentos, tudo é feito pela equipe do Serviço de Nutrição e Dietética

Reportagem e texto: Natália Tiezzi Manetta

Tão importante quanto os cuidados médicos e o medicamento em si, a alimentação é parte fundamental para a boa recuperação dos pacientes em um hospital. Você, internauta, já parou para pensar sobre quantas refeições são preparadas e servidas aos pacientes?

Pois nossa entrevista destaque deste sábado, mais do que informar sobre esses números, é uma homenagem a esta grande equipe do Serviço de Nutrição e Dietética – SND (mais conhecido como a ‘Cozinha do hospital’), formada por 25 colaboradores, que preparam além do que uma refeição, realmente tocam o paciente com amor, carinho e respeito por meio dos alimentos.

Quem concedeu a entrevista ao site foi a nutricionista Renata Piovezan Capuano, que há 2 anos orienta e coordena os serviços no SND. Ela falou um pouco sobre a rotina de trabalho, momentos marcantes, aprendizados, bem como agradeceu a população rio-pardense pelas inúmeras doações de gêneros alimentícios que muito auxiliam a Santa Casa todos os meses, já que o consumo de alguns ítens é muito grande, a exemplo do arroz e do feijão, bases dos cardápios.

Quem também fez questão de dar seu depoimento sobre Renata foi dona Edna Callegari, que é técnica em nutrição e presta serviços há 25 anos no hospital. Ambas se emocionaram durante a entrevista, que você confere a seguir.

Renata, conte um pouco sobre a rotina na ‘Cozinha da Santa Casa’

Renata Piovezan Capuano: Bom, a rotina é de muito trabalho, que exige o máximo de atenção, carinho e dedicação de nossa equipe, que é formada por 7 cozinheiros, sendo 6 mulheres e um homem, 15 copeiras, uma técnica de nutrição, uma colaboradora para serviços gerais e eu. Porém, aqui cada um conhece e exerce exatamente sua função, pois sabem que dela depende boa parte da recuperação de centenas de pacientes.

Quantas refeições são preparadas e servidas mensalmente aos pacientes?

Cada mês é uma quantidade devido às internações, porém é uma média de 13.000 refeições mensais, o que inclui café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia. Além dos pacientes também servimos essas refeições aos acompanhantes de portadores de necessidades especiais, menores de 18 anos e maiores de 60 anos, com exceção da ceia. Fora isso, também servimos cerca de 1.600 refeições aos colaboradores que, por uma valor bem acessível, almoçam e jantam aqui no refeitório.

Nestes dois anos à frente do SND, como você definiria seu trabalho?

Antes de cursar Nutrição fiz curso técnico em alimentos e nutrição. Depois optei pela graduação, que fiz na UNIP Rio Pardo. Durante os cursos técnicos fiz estágio no setor de Merenda da Prefeitura e na Nestlé e sei exatamente como é trabalhar diretamente com a ‘mão na massa’, assim como nossos colaboradores fazem diariamente. Acho que isso me ajudou muito aqui. Me considero exigente na questão da higiene, que nem preciso dizer que é fundamental, e desde o recebimento até a refeição chegar ao leito do paciente. Não é apenas preparar a comida, mas todas as etapas que vêm antes disso. Outra coisa que faço questão e é essencial aqui é a organização. Sem ela é impossível mais de 20 pessoas desempenharem com êxito suas funções.

Há dois anos na coordenação do SND, a nutricionista Renata acumula anos de experiências em cozinhas industriais, cargos que ocupou antes de trabalhar na Santa Casa

O que você tem a dizer sobre sua equipe? Você ensina ou aprende mais com ela?

Acho que é uma troca diária de experiências e conhecimento, pois minha equipe é formada por colaboradoras com muitos anos de casa. Uma das cozinheiras presta serviços aqui há 51 anos. Procuro sempre alinhar meus conhecimentos à experiência de cada uma. Ensino e aprendo com todas, em especial com a dona Edna, que me acolheu muito bem quando comecei a trabalhar aqui. Dedicada, competente e, acima de tudo, humana, como, aliás, nossa equipe toda!

Neste momento dona Edna interrompe a entrevista e fala sobre Renata: “Essa menina não é nossa chefe, é nossa amiga. Nos ensina o que for preciso, é aberta a sugestões e críticas e é muito educada com todos aqui”, disse, emocionada.

Vocês já atenderam pacientes com algum pedido especial de comida?

Dependendo do setor de internação, há cardápios padronizados, mas a grande maioria é individual, prescrito sob orientações médicas e que devemos seguir à risca. Entretanto, algumas vezes, o paciente não quer comer algum item do cardápio proposto. Nunca deixamos esse paciente sem alimentação. Adaptamos o cardápio, conforme nossa possibilidade diária aqui no SND, e, claro, após orientação do médico. Geralmente o pedido é para substituir um suco por uma fruta ou por leite, nada que fuja da nossa realidade! Mas confesso que dois pedidos foram muito especiais para mim. Um deles foi de uma senhora, que estava sob cuidados paliativos tratando um câncer. Sabíamos que a doença estava em estágio terminal e ela mal conseguia comer. Porém, ela me disse que gostaria de comer geladão, aquela sobremesa feita com gelatinas e creme feito com leite condensado. O médico liberou. Mas, alguns ingredientes não faziam parte da nossa despensa. Nem pensamos duas vezes: providenciamos o que faltou e fizemos o geladão. Ela comeu com tanto gosto… Dias depois teve alta e logo faleceu. Talvez este tenha sido o último pedido que ela fez de uma refeição e graças a Deus conseguimos atender. Outro pedido que atendemos foi de um senhor que não comia carne, mas devido à sua enfermidade sua dieta tinha que ser rica em proteínas. Ele sugeriu omelete, mas não poderia servir só isso a ele durante todo período de internação. Foi então que uma parente disse que ele gostava de hambúrger! E lá fomos nós para a cozinha preparar a carne e molda-la no formato que ele gostava. Problema resolvido!

Quais são os itens mais utilizados no SND?

Arroz, feijão, leite, farinha e óleo, mas graças a Deus nossa comunidade é muito comprometida com a Santa Casa e faz doações mensais, inclusive de hortifruti. Aproveito para agradecer a todos que, independente da quantidade, doam mantimentos para o SND. Toda doação é muito bem vinda e aproveitada aqui.

Para finalizar, qual a maior satisfação, sua e da equipe, em trabalhar no SND?

Sem dúvida nenhuma é a recuperação do paciente. Notar sua melhora ao longo da internação até ter alta, pois sabemos que contribuímos com isso através de uma refeição feita com amor, carinho e muita atenção. Outra coisa que nos deixa realmente emocionadas é a gratidão dos pacientes. Muitos até se emocionam quando estão se recuperando ou de alta hospitalar e dizem que só conseguiram melhorar seu estado de saúde porque a comida do hospital é muito boa! Isso é gratificante e nos motiva a cada turno, a cada refeição preparada, enfim, nos dá ânimo para melhorar sempre!

A técnica em Nutrição, Edna Callegari, e Renata: Troca de experiências e conhecimento no SND do hospital
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